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	<title>Cadeias tróficas &#8211; APECS Portugal</title>
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	<description>Um site para os jovens cientistas e dos jovens cientistas para o Mundo</description>
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	<title>Cadeias tróficas &#8211; APECS Portugal</title>
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	<item>
		<title>Concentrações de Mercúrio, Habitat e Posição Trófica da Antimora rostrata e Macrourus holotrachys da Geórgia do Sul (Oceano Antártico)</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/11/28/concentracoes-de-mercurio-habitat-e-posicao-trofica-da-antimora-rostrata-e-macrourus-holotrachys-da-georgia-do-sul-oceano-antartico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 10:46:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[O mercúrio (Hg) é considerado uma neurotoxina capaz de prejudicar gravemente a vida selvagem, incluindo os ecossistemas marinhos. Apresenta uma elevada capacidade de dispersão através de correntes atmosféricas e oceânicas, podendo atingir regiões remotas de todo o globo, como o Oceano Austral, onde se acumula nas cadeias alimentares marinhas. Apesar da sua relevância ecológica, pouco [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O mercúrio (Hg) é considerado uma neurotoxina capaz de prejudicar gravemente a vida selvagem, incluindo os ecossistemas marinhos. Apresenta uma elevada capacidade de dispersão através de correntes atmosféricas e oceânicas, podendo atingir regiões remotas de todo o globo, como o Oceano Austral, onde se acumula nas cadeias alimentares marinhas. Apesar da sua relevância ecológica, pouco se sabia sobre as concentrações de Hg em peixes de profundidade desta região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste estudo, os investigadores analisaram duas espécies de peixe de profundidade na Geórgia do Sul: a <em>Antimora rostrata</em> (Mora-Azul), de hábitos mais pelágicos, e <em>Macrourus holotrachys</em> (granadeiro), de hábitos demersais. Em 2020, foram recolhidos indivíduos e analisados quatro tecidos (músculo, cérebro, fígado e guelras), bem como isótopos estáveis, para determinar habitat e posição trófica, de cada uma das espécies em estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostraram que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O músculo foi o tecido com maiores concentrações de mercúrio em ambas as espécies (Fig. 1).</li>



<li>A <em>A. rostrata</em> apresentou concentrações consistentemente mais baixas que <em>M. holotrachys </em>(Fig. 1).</li>



<li>Somente para o <em>M. holotrachys</em> as concentrações de Hg aumentaram com o comprimento e peso dos indivíduos, sugerindo bioacumulação ao longo da vida.</li>



<li>As diferenças refletem-se também no habitat destas espécies, uma vez que a espécie demersal (<em>M. holotrachys</em>) está mais relacionada com as cadeias alimentares bentónicas, geralmente mais ricas em Hg (Fig. 2).</li>



<li>A <em>A. rostrata</em> apresenta um nível trófico mais baixa do que o <em>M. holotrachys</em> (Fig. 2).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Contrariamente do que se esperava, o cérebro mostrou concentrações elevadas de Hg, levantando questões sobre potenciais efeitos neurotóxicos nestes peixes e nos seus predadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes resultados revelam que estratégias alimentares e habitats diferentes moldam a acumulação de contaminantes em espécies de profundidade, com implicações para a saúde dos ecossistemas e dos predadores de topo que delas dependem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="796" height="378" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image.png" alt="" class="wp-image-7945" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image.png 796w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-300x142.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-768x365.png 768w" sizes="(max-width: 796px) 100vw, 796px" data-mwl-img-id="7945" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Concentrações de mercúrio (Média ± 1 DP, µg g⁻¹ peso seco) em diferentes tecidos (Músculo, Cérebro, Fígado e Guelras) da <em>Antimora rostrata</em> e <em>Macrourus holotrachys</em>. Letras minúsculas diferentes (para <em>Antimora rostrata</em>) e maiúsculas diferentes (para <em>Macrourus holotrachys</em>) acima das barras indicam diferenças significativas entre os tecidos de cada espécie (teste de Friedman com teste post hoc de Nemenyi, p &lt; 0.05). * entre as barras indica diferenças entre o mesmo tecido nas duas espécies (teste de Mann-Whitney, p &lt; 0.0001).</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="886" height="442" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png" alt="" class="wp-image-7946" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png 886w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1-300x150.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1-768x383.png 768w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" data-mwl-img-id="7946" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2:</strong> Valores de δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N no músculo da <em>Antimora rostrata</em> (n = 23) e do <em>Macrourus holotrachys</em> (n = 22) da Geórgia do Sul. Média ± desvio-padrão.</figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Vaz, D. B., Queirós, J. P., Xavier, J. C., Bustamante, P., Abreu, J., Pereira, E., Hollyman, P. R., Coelho, J. P. &amp; Seco, J. (2025). Mercury Concentrations, Habitat and Trophic Position of <em>Antimora Rostrata</em> and <em>Macrourus Holotrachys</em> from South Georgia (Southern Ocean). <em>Marine Pollution Bulletin</em>. DOI:10.2139/ssrn.5360416</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Diana</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Diminuição das concentrações de mercúrio nos bicos da lula gigante Moroteuthopsis longimana no mar da Escócia desde a década de 1970</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/09/23/diminuicao-das-concentracoes-de-mercurio-nos-bicos-da-lula-gigante-moroteuthopsis-longimana-no-mar-da-escocia-desde-a-decada-de-1970/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:48:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
