Geoeconomia do/no Ártico

Nos últimos anos assistiu-se a um conjunto de alterações no clima do planeta, com particular destaque para a região do Árctico. O aumento média das temperaturas provocou a destruição de parte significativa do “Permafrost” [1] e alterou significativamente a geografia e a economia da região.

Ao nível dos recursos naturais permitiu o aumento das zonas de pesca, novas áreas de extração de recursos como petróleo, gás, diamantes e outros materiais com grande valor comercial. No que se refere às transacções comerciais, a abertura de novas rotas áereas, marítimas e terrestres contribuiu para o aumento dos transportes, do turismo, das actividades portuárias e serviços. O seu impacto manifesta-se, ainda, na criação de novas necessidades em estruturas de segurança e defesa, bem como de meios de busca e salvamento.

O principal desafio é apurar se os lucros potenciais destas actividades contribuem para melhorar a vida das populações locais ou se vão servir para enriquecer actores externos e destabilizar a região.

Algumas ameaças já são uma realidade. Por exemplo: as populações mais jovens das tribos nativas estão a abandonar comportamentos clássicos e a assumir novos gostos e atitudes que não são compreendidas no seio das suas comunidades. Por outro lado, um derrame muito grave de petróleo na região de Prince William Sound, Alaska, em Março de 1989 provocou um dos maiores desastres ambientais causados por intervenção humana.

Neste contexto, o Conselho Económico do Ártico (AEC) surgiu com o objectivo de facilitar o desenvolvimento económico de forma sustentada e responsável. Apesar de ser um organismo de consulta e opinião tem um papel importante devido à diversidade e proveniência dos seus membros.

O AEC é constituído por representantes dos Estados e Organizações económicas de todos os países da região [2] e defende que, para serem eficientes e eficazes, as actividades económicas têm de ter em atenção os desafios e caracteristicas únicas da região do Ártico.

[1] Pemafrost – “Permanent Frost” – Permanentemente gelado significa, em Geologia, um terreno cuja temperatura média é inferior a 0 °C, durante dois ou mais anos.

[2] https://arcticeconomiccouncil.com/about-us/representatives/

Autor: Mário Pontes

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