<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Antártida &#8211; APECS Portugal</title>
	<atom:link href="https://apecsportugal.pt/category/antartida/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://apecsportugal.pt</link>
	<description>Um site para os jovens cientistas e dos jovens cientistas para o Mundo</description>
	<lastBuildDate>Wed, 08 Jul 2026 19:17:35 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.1</generator>

<image>
	<url>https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/10/APECS-PT-icon-150x150.jpg</url>
	<title>Antártida &#8211; APECS Portugal</title>
	<link>https://apecsportugal.pt</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Co-ocorrência de microplásticos e químicos disruptores endócrinos em aves marinhas subantárticas</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2026/05/31/coocorrencia-de-microplasticos-e-quimicos-disruptores-endocrinos-em-aves-marinhas-subantarticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2026 14:38:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=8266</guid>

					<description><![CDATA[Apesar de se reproduzirem em locais remotos, as aves marinhas subantárticas continuam expostas à poluição causada pelas atividades humanas. Este estudo avaliou a presença de microplásticos e vários químicos disruptores endócrinos em sete espécies de aves marinhas recolhidas na ilha subantártica da Geórgia do Sul (Figura 1). Os resultados mostraram que as partículas antropogénicas estavam [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Apesar de se reproduzirem em locais remotos, as aves marinhas subantárticas continuam expostas à poluição causada pelas atividades humanas. Este estudo avaliou a presença de microplásticos e vários químicos disruptores endócrinos em sete espécies de aves marinhas recolhidas na ilha subantártica da Geórgia do Sul (Figura 1).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="977" height="1024" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/05/1-s2.0-S0304389426009969-gr1_lrg-977x1024.jpg" alt="" class="wp-image-8302" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/05/1-s2.0-S0304389426009969-gr1_lrg-977x1024.jpg 977w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/05/1-s2.0-S0304389426009969-gr1_lrg-286x300.jpg 286w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/05/1-s2.0-S0304389426009969-gr1_lrg-768x805.jpg 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/05/1-s2.0-S0304389426009969-gr1_lrg-1466x1536.jpg 1466w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/05/1-s2.0-S0304389426009969-gr1_lrg-1955x2048.jpg 1955w" sizes="(max-width: 977px) 100vw, 977px" data-mwl-img-id="8302" /><figcaption class="wp-element-caption"><img decoding="async" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/06/1-s2.0-S0304389426009969-gr1_lrg-2-977x1024.jpg" alt=""><strong>Figura 1:</strong> Frequência de ocorrência dos tipos, cores e tamanhos das partículas antropogénicas encontradas em adultos e crias de sete espécies de aves marinhas da Geórgia do Sul.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostraram que as partículas antropogénicas estavam presentes em praticamente todos os indivíduos analisados. No total, foram recuperadas 1275 partículas no trato gastrointestinal de 76 aves, com uma frequência de ocorrência de 97,4%. Entre as partículas analisadas quimicamente, 59% tinham origem sintética, mostrando que os plásticos estão presentes mesmo em ecossistemas considerados remotos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também analisou diferentes grupos de químicos disruptores endócrinos, incluindo retardadores de chama bromados, filtros UV, fragrâncias sintéticas e bisfenóis. No entanto, apenas os PBDEs e os MeO-PBDEs foram detetados em concentrações acima do limite de quantificação. Estes compostos foram encontrados tanto no fígado como no músculo, mas as maiores concentrações ocorreram no fígado, o que está relacionado com o papel deste órgão na metabolização e acumulação de contaminantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As concentrações mais elevadas de PBDEs foram encontradas em indivíduos adultos de mandrião-antártico, enquanto os valores mais elevados de MeO-PBDEs foram registados em crias de albatroz-errante. Apesar de os microplásticos poderem atuar como vetores de contaminantes químicos, o estudo não encontrou uma relação significativa entre a quantidade de partículas ingeridas e as concentrações de retardadores de chama nos tecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma geral, este trabalho mostra que as aves marinhas subantárticas estão expostas simultaneamente a partículas antropogénicas e a contaminantes químicos associados aos plásticos. Estes resultados reforçam a importância destas aves como sentinelas da poluição marinha e destacam a necessidade de melhorar a monitorização e as políticas de redução da poluição por plásticos no Oceano Austral.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Fragão, J., Manno, C., Phillips, R. A., Cunha, S. C., Fernandes, J. O., Batista de Carvalho, L. A. E., Marques, M. P. M., Xavier, J. C., &amp; Bessa, F. (2026). Co-occurrence of microplastics and endocrine-disrupting chemicals in subantarctic seabirds.&nbsp;<em>Journal of Hazardous Materials</em>,&nbsp;<em>509</em>, 142018. https://doi.org/10.1016/j.jhazmat.2026.142018</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor: </strong>Sara Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Elementos-traço nos solos das áreas livres de gelo da Antártida: Perspetivas sobre os valores geoquímicos naturais, o impacto antropogénico e a possível remobilização associada ao degelo do permafrost</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2026/02/27/elementos-traco-nos-solos-das-areas-livres-de-gelo-da-antartida-perspetivas-sobre-os-valores-geoquimicos-naturais-o-impacto-antropogenico-e-a-possivel-remobilizacao-associada-ao-degelo-do-permafrost/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 14:03:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=8113</guid>