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					<description><![CDATA[A lula gigante (Moroteuthopsis longimana), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A lula gigante (<em>Moroteuthopsis longimana</em>), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto para a vida selvagem como para a saúde humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como estas lulas são quase impossíveis de estudar vivas, os cientistas recorrem aos seus bicos, estruturas duras que resistem à digestão e se acumulam nos estômagos de predadores, para analisar as suas assinaturas químicas. Neste estudo, os investigadores analisaram bicos de lulas recolhidos desde a década de 1970 até à atualidade para medir as concentrações de mercúrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados foram notáveis: apesar dos níveis elevados de mercúrio nas duas primeiras décadas, as concentrações têm vindo a diminuir de forma constante nos últimos trinta anos. Esta tendência sugere que os esforços globais para reduzir as emissões de mercúrio, como a International Convention on the Prevention of Marine Pollution by Dumping of Wastes and Other Matter (1972)e as melhorias nas práticas industriais, estão a ter efeitos positivos mensuráveis, mesmo em ecossistemas remotos como o Oceano Austral (Figura 1)</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="604" height="370" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png" alt="" class="wp-image-7827" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png 604w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image-300x184.png 300w" sizes="(max-width: 604px) 100vw, 604px" data-mwl-img-id="7827" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Boxplot das concentrações de mercúrio (Hg) nos bicos inferiores da lula gigante M. longimana amostrada ao longo de 5 décadas.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Cefalópodes como <em>M. longimana</em> podem ser valiosos bioindicadores, uma vez que ocupam uma posição central nas redes trófias marinhas, ligando presas mais pequenas, como crustáceos e peixes, a grandes predadores, como focas e baleias. Além disso, o seu ciclo de vida curto e crescimento rápido fazem deles excelentes “registos vivos” das condições ambientais, oferecendo aos cientistas uma janela única sobre as tendências da poluição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao transformar os bicos de lulas em arquivos ambientais, os investigadores forneceram evidências de que a poluição pode diminuir quando há ação coletiva. Estes resultados trazem esperança, mas também servem como lembrete da necessidade de manter os compromissos globais de redução da poluição para salvaguardar os ecossistemas.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Sara Lopes-Santos, José C. Xavier, José Abreu, José Seco, João P. Coelho, Eduarda Pereira, Richard A. Phillips, José P. Queirós, Decreasing mercury concentrations in beaks of the giant warty squid <em>Moroteuthopsis longimana</em> in the Scotia Sea (Southern Ocean) since the 1970s, Marine Pollution Bulletin, Volume 221, 2025, 118578, ISSN 0025-326X</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Lucas</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estrutura da cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul: a produção primária líquida como principal fator das alterações interanuais</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/04/29/estrutura-da-cadeia-alimentar-de-aguas-profundas-nas-ilhas-sandwich-do-sul-a-producao-primaria-liquida-como-principal-fator-das-alteracoes-interanuais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 18:41:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
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					<description><![CDATA[Este estudo investiga a cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul, no Oceano Austral, com foco na forma como a produção primária líquida impulsiona as mudanças interanuais no comprimento da cadeia alimentar e na estrutura geral do ecossistema. Os investigadores utilizaram análises de isótopos estáveis ​​​​(δ13C e δ15N) dos tecidos musculares de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Este estudo investiga a cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul, no Oceano Austral, com foco na forma como a produção primária líquida impulsiona as mudanças interanuais no comprimento da cadeia alimentar e na estrutura geral do ecossistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os investigadores utilizaram análises de isótopos estáveis ​​​​(<em>δ</em><sup>13</sup>C e <em>δ</em><sup>15</sup>N) dos tecidos musculares de várias espécies recolhidas durante as épocas de pesca em 2020, 2021 e 2022. Identificaram uma teia alimentar com cinco níveis tróficos principais, com o bacalhau-da-Patagónia (<em>Dissostichus eleginoides</em>) e da Antártida (<em>D. mawsoni</em>) como os principais predadores e notaram um potencial sexto nível ao incluir predadores como focas e baleias (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="827" height="546" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image.png" alt="" class="wp-image-7733" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image.png 827w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image-300x198.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image-768x507.png 768w" sizes="(max-width: 827px) 100vw, 827px" data-mwl-img-id="7733" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1 &#8211; Ilustração da cadeia alimentar das profundezas do Oceano Austral com foco no acoplamento bento-pelágico. TL indica o nível trófico aproximado para cada componente da cadeia alimentar.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O estudo descobriu que o comprimento da cadeia alimentar variou entre anos, com a cadeia mais longa registada em 2020 e um encurtamento de cerca de 0,30 níveis tróficos até 2022. Estas alterações estavam relacionadas com alterações nas assinaturas isotópicas das espécies em vários níveis tróficos, sugerindo que mesmo os organismos de nível trófico médio mostraram uma variabilidade significativa ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma descoberta importante é a forte relação linear positiva entre o comprimento da cadeia alimentar e a produção primária líquida. Os anos com maior produção primária líquida (e parâmetros relacionados, como a concentração de clorofila a) foram associados a cadeias alimentares mais longas. Isto suporta a hipótese da produtividade, que sugere que sistemas mais produtivos podem suportar uma cadeia mais longa de transferência de energia através de mais níveis tróficos. A investigação realça a importância das interações entre componentes pelágicos (águas abertas) e bentónicos/demersais (fundo marinho). Este acoplamento ocorre principalmente entre o terceiro e o quarto níveis tróficos, onde as espécies pelágicas móveis (como as lulas e os crustáceos) interagem com os peixes demersais. Este acoplamento é essencial para os fluxos de energia e nutrientes entre diferentes compartimentos do ecossistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores sugerem que, à medida que as alterações climáticas aumentam a produtividade no Oceano Austral, as cadeias alimentares podem tornar-se mais longas. Isto tem implicações importantes na eficiência da transferência de energia, na exposição a contaminantes (devido à biomagnificação) e nas alterações no ciclo dos nutrientes, afetando potencialmente a estrutura e função de todo o ecossistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No geral, o artigo demonstra que a estrutura da cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul é dinâmica e fortemente influenciada pelas variações na produção primária líquida. Estas descobertas fornecem informações cruciais sobre como as alterações na produtividade causadas pelo clima podem modificar as interações tróficas e o fluxo de energia num dos ecossistemas marinhos mais remotos do mundo.