Presença de microplásticos em pinguins-gentoo da região da Antártida

A poluição por plásticos, quer seja a uma escala macro ou micro, é um dos problemas ambientais de maior preocupação entre cientistas, legisladores e do público em geral.

Os microplásticos são quaisquer partículas de plástico menores que 5 mm, que são fabricadas como pequenas partículas ou originadas da fragmentação de itens de plástico maiores. Os microplásticos estão presentes na maioria dos habitats, podendo ser ingeridos acidentalmente por uma grande variedade de organismos. Contudo, ainda não se sabe ao certo quais os efeitos da sua ingestão nos organismos. Estas partículas já foram detetadas em áreas remotas, como o Ártico e a Antártida, podendo ter chegado por três rotas distintas: atividades humanas locais, transportadas de outras regiões por correntes atmosféricas ou oceânicas, ou transportadas por organismos que migram para o local que, por exemplo, podem ter ingerido estas partículas noutros locais e excretam-nas nestas regiões.

O pinguim-gentoo Pygoscelispapua, é um organismo usado para monitorizar a contaminação nos ecossistemas marinhos da Antártida. Isto porque este pinguim não migra, movimentando-se apenas próximo da costa para se alimentar, e, como tal não transporta contaminantes de outras regiões.

Pinguim-gentoo (foto de José Xavier)

Um estudo publicado recentemente na revista Nature teve como objetivo avaliar a presença de microplásticos no pinguim-gentoo, assim como identificar a sua constituição (que pode ser bastante variada) e possível origem. Para a realização deste estudo foram utilizadas fezes dos pinguim-gentoo, recolhidas em duas ilhas do oceano antártico durante o verão de 2009, Bird Island e Signy Island.

No total, foram identificados 19 microplásticos com 7 constituições diferentes. A microfibra sintética mais conhecida e comum foi o poliéster, que pode ser produto da degradação de fibras maiores durante a lavagem de roupas ou da fragmentação de redes e cordas de pesca, por exemplo.

Assim, este estudo vem mostrar a necessidade de se realizarem mais experiências sobre os efeitos destas partículas nos seres vivos visto que estas estão presentes em organismos mesmo em áreas remotas.

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Fonte: Bessa, F., Ratcliffe, N., Otero, V. etal. Microplastics in gentoo penguins from the Antarctic region. SciRep 9, 14191 (2019). https://doi.org/10.1038/s41598-019-50621-2

Autora: Inês Gonçalves

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