					<description><![CDATA[As áreas livres de gelo da Antártida representam menos de 0,5% da superfície do continente, mas concentram praticamente toda a biodiversidade terrestre e a maioria das infraestruturas humanas, como estações científicas e antigas áreas de atividade antrópica. Estas regiões são, simultaneamente, ecologicamente sensíveis e particularmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas. Neste estudo, os investigadores [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As áreas livres de gelo da Antártida representam menos de 0,5% da superfície do continente, mas concentram praticamente toda a biodiversidade terrestre e a maioria das infraestruturas humanas, como estações científicas e antigas áreas de atividade antrópica. Estas regiões são, simultaneamente, ecologicamente sensíveis e particularmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste estudo, os investigadores realizaram uma revisão abrangente dos elementos-traço nos solos das áreas livres de gelo da Antártida, analisando concentrações em zonas pristinas e em áreas com influência humana, com especial atenção ao impacto do degelo do permafrost na sua mobilização. A Antártida foi organizada em seis regiões com características climáticas e ambientais semelhantes, permitindo comparar resultados, distinguir origens naturais e antropogénicas dos contaminantes e identificar áreas vulneráveis que necessitam de monitorização futura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostraram que a camada ativa do permafrost controla a acumulação e mobilidade de elementos-traço nos solos antárticos e que o degelo do permafrost, associado às alterações climáticas, pode remobilizar contaminantes previamente retidos, aumentando a sua disponibilidade ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados revelaram ainda que as concentrações de elementos como Hg, Pb, Cd, Cu, Cr e Ni resultam tanto de fontes naturais como de fontes antropogénicas.<br>Nas Ilhas Shetland do Sul, sobretudo na King George Island, registam-se valores mais elevados perto de estações científicas, resíduos, derrames de combustível e outras infraestruturas humanas, já por exemplo, em Deception Island, a atividade vulcânica origina concentrações naturalmente elevadas de Hg e As, podendo o permafrost funcionar como reservatório temporário destes elementos (Fig.1). Os investigadores reportam também que a retração glaciar, o aumento da espessura da camada ativa e a degradação do permafrost estão a alterar a dinâmica hidrológica e o transporte de contaminantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A combinação entre pressão humana e as alterações climáticas representam um risco crescente para os ecossistemas terrestres e costeiros, exigindo monitorização contínua.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="738" height="591" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/02/image.png" alt="" class="wp-image-8114" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/02/image.png 738w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/02/image-300x240.png 300w" sizes="(max-width: 738px) 100vw, 738px" data-mwl-img-id="8114" /><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Figura 1:</strong> Locais nas Ilhas Shetland do Sul com valores reportados de concentrações de elementos-traço. Os pontos vermelhos representam áreas onde as concentrações de elementos-traço são influenciadas por impacto antropogénico, enquanto os pontos verdes refletem concentrações naturais.</em></figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Zilhão, H., Cesário, R., Vieira, G. &amp; Canário, J. (2025). Trace elements in soils of the Antarctic ice-free areas: Insights on natural geochemical values, anthropogenic impact and possible remobilisation upon permafrost thaw. <em>Earth-Science Reviews</em>, 268.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autor: Diana Vaz</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O regime térmico do solo é controlado pelo relevo e pela cobertura de neve nas áreas livres de gelo da Antártida Marítima</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/12/31/o-regime-termico-do-solo-e-controlado-pelo-relevo-e-pela-cobertura-de-neve-nas-areas-livres-de-gelo-da-antartida-maritima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2025 10:30:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Gelo marinho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=7961</guid>

					<description><![CDATA[Sabias que as áreas livres de gelo da Antártida escondem um mundo complexo debaixo dos nossos pés? Lá, o solo não fica inerte, congela e descongela segundo padrões controlados pela própria paisagem. Compreender o regime térmico do solo é fundamental para estudar o permafrost, prever mudanças ambientais e até mesmo entender como as alterações climáticas [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Sabias que as áreas livres de gelo da Antártida escondem um mundo complexo debaixo dos nossos pés? Lá, o solo não fica inerte, congela e descongela segundo padrões controlados pela própria paisagem. Compreender o regime térmico do solo é fundamental para estudar o permafrost, prever mudanças ambientais e até mesmo entender como as alterações climáticas estão a afetar a Antártida!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma equipa liderada por uma investigadora portuguesa estudou as temperaturas do solo na Península de Barton (Península Antártica), onde estas áreas livres de gelo se encontram distribuídas ao longo de vertentes rochosas e entre mantos de neve. A equipa instalou pequenos sensores de temperatura chamados iButtons a diferentes altitudes e condições (em vertentes, perto de mantos de neve, etc.), que registam as temperaturas do solo a cada três horas durante um ano inteiro. Através da análise dos dados, a equipa percebeu quais os fatores que controlam o regime térmico do solo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, o que descobriram? A altitude revelou-se como o principal fator: quanto mais alto se sobe, mais frio fica o solo, apresentando temperaturas médias anuais pouco acima do ponto de congelação em setores de menor elevação, e abaixo dos -2ºC em locais mais altos. A cobertura de neve também desempenha um papel importante, agindo como um cobertor natural: as áreas com neve mais duradoura tiveram estações de congelamento mais longas e um aquecimento mais lento. Até a forma do terreno e a quantidade de luz solar que sobre ele incide influenciaram a temperatura do solo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A equipa identificou 7 regimes diários de temperatura do solo, encontrando-se alguns congelados durante todo o dia, outros completamente descongelados e outros com variações entre o estado de congelação e descongelação. Baseada nesta variação, a equipa classificou a área em 4 tipos de regime térmico anual, variando entre longas estações de geada próximo a mantos de neve, e curtas estações de geada com rápido aquecimento em setores de menor altitude. A equipa criou ainda um modelo que permite mapear estes padrões em toda a Península com 90% de certeza.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas porque é que isto é importante? Bem, estes resultados mostram o quanto as temperaturas do solo são sensíveis a pequenas mudanças de relevo e cobertura de neve, algo importante não apenas para compreender o regime térmico do permafrost na Antártida, mas também para prever como este regime pode responder às alterações climáticas. Em outras palavras, mesmo pequenos detalhes na paisagem podem impactar substancialmente o solo debaixo dos nossos pés!</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Baptista, J., Vieira, G., &amp; Lee, H. (2024). Ground surface temperature regimes are controlled by the topography and snow cover in the ice-free areas of Maritime Antarctica. Catena, 240, 107947</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Concentrações de Mercúrio, Habitat e Posição Trófica da Antimora rostrata e Macrourus holotrachys da Geórgia do Sul (Oceano Antártico)</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/11/28/concentracoes-de-mercurio-habitat-e-posicao-trofica-da-antimora-rostrata-e-macrourus-holotrachys-da-georgia-do-sul-oceano-antartico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 10:46:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=7944</guid>