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Queirós, J. P., Hollyman, P. R., Bustamante, P., Vaz, D., Belchier, M., &amp; Xavier, J. C. (2025). Deep‐sea food‐web structure at South Sandwich Islands (Southern Ocean): net primary production as a main driver for interannual changes. <em>Ecography</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autora: Sara Santos</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Evidências de que os pinguins-rockhopper se alimentam de uma importante espécie comercial de lula</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/02/24/evidencias-de-que-os-pinguins-rockhopper-se-alimentam-de-uma-importante-especie-comercial-de-lula/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Feb 2025 19:49:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
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					<description><![CDATA[Os cefalópodes (lulas e polvos) desempenham um papel essencial nos ecossistemas do Oceano Antártico, atuando como elo entre os organismos de nível trófico baixo e os predadores de topo. No entanto, o seu papel ecológico no sector Pacífico deste oceano é ainda pouco conhecido, nomeadamente o seu habitat e posição trófica na cadeia alimentar marinha. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Os cefalópodes (lulas e polvos) desempenham um papel essencial nos ecossistemas do Oceano Antártico, atuando como elo entre os organismos de nível trófico baixo e os predadores de topo. No entanto, o seu papel ecológico no sector Pacífico deste oceano é ainda pouco conhecido, nomeadamente o seu habitat e posição trófica na cadeia alimentar marinha. Porquê? Porque os cefalópodes de maiores dimensões têm a capacidade de escapar às redes científicas, tornando difícil a captura de espécimes vivos para responder a estas questões. Então, como ultrapassar estes problemas? Para resolver esta questão, os investigadores utilizam bicos de cefalópodes recolhidos do conteúdo do estômago de predadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como é que o fizeram? Neste estudo, os cientistas recorreram aos pinguins-rockhopper (<em>Eudyptes chrysocome filholi</em>), da Ilha Campbell (uma ilha subantárctica da Nova Zelândia), como bioamostrador. Os investigadores recolheram bicos de cefalópodes da sua dieta durante duas épocas de reprodução (1986-87 e 2012-13) e efetuaram depois a análise de isótopos estáveis (SIA), formas de elementos químicos que não sofrem decaimento radioativo. Com o uso deste método, examinaram as assinaturas isotópicas de carbono (<em>δ</em>¹³C) e azoto (<em>δ</em>¹⁵N), que fornecem informações sobre o habitat e o nível trófico dos organismos. Os valores do <em>δ</em>¹³C ajudam a distinguir entre locais de procura de alimento costeiros e ao largo da costa, enquanto os valores do <em>δ</em>¹⁵N indicam a posição de um organismo na cadeia alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o que é que descobriram? Utilizando os bicos, os cientistas conseguiram identificar diferenças na biodiversidade de cefalópodes na dieta dos pinguins entre as duas épocas de reprodução. Em 1986-87, a dieta incluía sete espécies de cefalópodes, contrastando com a época de 2012-13, que incluía apenas três espécies: <em>Moroteuthopsis ingens, Nototodarus sloanii</em> e <em>Octopus campbelli.</em> Além disso, <em>M. ingens</em> e <em>O. campbelli</em> estiveram presentes em ambas as épocas, mas <em>N. sloanii</em> só foi encontrado na época 2012-13. E o que é que isto significa? Em primeiro lugar, a diversidade global parece ter diminuído, mas isto deve-se provavelmente a uma amostragem mais reduzida (Nº1986-87= 69 <em>vs</em> Nº 2012-13= 11). Em segundo lugar, a identificação de <em>N. sloanii</em> pode indicar uma expansão do habitat para sul, uma vez que esta espécie é mais comum nas águas mais quentes da Nova Zelândia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E a análise de isótopos estáveis? Esta análise revelou variações no habitat e nichos tróficos entre espécies. Especificamente, <em>M. ingens</em> não apresentou diferenças significativas nos valores de <em>δ</em>¹³C ou <em>δ</em>¹⁵N entre os anos (Figura 1), enquanto, para <em>O. campbelli</em> os valores de <em>δ</em>¹³C e <em>δ</em>¹⁵N foram significativamente mais baixos em 2012-13 em comparação com 1986-87 (Figura 2), sugerindo uma mudança no local de procura de alimento e possivelmente uma mudança para níveis tróficos mais baixos. <em>N. sloanii</em>, apresentou valores de <em>δ</em>¹³C de acordo com os valores de outros taxa de águas subantárticas e valores mais baixos de <em>δ</em>¹⁵N indicativos de procura de alimento em níveis tróficos mais baixos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="777" height="566" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194029.png" alt="" class="wp-image-7238" style="width:551px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194029.png 777w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194029-300x219.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194029-768x559.png 768w" sizes="(max-width: 777px) 100vw, 777px" data-mwl-img-id="7238" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1: </strong>Valores de isótopos estáveis (δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N) dos bicos inferiores de Moroteuthopsis ingens comparando as épocas de reprodução 1986-87 (n ind = 16, n cap = 10) e 2012-13 (n ind = 11, N cap = 10) (n indnúmero de indivíduos agregados em cápsulas; n cap número de cápsulas utilizadas). Os valores são a média ± DP.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O que é que isto significa? As diferenças nos valores dos isótopos estáveis entre as épocas de reprodução podem ser um sinal de alterações nas condições oceanográficas, como o aquecimento das águas, levando as espécies para novos habitats e alimentando-se de forma diferente. Além disso, a presença de <em>N. sloanii</em> nas dietas oferece informações sobre a sua alimentação e possíveis interações com as pescas da Nova Zelândia, o que pode afetar tanto as pescas como a conservação do pinguins-rockhopper.