					<description><![CDATA[O mercúrio (Hg) é considerado uma neurotoxina capaz de prejudicar gravemente a vida selvagem, incluindo os ecossistemas marinhos. Apresenta uma elevada capacidade de dispersão através de correntes atmosféricas e oceânicas, podendo atingir regiões remotas de todo o globo, como o Oceano Austral, onde se acumula nas cadeias alimentares marinhas. Apesar da sua relevância ecológica, pouco [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O mercúrio (Hg) é considerado uma neurotoxina capaz de prejudicar gravemente a vida selvagem, incluindo os ecossistemas marinhos. Apresenta uma elevada capacidade de dispersão através de correntes atmosféricas e oceânicas, podendo atingir regiões remotas de todo o globo, como o Oceano Austral, onde se acumula nas cadeias alimentares marinhas. Apesar da sua relevância ecológica, pouco se sabia sobre as concentrações de Hg em peixes de profundidade desta região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste estudo, os investigadores analisaram duas espécies de peixe de profundidade na Geórgia do Sul: a <em>Antimora rostrata</em> (Mora-Azul), de hábitos mais pelágicos, e <em>Macrourus holotrachys</em> (granadeiro), de hábitos demersais. Em 2020, foram recolhidos indivíduos e analisados quatro tecidos (músculo, cérebro, fígado e guelras), bem como isótopos estáveis, para determinar habitat e posição trófica, de cada uma das espécies em estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostraram que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O músculo foi o tecido com maiores concentrações de mercúrio em ambas as espécies (Fig. 1).</li>



<li>A <em>A. rostrata</em> apresentou concentrações consistentemente mais baixas que <em>M. holotrachys </em>(Fig. 1).</li>



<li>Somente para o <em>M. holotrachys</em> as concentrações de Hg aumentaram com o comprimento e peso dos indivíduos, sugerindo bioacumulação ao longo da vida.</li>



<li>As diferenças refletem-se também no habitat destas espécies, uma vez que a espécie demersal (<em>M. holotrachys</em>) está mais relacionada com as cadeias alimentares bentónicas, geralmente mais ricas em Hg (Fig. 2).</li>



<li>A <em>A. rostrata</em> apresenta um nível trófico mais baixa do que o <em>M. holotrachys</em> (Fig. 2).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Contrariamente do que se esperava, o cérebro mostrou concentrações elevadas de Hg, levantando questões sobre potenciais efeitos neurotóxicos nestes peixes e nos seus predadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes resultados revelam que estratégias alimentares e habitats diferentes moldam a acumulação de contaminantes em espécies de profundidade, com implicações para a saúde dos ecossistemas e dos predadores de topo que delas dependem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="796" height="378" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image.png" alt="" class="wp-image-7945" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image.png 796w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-300x142.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-768x365.png 768w" sizes="(max-width: 796px) 100vw, 796px" data-mwl-img-id="7945" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Concentrações de mercúrio (Média ± 1 DP, µg g⁻¹ peso seco) em diferentes tecidos (Músculo, Cérebro, Fígado e Guelras) da <em>Antimora rostrata</em> e <em>Macrourus holotrachys</em>. Letras minúsculas diferentes (para <em>Antimora rostrata</em>) e maiúsculas diferentes (para <em>Macrourus holotrachys</em>) acima das barras indicam diferenças significativas entre os tecidos de cada espécie (teste de Friedman com teste post hoc de Nemenyi, p &lt; 0.05). * entre as barras indica diferenças entre o mesmo tecido nas duas espécies (teste de Mann-Whitney, p &lt; 0.0001).</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="886" height="442" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png" alt="" class="wp-image-7946" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png 886w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1-300x150.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1-768x383.png 768w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" data-mwl-img-id="7946" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2:</strong> Valores de δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N no músculo da <em>Antimora rostrata</em> (n = 23) e do <em>Macrourus holotrachys</em> (n = 22) da Geórgia do Sul. Média ± desvio-padrão.</figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Vaz, D. B., Queirós, J. P., Xavier, J. C., Bustamante, P., Abreu, J., Pereira, E., Hollyman, P. R., Coelho, J. P. &amp; Seco, J. (2025). Mercury Concentrations, Habitat and Trophic Position of <em>Antimora Rostrata</em> and <em>Macrourus Holotrachys</em> from South Georgia (Southern Ocean). <em>Marine Pollution Bulletin</em>. DOI:10.2139/ssrn.5360416</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Diana</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Diminuição das concentrações de mercúrio nos bicos da lula gigante Moroteuthopsis longimana no mar da Escócia desde a década de 1970</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/09/23/diminuicao-das-concentracoes-de-mercurio-nos-bicos-da-lula-gigante-moroteuthopsis-longimana-no-mar-da-escocia-desde-a-decada-de-1970/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:48:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=7826</guid>

					<description><![CDATA[A lula gigante (Moroteuthopsis longimana), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A lula gigante (<em>Moroteuthopsis longimana</em>), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto para a vida selvagem como para a saúde humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como estas lulas são quase impossíveis de estudar vivas, os cientistas recorrem aos seus bicos, estruturas duras que resistem à digestão e se acumulam nos estômagos de predadores, para analisar as suas assinaturas químicas. Neste estudo, os investigadores analisaram bicos de lulas recolhidos desde a década de 1970 até à atualidade para medir as concentrações de mercúrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados foram notáveis: apesar dos níveis elevados de mercúrio nas duas primeiras décadas, as concentrações têm vindo a diminuir de forma constante nos últimos trinta anos. Esta tendência sugere que os esforços globais para reduzir as emissões de mercúrio, como a International Convention on the Prevention of Marine Pollution by Dumping of Wastes and Other Matter (1972)e as melhorias nas práticas industriais, estão a ter efeitos positivos mensuráveis, mesmo em ecossistemas remotos como o Oceano Austral (Figura 1)</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="604" height="370" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png" alt="" class="wp-image-7827" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png 604w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image-300x184.png 300w" sizes="(max-width: 604px) 100vw, 604px" data-mwl-img-id="7827" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Boxplot das concentrações de mercúrio (Hg) nos bicos inferiores da lula gigante M. longimana amostrada ao longo de 5 décadas.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Cefalópodes como <em>M. longimana</em> podem ser valiosos bioindicadores, uma vez que ocupam uma posição central nas redes trófias marinhas, ligando presas mais pequenas, como crustáceos e peixes, a grandes predadores, como focas e baleias. Além disso, o seu ciclo de vida curto e crescimento rápido fazem deles excelentes “registos vivos” das condições ambientais, oferecendo aos cientistas uma janela única sobre as tendências da poluição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao transformar os bicos de lulas em arquivos ambientais, os investigadores forneceram evidências de que a poluição pode diminuir quando há ação coletiva. Estes resultados trazem esperança, mas também servem como lembrete da necessidade de manter os compromissos globais de redução da poluição para salvaguardar os ecossistemas.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Sara Lopes-Santos, José C. Xavier, José Abreu, José Seco, João P. Coelho, Eduarda Pereira, Richard A. Phillips, José P. Queirós, Decreasing mercury concentrations in beaks of the giant warty squid <em>Moroteuthopsis longimana</em> in the Scotia Sea (Southern Ocean) since the 1970s, Marine Pollution Bulletin, Volume 221, 2025, 118578, ISSN 0025-326X</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Lucas</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Projeção dos impactos futuros das alterações climáticas na distribuição de lulas pelágicas no Oceano Austral</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/06/30/projecao-dos-impactos-futuros-das-alteracoes-climaticas-na-distribuicao-de-lulas-pelagicas-no-oceano-austral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 14:34:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=7748</guid>