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="666" height="435" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194225.png" alt="" class="wp-image-7239" style="width:536px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194225.png 666w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/02/Captura-de-ecra-2025-02-24-194225-300x196.png 300w" sizes="(max-width: 666px) 100vw, 666px" data-mwl-img-id="7239" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2:</strong> Valores de isótopos estáveis (δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N) dos bicos inferiores de Octopus campbelli comparando as épocas de reprodução 1986-87 (n ind = 19, n cap = 10) e 2012-13 (n ind = 20, n cap = 10) (n ind número de indivíduos agregados em cápsulas, n cap número de cápsulas utilizadas). Os valores são a média ± DP</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">No geral, este estudo contribui significativamente para o conhecimento da ecologia dos cefalópodes no sector do Pacífico do Oceano Austral. Demonstra que diferentes espécies de cefalópodes apresentam preferências de habitat e níveis tróficos distintos. Os resultados reforçam a importância da monitorização contínua das populações de cefalópodes, particularmente face a mudanças ambientais que podem alterar a sua distribuição e disponibilidade para predadores como os pinguins-rockhopper.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Guímaro, H. R., Thompson, D. R., Morrison, K. W., Fragão, J., Matias, R. S., &amp; Xavier, J. C. (2025). Evidence of eastern rockhopper penguin feeding on a key commercial arrow squid species. <em>Polar Biology</em>, <em>48</em>(1), 1-7</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Lucas Bastos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A Teoria dos Bicos de Lulas: Desvendando o mistério da concentração de mercúrio no músculo de Morotheutopsis longimana</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/12/31/a-teoria-dos-bicos-de-lulas-desvendando-o-misterio-da-concentracao-de-mercurio-no-musculo-de-morotheutopsis-longimana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Dec 2024 14:28:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[O mercúrio (Hg) é um metal tóxico, cujas concentrações têm aumentado no ambiente devido a atividades antropogénicas. Este metal bioacumula-se nos organismos ao longo da vida e biomagnifica-se pelas cadeias alimentares, alcançando concentrações altas em alguns predadores de topo. Para entender a ameaça do Hg para esses predadores, é fundamental monitorizar as concentrações de Hg [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O mercúrio (Hg) é um metal tóxico, cujas concentrações têm aumentado no ambiente devido a atividades antropogénicas. Este metal bioacumula-se nos organismos ao longo da vida e biomagnifica-se pelas cadeias alimentares, alcançando concentrações altas em alguns predadores de topo. Para entender a ameaça do Hg para esses predadores, é fundamental monitorizar as concentrações de Hg em organismos de níveis tróficos intermediários, uma vez que eles são fatores cruciais na transferência trófica do Hg. Mas como as vamos monitorizar o Hg no caso das lulas do Oceano Austral sendo elas difíceis de capturar? A resposta está nos seus bicos, que são estruturas de quitina resistentes à digestão, que se acumulam nos estômagos dos seus predadores, podendo ser recolhidos em regurgitações ou após a morte do animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dessas espécies de lulas, <em>Moroteuthopsis longimana</em>, habita nas águas profundas do Oceano Austral e pode atingir mais de 2 metros de comprimento total. Esta espécie bioacumula Hg ao longo da sua vida, e é uma importante presa para vários predadores de topo, como aves marinhas, mamíferos marinhos e peixes, pelo que entender seu papel na transferência de Hg na cadeia alimentar é crucial. No entanto, ainda há falta conhecimento sobre a relação entre as concentrações de Hg nos bicos de <em>M. longimana</em> e músculo (que é a parte principal consumida pelos predadores), que é o que este estudo pretende analisar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso, foram usadas 21 massas bucais de <em>M. longimana</em> recolhidas do estômago do bacalhau-da-Antártida (<em>Dissostichus mawsoni</em>). Para a determinação de Hg total, os bicos superior e inferior foram seccionados em asa (W) e extremidade superior do bico superior (H), e o restante do bico inferior (L) e superior (U) (Figura 1). Uma porção do músculo da massa bucal (M) foi também cortada para a determinação da concentração de Hg.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="562" height="273" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142319.png" alt="" class="wp-image-7229" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142319.png 562w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142319-300x146.png 300w" sizes="(max-width: 562px) 100vw, 562px" data-mwl-img-id="7229" /><figcaption class="wp-element-caption"> <strong>Figura 1 –</strong> Seções dos bicos de Moroteuthopsis longimana analisadas para concentrações de Hg e comprimento do rostro inferior (LRL). W: asa; H: extremidade superior do bico superior; L: bico inferior; U: bico superior.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostram que as concentrações de Hg no músculo são ~100 vezes mais elevadas do que nos bicos inteiros (U e L) e ~50 vezes mais elevadas que as secções W e H (Figura 2). Esta variabilidade entre tecidos nas concentrações de Hg confirma que a concentração de Hg no bico não reflete diretamente a concentração no músculo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="512" height="467" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142200.png" alt="" class="wp-image-7228" style="width:558px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142200.png 512w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142200-300x274.png 300w" sizes="(max-width: 512px) 100vw, 512px" data-mwl-img-id="7228" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2 &#8211; </strong>Concentrações de mercúrio total (Hg) nas secções do bico e músculo da massa bucal de <em>Moroteutopsis longimana</em>. As barras com letras diferentes são estatisticamente diferentes. Os valores são a média ± DP.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Contudo, foi encontrada uma relação positiva entre as concentrações de Hg na asa (W) e no músculo (M), traduzida pela seguinte equação:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Hg<sub>músculo</sub>&nbsp;=&nbsp;34.88 Hg<sub>asa&nbsp;</sub>+&nbsp;0.12</em></strong><em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta equação sugere que a concentração de Hg na asa pode ser utilizada como proxy da concentração de Hg no músculo de <em>M. longimana</em>. No entanto, só deve ser utilizada para indivíduos adultos, uma vez que este estudo apenas utilizou bicos adultos totalmente quitinizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos futuros podem agora utilizar esta equação para estimar a concentração de Hg no músculo de outras <em>M. longimana</em>, através da análise da concentração de Hg na asa do bico, fornecendo um meio de avaliar os níveis, transporte e destino do Hg no ecossistema do Oceano Austral.