					<description><![CDATA[Este estudo avalia como as alterações climáticas podem alterar a distribuição das lulas pelágicas no Oceano Austral. Utilizando modelos de distribuição de espécies (MDS), os autores projetaram a adequabilidade futura do habitat para 15 espécies de lulas em dois cenários climáticos (SSP1-2.6 e SSP5-8.5) para os anos de 2050 e 2100. Os modelos indicam que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Este estudo avalia como as alterações climáticas podem alterar a distribuição das lulas pelágicas no Oceano Austral. Utilizando modelos de distribuição de espécies (MDS), os autores projetaram a adequabilidade futura do habitat para 15 espécies de lulas em dois cenários climáticos (SSP1-2.6 e SSP5-8.5) para os anos de 2050 e 2100.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os modelos indicam que o aumento da temperatura da superfície do mar e o recuo do gelo marinho (aspetos-chave do aquecimento dos oceanos) são os principais impulsionadores das alterações das condições do habitat. Outros fatores, como a concentração de clorofila (um indicador da produtividade primária), também desempenham um papel importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As respostas específicas de cada espécie incluem potenciais vencedores e vencidos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Potenciais vencedores: as espécies de lulas subtropicais e cosmopolitas (p. ex.: <em>Histioteuthis atlantica, Teuthowenia pellucida, Todarodes filippovae </em>e<em> Bathyteuthis abyssicola</em>) podem ganhar habitats adequados, especialmente em latitudes mais elevadas (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="703" height="617" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image.png" alt="" class="wp-image-7749" style="width:506px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image.png 703w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-300x263.png 300w" sizes="(max-width: 703px) 100vw, 703px" data-mwl-img-id="7749" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1 &#8211;</strong> Alterações na distribuição de habitat das espécies subtropicais em 2050 SSP5-8.5 e 2100 SSP5-8.5 em relação ao presente, e gradiente latitudinal de adequabilidade de habitat dos cenários presentes versus futuros. No gráfico de tendências, a linha vertical cinzenta é o limite para a presença de espécies</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Potenciais vencidos: Em contraste, a espécie Antárticas e muitas subantárticas (como <em>Onykia ingens, Onykia robsoni, Martialia hyadesi, Gonatus antarcticus, Histioteuthis eltaninae, Slosarczykovia circumantarctica, Mesonychoteuthis hamiltoni, Alluroteuthis antarcticus, Galiteuthis glacialis, Psychroteuthis glacialis</em>, e especialmente a <em>Moroteutopsis longimana</em>) deverão perder uma parte significativa do seu habitat atual (Figura 2).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="749" height="781" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-1.png" alt="" class="wp-image-7750" style="width:490px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-1.png 749w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-1-288x300.png 288w" sizes="(max-width: 749px) 100vw, 749px" data-mwl-img-id="7750" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2 &#8211;</strong> Alterações na distribuição de habitat das espécies antárticas em 2050 SSP5-8.5 e 2100 SSP5-8.5 em relação ao presente, e gradiente latitudinal de adequabilidade de habitat dos cenários presente versus futuro. No gráfico de tendências, a linha vertical cinzenta é o limite para a presença de espécies.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o estudo descobriu que os limites a norte da distribuição de lulas devem mover-se para sul ao longo do tempo, com uma redução dos pontos críticos de biodiversidade, o que pode alterar a estrutura do ecossistema pelágico. As alterações na distribuição das lulas podem ter efeitos em cascata por toda a cadeia alimentar do Oceano Austral, causando impacto nos predadores como aves marinhas, focas e cetáceos que dependem das lulas como principal fonte de alimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores observam incertezas relacionadas com a resolução dos dados ambientais, a falta de interações tróficas nos modelos e a amostragem limitada em áreas remotas. Sugerem que estudos futuros incorporem dados a uma escala mais fina (incluindo a profundidade como terceira dimensão) e informação biológica mais abrangente para melhor informar a conservação e o planeamento espacial marinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No geral, o artigo fornece projeções essenciais para compreender possíveis alterações na biodiversidade marinha devido às alterações climáticas e destaca a importância de considerar estas alterações nas estratégias de conservação para o Oceano Austral.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Guerreiro, M., Santos, C. P., Borges, F., Santos, C., Xavier, J. C., &amp; Rosa, R. (2025). Projecting future climate change impacts on the distribution of pelagic squid in the Southern Ocean. <em>Marine Ecology Progress Series</em>, <em>757</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Sara Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estrutura da cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul: a produção primária líquida como principal fator das alterações interanuais</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/04/29/estrutura-da-cadeia-alimentar-de-aguas-profundas-nas-ilhas-sandwich-do-sul-a-producao-primaria-liquida-como-principal-fator-das-alteracoes-interanuais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 18:41:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=7732</guid>

					<description><![CDATA[Este estudo investiga a cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul, no Oceano Austral, com foco na forma como a produção primária líquida impulsiona as mudanças interanuais no comprimento da cadeia alimentar e na estrutura geral do ecossistema. Os investigadores utilizaram análises de isótopos estáveis ​​​​(δ13C e δ15N) dos tecidos musculares de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Este estudo investiga a cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul, no Oceano Austral, com foco na forma como a produção primária líquida impulsiona as mudanças interanuais no comprimento da cadeia alimentar e na estrutura geral do ecossistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os investigadores utilizaram análises de isótopos estáveis ​​​​(<em>δ</em><sup>13</sup>C e <em>δ</em><sup>15</sup>N) dos tecidos musculares de várias espécies recolhidas durante as épocas de pesca em 2020, 2021 e 2022. Identificaram uma teia alimentar com cinco níveis tróficos principais, com o bacalhau-da-Patagónia (<em>Dissostichus eleginoides</em>) e da Antártida (<em>D. mawsoni</em>) como os principais predadores e notaram um potencial sexto nível ao incluir predadores como focas e baleias (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="827" height="546" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image.png" alt="" class="wp-image-7733" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image.png 827w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image-300x198.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image-768x507.png 768w" sizes="(max-width: 827px) 100vw, 827px" data-mwl-img-id="7733" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1 &#8211; Ilustração da cadeia alimentar das profundezas do Oceano Austral com foco no acoplamento bento-pelágico. TL indica o nível trófico aproximado para cada componente da cadeia alimentar.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O estudo descobriu que o comprimento da cadeia alimentar variou entre anos, com a cadeia mais longa registada em 2020 e um encurtamento de cerca de 0,30 níveis tróficos até 2022. Estas alterações estavam relacionadas com alterações nas assinaturas isotópicas das espécies em vários níveis tróficos, sugerindo que mesmo os organismos de nível trófico médio mostraram uma variabilidade significativa ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma descoberta importante é a forte relação linear positiva entre o comprimento da cadeia alimentar e a produção primária líquida. Os anos com maior produção primária líquida (e parâmetros relacionados, como a concentração de clorofila a) foram associados a cadeias alimentares mais longas. Isto suporta a hipótese da produtividade, que sugere que sistemas mais produtivos podem suportar uma cadeia mais longa de transferência de energia através de mais níveis tróficos. A investigação realça a importância das interações entre componentes pelágicos (águas abertas) e bentónicos/demersais (fundo marinho). Este acoplamento ocorre principalmente entre o terceiro e o quarto níveis tróficos, onde as espécies pelágicas móveis (como as lulas e os crustáceos) interagem com os peixes demersais. Este acoplamento é essencial para os fluxos de energia e nutrientes entre diferentes compartimentos do ecossistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores sugerem que, à medida que as alterações climáticas aumentam a produtividade no Oceano Austral, as cadeias alimentares podem tornar-se mais longas. Isto tem implicações importantes na eficiência da transferência de energia, na exposição a contaminantes (devido à biomagnificação) e nas alterações no ciclo dos nutrientes, afetando potencialmente a estrutura e função de todo o ecossistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No geral, o artigo demonstra que a estrutura da cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul é dinâmica e fortemente influenciada pelas variações na produção primária líquida. Estas descobertas fornecem informações cruciais sobre como as alterações na produtividade causadas pelo clima podem modificar as interações tróficas e o fluxo de energia num dos ecossistemas marinhos mais remotos do mundo.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Queirós, J. P., Hollyman, P. R., Bustamante, P., Vaz, D., Belchier, M., &amp; Xavier, J. C. (2025). Deep‐sea food‐web structure at South Sandwich Islands (Southern Ocean): net primary production as a main driver for interannual changes. <em>Ecography</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autora: Sara Santos</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Evidências de que os pinguins-rockhopper se alimentam de uma importante espécie comercial de lula</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/02/24/evidencias-de-que-os-pinguins-rockhopper-se-alimentam-de-uma-importante-especie-comercial-de-lula/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Feb 2025 19:49:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=7237</guid>