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Lopes-Santos S, Xavier JC, Seco J, Coelho JP, Hollyman PR, Pereira E, Phillips RA, Queirós JP (2025) Squid beaks as a proxy for mercury concentrations in muscle of the giant warty squid Moroteuthopsis longimana. Marine Environmental Research 204:106841.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autora:</strong> Sara Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mercúrio na cadeia alimentar: Impacto das Mudanças Climáticas?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/10/27/mercurio-na-cadeia-alimentar-impacto-das-mudancas-climaticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Oct 2024 12:16:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[O artigo examina como as mudanças climáticas e o aquecimento das águas do Oceano Austral podem aumentar a disponibilidade do mercúrio (Hg) na cadeia alimentar marinha da Antártida, devido à libertação de Hg armazenado no gelo e ao aumento das taxas de metilação por microrganismos. O estudo focou-se na biomagnificação de Hg na cadeia alimentar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O artigo examina como as mudanças climáticas e o aquecimento das águas do Oceano Austral podem aumentar a disponibilidade do mercúrio (Hg) na cadeia alimentar marinha da Antártida, devido à libertação de Hg armazenado no gelo e ao aumento das taxas de metilação por microrganismos. O estudo focou-se na biomagnificação de Hg na cadeia alimentar da Península Antártica, uma das regiões que mais se aquece no mundo. Utilizando isótopos estáveis de carbono (δ13C) e nitrogénio (δ15N) para estimar habitats de alimentação e níveis tróficos, respetivamente, a concentração total de Hg (T-Hg) foi medida em várias espécies, desde o krill antártico <em>Euphausia superba</em> até predadores como pinguins, aves e mamíferos marinhos (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="838" height="582" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image.png" alt="" class="wp-image-7211" style="width:840px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image.png 838w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image-300x208.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image-768x533.png 768w" sizes="(max-width: 838px) 100vw, 838px" data-mwl-img-id="7211" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura  1: Representação esquemática de possíveis vias de biomagnificação do mercúrio ao longo da cadeia alimentar do Oceano Austral.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">As assinaturas de isótopos estáveis e as concentrações de Hg foram medidas em diferentes espécies, incluindo pinguins-de-barbicha, skuas, gaivotas, petréis-gigantes-do-sul e focas-elefantes-do-sul. Diferenças significativas nos valores de δ13C entre as espécies foram observadas, com grande sobreposição entre as aves marinhas e as focas. Diferenças nos valores de δ15N refletem variações na dieta e posição trófica. As concentrações mais baixas de Hg foram encontradas no krill (0,007 ± 0,008 μg∙g–1) e as mais altas no petrel-gigante-do-sul (12,090 ± 14,177 μg∙g–1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostraram uma relação positiva entre as concentrações de Hg e os níveis tróficos, com a biomagnificação do Hg a aumentar quase duas vezes em cada nível trófico. Este estudo sugere que as interações tróficas são as principais vias de biomagnificação do Hg nos ecossistemas do Oceano Austral. Destaca ainda que as concentrações de Hg podem aumentar em organismos marinhos devido ao aquecimento global, que aumenta a metilação de Hg e a sua disponibilidade em águas de baixa oxigenação. Predadores de longa vida e alto nível trófico, como algumas aves marinhas e focas, são especialmente vulneráveis aos efeitos do Hg.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo conclui que a biomagnificação de Hg nas cadeias alimentares da Península Antártica resulta em altas cargas de Hg nos predadores do topo. Com o aumento das temperaturas globais, espera-se que as concentrações de Hg aumentem, potencialmente causando efeitos negativos significativos nos organismos antárticos. O artigo alerta para a necessidade de mais estudos para compreender completamente como as diferenças taxonômicas, geográficas e ecológicas influenciam a dinâmica do Hg nos ecossistemas marinhos da Península Antártica.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referência: </strong>Matias, R. S., Guímaro, H. R., Bustamante, P., Seco, J., Chipev, N., Fragão, J., &#8230; &amp; Xavier, J. C. (2022). Mercury biomagnification in an Antarctic food web of the Antarctic Peninsula. <em>Environmental Pollution</em>, <em>304</em>, 119199.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DOI: </strong>10.1016/j.envpol.2022.119199</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autora:</strong> Laura Lopes</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O potencial dos bicos como ferramenta valiosa para a estimativa da idade e estudos de crescimento em lulas do Oceano Austral</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/03/17/o-potencial-dos-bicos-como-ferramenta-valiosa-para-a-estimativa-da-idade-e-estudos-de-crescimento-em-lulas-do-oceano-austral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Mar 2024 19:48:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
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					<description><![CDATA[As espécies de lulas do Oceano Austral desempenham um papel crucial no ecossistema, atuando como ligação entre os níveis tróficos inferiores e os predadores de topo. Apesar da sua importância, os estudos sobre a abundância, idade e crescimento das lulas do Oceano Austral são limitados. Os métodos tradicionais de estudo da idade e do crescimento [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As espécies de lulas do Oceano Austral desempenham um papel crucial no ecossistema, atuando como ligação entre os níveis tróficos inferiores e os predadores de topo. Apesar da sua importância, os estudos sobre a abundância, idade e crescimento das lulas do Oceano Austral são limitados. Os métodos tradicionais de estudo da idade e do crescimento dos cefalópodes requerem a captura de indivíduos vivos, o que é um desafio para as lulas oceânicas de grande mobilidade. No entanto, os bicos dos cefalópodes, que crescem ao longo da vida de um indivíduo, podem ser facilmente recolhidos dos estômagos dos predadores e utilizados para estudar a idade e os padrões de crescimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores centram-se na lula <em>Moroteuthopsis longimana</em>, que é uma das principais presas dos predadores do Oceano Austral e que já foi objeto de estudos sobre a sua idade e crescimento utilizando diferentes técnicas. O estudo tem como objetivo avaliar a viabilidade da utilização de bicos recolhidos dos estômagos de predadores, como o bacalhau da Antártida (<em>Dissostichus mawsoni</em>), para determinar a idade e o crescimento de <em>M. longimana</em> e estimar os padrões de idade e crescimento desta espécie em diferentes áreas do Oceano Austral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo concluiu que os bicos recolhidos dos estômagos dos predadores podem ser utilizados para estudar a idade das lulas do Oceano Austral, especificamente da espécie <em>M. longimana</em>. A secção sagital do rostro (RSS) do bico inferior foi considerada a secção mais fiável para a estimativa da idade (Fig.1), uma vez que apresentava micro-incrementos legíveis que podiam ser contados, enquanto os bicos superiores apresentaram incrementos altamente compactados, sendo muitos deles indistinguíveis. Também se estimou que <em>M. longimana</em> pode viver até 820 dias e pode eclodir ao longo de todo o ano, tendo mostrado uma taxa de crescimento consistente desde a eclosão até à morte, com pelo menos um período de crescimento mais rápido. Um novo padrão de ciclos regulares, composto por 7-10 incrementos mais claros seguidos de um mais escuro, foi encontrado na região médio-anterior do RSS (Fig.2b). Foram observadas diferenças na taxa de crescimento e no tamanho atingido na mesma idade entre indivíduos dos sectores Pacífico e Atlântico do Oceano Austral, sugerindo a influência de diferentes condições ambientais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="255" height="241" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/03/Picture2.png" alt="" class="wp-image-6949" style="width:303px;height:auto" data-mwl-img-id="6949"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Fig. 1:</strong> Bicos de <em>Moroteuthopsis longimana</em> e seções analisadas. As linhas tracejadas representam o formato esperado dos incrementos nas zonas de leitura da superfície da parede lateral (LWS) e na seção sagital do rostro (RSS).</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="382" height="226" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/03/Picture3.png" alt="" class="wp-image-6950" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/03/Picture3.png 382w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/03/Picture3-300x177.png 300w" sizes="(max-width: 382px) 100vw, 382px" data-mwl-img-id="6950" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Fig. 2:</strong> Crescimento de incrementos nos bicos de <em>Moroteuthopsis longimana</em>. (a) imagem da composição dos incrementos na seção sagital do rostro (RSS) dos bicos inferiores; (b) bicos inferiores RSS com ciclos de 7-10 incrementos claros seguidos por um incremento escuro; (c) parede lateral mostrando uma zona com incrementos regulares; (d) parede lateral com apenas um incremento.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Portanto, os bicos recolhidos  dos estômagos dos predadores podem ser usados para estudar a idade e o crescimento das lulas do Oceano Austral, especificamente de <em>Moroteuthopsis longimana</em>. No entanto,  os autores destacaram a necessidade de  investigação futura  de forma a validar a periodicidade da formação de incrementos em lulas de águas frias e profundas, considerando o impacto das condições ambientais no crescimento de <em>M. longimana</em>.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Referência: Queirós, J. P., Bartolomé, A., Piatkowski, U., Xavier, J. C., &amp; Perales-Raya, C. (2022). Age and growth estimation of Southern Ocean squid Moroteuthopsis longimana: can we use beaks collected from predators’ stomachs? Marine Biology, 170(1).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://doi.org/10.1007/s00227-022-04156-2">https://doi.org/10.1007/s00227-022-04156-2</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Autor: Diogo Francisco</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bacalhau da Antártida: Um bioindicador?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/01/31/bacalhau-da-antartida-um-bioindicador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jan 2024 17:36:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
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					<description><![CDATA[Elementos vestigiais e elementos raros terrestres, compostos presentes no ambiente marinho, são predominantemente transferidos através da dieta dos organismos. Dada a importância do alimento proveniente do mar como fonte de nutrientes essenciais para os humanos e os diversos riscos para a saúde associados a desequilíbrios destes elementos, torna-se crucial medir as suas concentrações nos organismos. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Elementos vestigiais e elementos raros terrestres, compostos presentes no ambiente marinho, são predominantemente transferidos através da dieta dos organismos. Dada a importância do alimento proveniente do mar como fonte de nutrientes essenciais para os humanos e os diversos riscos para a saúde associados a desequilíbrios destes elementos, torna-se crucial medir as suas concentrações nos organismos.</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">O bacalhau da Antártida (<em>Dissostichus mawsoni</em>), um predador de topo de vida longa do Oceano Antártico, é pescado anualmente na região. Devido às suas características biológicas e ecológicas, <em>D. mawsoni </em>está suscetível a acumular altas concentrações de elementos vestigiais, tornando-se num potencial bioindicador para as concentrações tanto de elementos vestigiais como de elementos raros no ecossistema de águas profundas do Oceano Antártico.</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Considerando o interesse comercial da espécie, os autores deste estudo abordaram de que forma é que o bacalhau da Antártida pode ser uma boa fonte de nutrientes para os consumidores, explorando também se os diferentes elementos vestigiais podem ser utilizados para determinar a origem da espécie. Para isso, foi determinada pela primeira vez a concentração de 27 elementos vestigiais e raros terrestres em amostras do músculo da espécie <em>D.</em> <em>mawsoni</em>, capturadas em três áreas dos mares de Amundsen e Dumont D’Urville na Antártida (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="300" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/01/Picture2.png" alt="" class="wp-image-6792" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/01/Picture2.png 567w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/01/Picture2-300x159.png 300w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" data-mwl-img-id="6792" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Resumo gráfico que ilustra as metodologias do estudo para a avaliação de elementos vestigiais e raros no bacalhau&nbsp; da Antártida (<em>Dissostichus mawsoni)</em>.