					<description><![CDATA[Os cefalópodes (lulas e polvos) desempenham um papel essencial nos ecossistemas do Oceano Antártico, atuando como elo entre os organismos de nível trófico baixo e os predadores de topo. No entanto, o seu papel ecológico no sector Pacífico deste oceano é ainda pouco conhecido, nomeadamente o seu habitat e posição trófica na cadeia alimentar marinha. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Os cefalópodes (lulas e polvos) desempenham um papel essencial nos ecossistemas do Oceano Antártico, atuando como elo entre os organismos de nível trófico baixo e os predadores de topo. No entanto, o seu papel ecológico no sector Pacífico deste oceano é ainda pouco conhecido, nomeadamente o seu habitat e posição trófica na cadeia alimentar marinha. Porquê? Porque os cefalópodes de maiores dimensões têm a capacidade de escapar às redes científicas, tornando difícil a captura de espécimes vivos para responder a estas questões. Então, como ultrapassar estes problemas? Para resolver esta questão, os investigadores utilizam bicos de cefalópodes recolhidos do conteúdo do estômago de predadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como é que o fizeram? Neste estudo, os cientistas recorreram aos pinguins-rockhopper (<em>Eudyptes chrysocome filholi</em>), da Ilha Campbell (uma ilha subantárctica da Nova Zelândia), como bioamostrador. Os investigadores recolheram bicos de cefalópodes da sua dieta durante duas épocas de reprodução (1986-87 e 2012-13) e efetuaram depois a análise de isótopos estáveis (SIA), formas de elementos químicos que não sofrem decaimento radioativo. Com o uso deste método, examinaram as assinaturas isotópicas de carbono (<em>δ</em>¹³C) e azoto (<em>δ</em>¹⁵N), que fornecem informações sobre o habitat e o nível trófico dos organismos. Os valores do <em>δ</em>¹³C ajudam a distinguir entre locais de procura de alimento costeiros e ao largo da costa, enquanto os valores do <em>δ</em>¹⁵N indicam a posição de um organismo na cadeia alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o que é que descobriram? Utilizando os bicos, os cientistas conseguiram identificar diferenças na biodiversidade de cefalópodes na dieta dos pinguins entre as duas épocas de reprodução. Em 1986-87, a dieta incluía sete espécies de cefalópodes, contrastando com a época de 2012-13, que incluía apenas três espécies: <em>Moroteuthopsis ingens, Nototodarus sloanii</em> e <em>Octopus campbelli.</em> Além disso, <em>M. ingens</em> e <em>O. campbelli</em> estiveram presentes em ambas as épocas, mas <em>N. sloanii</em> só foi encontrado na época 2012-13. E o que é que isto significa? Em primeiro lugar, a diversidade global parece ter diminuído, mas isto deve-se provavelmente a uma amostragem mais reduzida (Nº1986-87= 69 <em>vs</em> Nº 2012-13= 11). Em segundo lugar, a identificação de <em>N. sloanii</em> pode indicar uma expansão do habitat para sul, uma vez que esta espécie é mais comum nas águas mais quentes da Nova Zelândia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E a análise de isótopos estáveis? Esta análise revelou variações no habitat e nichos tróficos entre espécies. Especificamente, <em>M. ingens</em> não apresentou diferenças significativas nos valores de <em>δ</em>¹³C ou <em>δ</em>¹⁵N entre os anos (Figura 1), enquanto, para <em>O. campbelli</em> os valores de <em>δ</em>¹³C e <em>δ</em>¹⁵N foram significativamente mais baixos em 2012-13 em comparação com 1986-87 (Figura 2), sugerindo uma mudança no local de procura de alimento e possivelmente uma mudança para níveis tróficos mais baixos. <em>N. sloanii</em>, apresentou valores de <em>δ</em>¹³C de acordo com os valores de outros taxa de águas subantárticas e valores mais baixos de <em>δ</em>¹⁵N indicativos de procura de alimento em níveis tróficos mais baixos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="777" height="566" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194029.png" alt="" class="wp-image-7238" style="width:551px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194029.png 777w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194029-300x219.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194029-768x559.png 768w" sizes="(max-width: 777px) 100vw, 777px" data-mwl-img-id="7238" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1: </strong>Valores de isótopos estáveis (δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N) dos bicos inferiores de Moroteuthopsis ingens comparando as épocas de reprodução 1986-87 (n ind = 16, n cap = 10) e 2012-13 (n ind = 11, N cap = 10) (n indnúmero de indivíduos agregados em cápsulas; n cap número de cápsulas utilizadas). Os valores são a média ± DP.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O que é que isto significa? As diferenças nos valores dos isótopos estáveis entre as épocas de reprodução podem ser um sinal de alterações nas condições oceanográficas, como o aquecimento das águas, levando as espécies para novos habitats e alimentando-se de forma diferente. Além disso, a presença de <em>N. sloanii</em> nas dietas oferece informações sobre a sua alimentação e possíveis interações com as pescas da Nova Zelândia, o que pode afetar tanto as pescas como a conservação do pinguins-rockhopper.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="666" height="435" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194225.png" alt="" class="wp-image-7239" style="width:536px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194225.png 666w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194225-300x196.png 300w" sizes="(max-width: 666px) 100vw, 666px" data-mwl-img-id="7239" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2:</strong> Valores de isótopos estáveis (δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N) dos bicos inferiores de Octopus campbelli comparando as épocas de reprodução 1986-87 (n ind = 19, n cap = 10) e 2012-13 (n ind = 20, n cap = 10) (n ind número de indivíduos agregados em cápsulas, n cap número de cápsulas utilizadas). Os valores são a média ± DP</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">No geral, este estudo contribui significativamente para o conhecimento da ecologia dos cefalópodes no sector do Pacífico do Oceano Austral. Demonstra que diferentes espécies de cefalópodes apresentam preferências de habitat e níveis tróficos distintos. Os resultados reforçam a importância da monitorização contínua das populações de cefalópodes, particularmente face a mudanças ambientais que podem alterar a sua distribuição e disponibilidade para predadores como os pinguins-rockhopper.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Guímaro, H. R., Thompson, D. R., Morrison, K. W., Fragão, J., Matias, R. S., &amp; Xavier, J. C. (2025). Evidence of eastern rockhopper penguin feeding on a key commercial arrow squid species. <em>Polar Biology</em>, <em>48</em>(1), 1-7</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Lucas Bastos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A Teoria dos Bicos de Lulas: Desvendando o mistério da concentração de mercúrio no músculo de Morotheutopsis longimana</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/12/31/a-teoria-dos-bicos-de-lulas-desvendando-o-misterio-da-concentracao-de-mercurio-no-musculo-de-morotheutopsis-longimana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Dec 2024 14:28:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=7227</guid>