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Como esperado, o estudo revelou que os elementos essenciais fundamentais, especialmente o potássio (K), exibiram as concentrações mais elevadas, enquanto que os elementos raros registraram os níveis mais baixos no músculo. Do mesmo modo, foram observadas diferenças entre as áreas de estudo, indicando que a concentração destes elementos nesta espécie varia geograficamente e em zonas de pesca adjacentes, com níveis mais altos identificados em indivíduos presentes na plataforma do Mar de Amundsen. Os autores sugerem que as disparidades possam estar relacionadas com variações na dieta da espécie, diferenças na composição da água do Oceano Antártico e tendências contrastantes nas alterações ambientais, que influenciam a incorporação de alguns elementos no ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, ao serem utilizados os comprimentos dos otólitos<strong> [1]</strong> como uma medida para o tamanho do peixe e os valores de δ15N <strong>[2]</strong> como um indicador da posição trófica no estudo, não foram encontradas evidências de bioacumulação destes elementos no músculo de <em>D. mawsoni</em>. Pelo contrário, as concentrações tendem a diminuir com o tamanho do peixe, sugerindo possíveis influências de um efeito de diluição ao longo do tempo, variações no metabolismo e conteúdo lipídico entre peixes mais jovens e adultos, ou fatores relacionados com o habitat. Para além disso, a ausência de correlações significativas com os valores de δ15N indica a inexistência de potencial de biomagnificação<strong> [3]</strong> nestas cadeias alimentares.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação posterior da potencial função de desintoxicação do selénio (Se) para o mercúrio (Hg) na espécie <em>D. mawsoni</em> foi significativa, especificamente quando as concentrações de mercúrio atingem níveis que podem ser prejudiciais para o organismo. Isto indica que o selénio pode desempenhar um papel crucial na proteção da Marlonga da Antártida contra os efeitos adversos de níveis elevados de mercúrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, de acordo com estes resultados, <em>D. mawsoni</em> destaca-se não apenas como bioindicador para as concentrações dos diferentes elementos vestigiais e raros terrestres no Oceano Antártico, revelando-se também como uma boa fonte de elementos essenciais fundamentais para os humanos, com concentrações superiores a algumas outras espécies de peixes marinhos de todo o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Definições:</p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Otólitos: Estruturas rígidas de carbonato de cálcio localizadas diretamente atrás do cérebro de peixes ósseos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] δ15N: Isótopo estável de nitrogénio que permite estimar a posição trófica dos consumidores na cadeia alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Biomagnificação: Aumento da concentração de uma substância nos tecidos de um organismo em níveis mais elevados da cadeia alimentar.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Referência: Queirós, J. P., Machado, J. F., Pereira, E., Bustamante, P., Carvalho, L., Soares, E., Stevens, D. W., &amp; Xavier, J. C. (2023). Antarctic toothfish Dissostichus mawsoni as a bioindicator of trace and rare earth elements in the Southern Ocean. <em>Chemosphere</em>, <em>321</em>, 138134. <a href="https://doi.org/10.1016/j.chemosphere.2023.138134">https://doi.org/10.1016/j.chemosphere.2023.138134</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Autora: Maria Soares</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pinguim-de-adélia como bioindicador de concentrações de mercúrio</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2023/12/15/pinguim-de-adelia-como-bioindicador-de-concentracoes-de-mercurio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2023 00:00:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[Desde a revolução industrial, as concentrações de mercúrio (Hg) no ambiente têm vindo a aumentar devido a atividades antropogénicas. Este metal possui um efeito tóxico nos animais e humanos, pelo que em 2013 foi adotada por mais de 140 países a Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, de forma a proteger a saúde humana e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Desde a revolução industrial, as concentrações de mercúrio (Hg) no ambiente têm vindo a aumentar devido a atividades antropogénicas. Este metal possui um efeito tóxico nos animais e humanos, pelo que em 2013 foi adotada por mais de 140 países a Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, de forma a proteger a saúde humana e o ambiente. O Hg dispersa por todo o mundo através de correntes atmosféricas, depositando-se até nos locais mais remotos, como por exemplo, nas regiões polares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As aves marinhas como predadores de topo refletem a contaminação de Hg que está presente na sua cadeia trófica, através de processos de biomagnificação, sendo que a principal forma de excreção de Hg nestes animais é através da troca de penas. Dentro das aves marinhas existe uma espécie que possui um conjunto de características ideais para servir de bioindicador para as concentrações de Hg nas cadeias alimentares da Antártida: o pinguim-de-adélia (<em>Pygoscelis adeliae</em>) (Figura 1). Esta espécie tem uma distribuição circumpolar e é a espécie de pinguim mais comum e abundante do continente Antártico.<strong></strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-6777" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-1024x683.jpg 1024w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-300x200.jpg 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-768x512.jpg 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-391x260.jpg 391w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia.jpg 1072w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" data-mwl-img-id="6777" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1 &#8211; Pinguim-de-adélia (Pixabay).</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma a ser feita uma avaliação circumpolar das concentrações de Hg, foram recolhidas amostras de penas de 538 indivíduos (490 adultos em idade reprodutiva e 48 crias antes da saída do ninho) entre os anos de 2005 e 2021 em 24 colónias ao redor do continente. Para cada amostra foi medida a concentração de Hg total (T-Hg). Através das penas, também foram determinados os valores dos isótopos δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N, usados como proxies para o habitat e posição trófica dos pinguins, respetivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao nível circumpolar, a contaminação por Hg revelou-se relativamente homogénea entre as diferentes regiões avaliadas. No entanto, foi observado um ‘’hotspot’’ (local de grande concentração) de Hg no mar de Ross (Figura 2), associado a uma posição trófica mais alta dos pinguins-de-adélia, provavelmente devido a uma maior proporção de peixe nas suas dietas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="610" height="553" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Variacao-espacial-nas-concentracoes-de-Hg-nas-penas-de-pinguins-de-adelia.png" alt="" class="wp-image-6778" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Variacao-espacial-nas-concentracoes-de-Hg-nas-penas-de-pinguins-de-adelia.png 610w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Variacao-espacial-nas-concentracoes-de-Hg-nas-penas-de-pinguins-de-adelia-300x272.png 300w" sizes="(max-width: 610px) 100vw, 610px" data-mwl-img-id="6778" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 2 &#8211; Variação espacial nas concentrações de Hg nas penas de pinguins-de-adélia (a) adultos e (b) crias em 24 colónias antárticas. O gradiente de cor representa concentrações crescentes de Hg. O tamanho das amostras (n) é indicado pelo tamanho dos círculos e triângulos. A posição média da Frente Polar (linha preta tracejada) reflete o limite norte da distribuição do pinguim-de-adélia.</figcaption></figure>
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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">É fundamental continuar a monitorizar as concentrações de Hg, de forma a avaliar a eficácia da Convenção de Minamata sobre o Mercúrio. Avaliações em larga escala são extremamente importantes para monitorizar o estado de contaminação das cadeias alimentares da Antártida ao longo do tempo e também para avaliar as tendências globais, tendo em consideração o contexto das alterações climáticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Autora: Sara Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referência: Cusset, F., Bustamante, P., Carravieri, A.&nbsp;<em>et al.</em>&nbsp;Circumpolar assessment of mercury contamination: the Adélie penguin as a bioindicator of Antarctic marine ecosystems.&nbsp;<em>Ecotoxicology</em>&nbsp;<strong>32</strong>, 1024–1049 (2023). https://doi.org/10.1007/s10646-023-02709-9</p>



<p class="wp-block-paragraph">DOI: <a href="https://doi.org/10.1007/s10646-023-02709-9">https://doi.org/10.1007/s10646-023-02709-9</a></p>
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		<title>Segurança alimentar dos povos indígenas do Ártico  </title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2023/11/15/seguranca-alimentar-dos-povos-indigenas-do-artico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Nov 2023 23:48:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apecsportugal.pt/?p=6749</guid>

					<description><![CDATA[O relatório do Conselho do Ártico (Proteção do Meio Marinho do Ártico, PAME) explica de que forma as populações indígenas estão a ser afetadas pelas alterações climáticas. O rápido aumento da temperatura que ocorre na região (4 vezes mais rápido do que no resto do mundo), tem consequências negativas no estilo de vida (por exemplo, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O relatório do Conselho do Ártico (Proteção do Meio Marinho do Ártico, PAME) explica de que forma as populações indígenas estão a ser afetadas pelas alterações climáticas. O rápido aumento da temperatura que ocorre na região (4 vezes mais rápido do que no resto do mundo), tem consequências negativas no estilo de vida (por exemplo, caça e pesca), saúde e segurança alimentar dos povos indígenas daquela região, com redução no acesso a determinadas espécies que são parte integrante da sua dieta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A redução do gelo em determinadas regiões não apenas gera instabilidade, colocando em risco a vida daqueles que procuram alimento, mas também desencadeia alterações nos ecossistemas. Outro fator crítico na perda dos ecossistemas está relacionado com a acidificação do oceano Ártico (Fig.1). Esse fenómeno ocorre devido &nbsp;ao influxo das águas dos rios em processo de derretimento, provocando o deslocamento de algumas espécies de peixes. Importante ressaltar que, em contrapartida, outras espécies podem beneficiar-se com a acidificação. Entender as consequências destas alterações abrange questões culturais, de identidade e comunidade, incluindo a partilha de um conhecimento tradicional e ancestral que se está a perder.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="268" height="188" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/11/Degelo-do-Oceano-Artico.png" alt="" class="wp-image-6750" data-mwl-img-id="6750"/><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1: Degelo do Oceano Ártico</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Ao aprofundarmos o estudo, verifica-se que a saúde destas populações e comunidades está em risco, seja por questões nutricionais devido à perda de acesso a determinados alimentos, seja no aspeto mental. No entanto, é necessário realçar que a outra face das alterações climáticas verificada naquela região permite um aumento na extração de recursos, no turismo e no desenvolvimento económico. Verificando-se assim, que tudo está interligado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores do relatório apresentam sete estudos de caso para dar a conhecer a situação em diferentes áreas da região do Ártico e em diferentes comunidades que têm encontrado formas de se adaptar com resiliência às novas circunstâncias (Fig.2). Esta nova realidade já não se restringe ao Ártico ou às populações indígenas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="311" height="162" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/11/Indigena-do-Artico-em-cima-do-gelo.png" alt="" class="wp-image-6751" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/11/Indigena-do-Artico-em-cima-do-gelo.png 311w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/11/Indigena-do-Artico-em-cima-do-gelo-300x156.png 300w" sizes="(max-width: 311px) 100vw, 311px" data-mwl-img-id="6751" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 2: Indígena do Ártico em cima do gelo</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Autora: Céline Rodrigues</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referência: Arctic Council, Protection of the Arctic Marine Environment (PAME). (2021). Indigenous Food Security in the Arctic, Implications of a Changing Ocean. Information Brief.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://pame.is/doclink/mpa-information-brief-indigenous-food-security-in-the-arctic/eyJ0eXAiOiJKV1QiLCJhbGciOiJIUzI1NiJ9.eyJzdWIiOiJtcGEtaW5mb3JtYXRpb24tYnJpZWYtaW5kaWdlbm91cy1mb29kLXNlY3VyaXR5LWluLXRoZS1hcmN0aWMiLCJpYXQiOjE2MjE0OTg0MTEsImV4cCI6MTYyMTU4NDgxMX0.OiJzl0OyRDTdvq1faMQhUvEgmSxn2wEeQuL0RLVupA8">https://pame.is/doclink/mpa-information-brief-indigenous-food-security-in-the-arctic/eyJ0eXAiOiJKV1QiLCJhbGciOiJIUzI1NiJ9.eyJzdWIiOiJtcGEtaW5mb3JtYXRpb24tYnJpZWYtaW5kaWdlbm91cy1mb29kLXNlY3VyaXR5LWluLXRoZS1hcmN0aWMiLCJpYXQiOjE2MjE0OTg0MTEsImV4cCI6MTYyMTU4NDgxMX0.OiJzl0OyRDTdvq1faMQhUvEgmSxn2wEeQuL0RLVupA8</a></p>
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