					<description><![CDATA[O mercúrio (Hg) é um metal tóxico, cujas concentrações têm aumentado no ambiente devido a atividades antropogénicas. Este metal bioacumula-se nos organismos ao longo da vida e biomagnifica-se pelas cadeias alimentares, alcançando concentrações altas em alguns predadores de topo. Para entender a ameaça do Hg para esses predadores, é fundamental monitorizar as concentrações de Hg [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O mercúrio (Hg) é um metal tóxico, cujas concentrações têm aumentado no ambiente devido a atividades antropogénicas. Este metal bioacumula-se nos organismos ao longo da vida e biomagnifica-se pelas cadeias alimentares, alcançando concentrações altas em alguns predadores de topo. Para entender a ameaça do Hg para esses predadores, é fundamental monitorizar as concentrações de Hg em organismos de níveis tróficos intermediários, uma vez que eles são fatores cruciais na transferência trófica do Hg. Mas como as vamos monitorizar o Hg no caso das lulas do Oceano Austral sendo elas difíceis de capturar? A resposta está nos seus bicos, que são estruturas de quitina resistentes à digestão, que se acumulam nos estômagos dos seus predadores, podendo ser recolhidos em regurgitações ou após a morte do animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dessas espécies de lulas, <em>Moroteuthopsis longimana</em>, habita nas águas profundas do Oceano Austral e pode atingir mais de 2 metros de comprimento total. Esta espécie bioacumula Hg ao longo da sua vida, e é uma importante presa para vários predadores de topo, como aves marinhas, mamíferos marinhos e peixes, pelo que entender seu papel na transferência de Hg na cadeia alimentar é crucial. No entanto, ainda há falta conhecimento sobre a relação entre as concentrações de Hg nos bicos de <em>M. longimana</em> e músculo (que é a parte principal consumida pelos predadores), que é o que este estudo pretende analisar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso, foram usadas 21 massas bucais de <em>M. longimana</em> recolhidas do estômago do bacalhau-da-Antártida (<em>Dissostichus mawsoni</em>). Para a determinação de Hg total, os bicos superior e inferior foram seccionados em asa (W) e extremidade superior do bico superior (H), e o restante do bico inferior (L) e superior (U) (Figura 1). Uma porção do músculo da massa bucal (M) foi também cortada para a determinação da concentração de Hg.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="562" height="273" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142319.png" alt="" class="wp-image-7229" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142319.png 562w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142319-300x146.png 300w" sizes="(max-width: 562px) 100vw, 562px" data-mwl-img-id="7229" /><figcaption class="wp-element-caption"> <strong>Figura 1 –</strong> Seções dos bicos de Moroteuthopsis longimana analisadas para concentrações de Hg e comprimento do rostro inferior (LRL). W: asa; H: extremidade superior do bico superior; L: bico inferior; U: bico superior.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostram que as concentrações de Hg no músculo são ~100 vezes mais elevadas do que nos bicos inteiros (U e L) e ~50 vezes mais elevadas que as secções W e H (Figura 2). Esta variabilidade entre tecidos nas concentrações de Hg confirma que a concentração de Hg no bico não reflete diretamente a concentração no músculo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="512" height="467" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142200.png" alt="" class="wp-image-7228" style="width:558px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142200.png 512w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142200-300x274.png 300w" sizes="(max-width: 512px) 100vw, 512px" data-mwl-img-id="7228" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2 &#8211; </strong>Concentrações de mercúrio total (Hg) nas secções do bico e músculo da massa bucal de <em>Moroteutopsis longimana</em>. As barras com letras diferentes são estatisticamente diferentes. Os valores são a média ± DP.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Contudo, foi encontrada uma relação positiva entre as concentrações de Hg na asa (W) e no músculo (M), traduzida pela seguinte equação:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Hg<sub>músculo</sub>&nbsp;=&nbsp;34.88 Hg<sub>asa&nbsp;</sub>+&nbsp;0.12</em></strong><em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta equação sugere que a concentração de Hg na asa pode ser utilizada como proxy da concentração de Hg no músculo de <em>M. longimana</em>. No entanto, só deve ser utilizada para indivíduos adultos, uma vez que este estudo apenas utilizou bicos adultos totalmente quitinizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos futuros podem agora utilizar esta equação para estimar a concentração de Hg no músculo de outras <em>M. longimana</em>, através da análise da concentração de Hg na asa do bico, fornecendo um meio de avaliar os níveis, transporte e destino do Hg no ecossistema do Oceano Austral.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Lopes-Santos S, Xavier JC, Seco J, Coelho JP, Hollyman PR, Pereira E, Phillips RA, Queirós JP (2025) Squid beaks as a proxy for mercury concentrations in muscle of the giant warty squid Moroteuthopsis longimana. Marine Environmental Research 204:106841.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autora:</strong> Sara Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mercúrio na cadeia alimentar: Impacto das Mudanças Climáticas?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/10/27/mercurio-na-cadeia-alimentar-impacto-das-mudancas-climaticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Oct 2024 12:16:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=7210</guid>

					<description><![CDATA[O artigo examina como as mudanças climáticas e o aquecimento das águas do Oceano Austral podem aumentar a disponibilidade do mercúrio (Hg) na cadeia alimentar marinha da Antártida, devido à libertação de Hg armazenado no gelo e ao aumento das taxas de metilação por microrganismos. O estudo focou-se na biomagnificação de Hg na cadeia alimentar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O artigo examina como as mudanças climáticas e o aquecimento das águas do Oceano Austral podem aumentar a disponibilidade do mercúrio (Hg) na cadeia alimentar marinha da Antártida, devido à libertação de Hg armazenado no gelo e ao aumento das taxas de metilação por microrganismos. O estudo focou-se na biomagnificação de Hg na cadeia alimentar da Península Antártica, uma das regiões que mais se aquece no mundo. Utilizando isótopos estáveis de carbono (δ13C) e nitrogénio (δ15N) para estimar habitats de alimentação e níveis tróficos, respetivamente, a concentração total de Hg (T-Hg) foi medida em várias espécies, desde o krill antártico <em>Euphausia superba</em> até predadores como pinguins, aves e mamíferos marinhos (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="838" height="582" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image.png" alt="" class="wp-image-7211" style="width:840px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image.png 838w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image-300x208.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image-768x533.png 768w" sizes="(max-width: 838px) 100vw, 838px" data-mwl-img-id="7211" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura  1: Representação esquemática de possíveis vias de biomagnificação do mercúrio ao longo da cadeia alimentar do Oceano Austral.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">As assinaturas de isótopos estáveis e as concentrações de Hg foram medidas em diferentes espécies, incluindo pinguins-de-barbicha, skuas, gaivotas, petréis-gigantes-do-sul e focas-elefantes-do-sul. Diferenças significativas nos valores de δ13C entre as espécies foram observadas, com grande sobreposição entre as aves marinhas e as focas. Diferenças nos valores de δ15N refletem variações na dieta e posição trófica. As concentrações mais baixas de Hg foram encontradas no krill (0,007 ± 0,008 μg∙g–1) e as mais altas no petrel-gigante-do-sul (12,090 ± 14,177 μg∙g–1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostraram uma relação positiva entre as concentrações de Hg e os níveis tróficos, com a biomagnificação do Hg a aumentar quase duas vezes em cada nível trófico. Este estudo sugere que as interações tróficas são as principais vias de biomagnificação do Hg nos ecossistemas do Oceano Austral. Destaca ainda que as concentrações de Hg podem aumentar em organismos marinhos devido ao aquecimento global, que aumenta a metilação de Hg e a sua disponibilidade em águas de baixa oxigenação. Predadores de longa vida e alto nível trófico, como algumas aves marinhas e focas, são especialmente vulneráveis aos efeitos do Hg.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo conclui que a biomagnificação de Hg nas cadeias alimentares da Península Antártica resulta em altas cargas de Hg nos predadores do topo. Com o aumento das temperaturas globais, espera-se que as concentrações de Hg aumentem, potencialmente causando efeitos negativos significativos nos organismos antárticos. O artigo alerta para a necessidade de mais estudos para compreender completamente como as diferenças taxonômicas, geográficas e ecológicas influenciam a dinâmica do Hg nos ecossistemas marinhos da Península Antártica.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referência: </strong>Matias, R. S., Guímaro, H. R., Bustamante, P., Seco, J., Chipev, N., Fragão, J., &#8230; &amp; Xavier, J. C. (2022). Mercury biomagnification in an Antarctic food web of the Antarctic Peninsula. <em>Environmental Pollution</em>, <em>304</em>, 119199.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DOI: </strong>10.1016/j.envpol.2022.119199</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autora:</strong> Laura Lopes</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
