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	<title>Contaminantes ambientais &#8211; APECS Portugal</title>
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	<title>Contaminantes ambientais &#8211; APECS Portugal</title>
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	<item>
		<title>Elementos-traço nos solos das áreas livres de gelo da Antártida: Perspetivas sobre os valores geoquímicos naturais, o impacto antropogénico e a possível remobilização associada ao degelo do permafrost</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2026/02/27/elementos-traco-nos-solos-das-areas-livres-de-gelo-da-antartida-perspetivas-sobre-os-valores-geoquimicos-naturais-o-impacto-antropogenico-e-a-possivel-remobilizacao-associada-ao-degelo-do-permafrost/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 14:03:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[As áreas livres de gelo da Antártida representam menos de 0,5% da superfície do continente, mas concentram praticamente toda a biodiversidade terrestre e a maioria das infraestruturas humanas, como estações científicas e antigas áreas de atividade antrópica. Estas regiões são, simultaneamente, ecologicamente sensíveis e particularmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas. Neste estudo, os investigadores [&#8230;]]]></description>
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<p>As áreas livres de gelo da Antártida representam menos de 0,5% da superfície do continente, mas concentram praticamente toda a biodiversidade terrestre e a maioria das infraestruturas humanas, como estações científicas e antigas áreas de atividade antrópica. Estas regiões são, simultaneamente, ecologicamente sensíveis e particularmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.</p>



<p>Neste estudo, os investigadores realizaram uma revisão abrangente dos elementos-traço nos solos das áreas livres de gelo da Antártida, analisando concentrações em zonas pristinas e em áreas com influência humana, com especial atenção ao impacto do degelo do permafrost na sua mobilização. A Antártida foi organizada em seis regiões com características climáticas e ambientais semelhantes, permitindo comparar resultados, distinguir origens naturais e antropogénicas dos contaminantes e identificar áreas vulneráveis que necessitam de monitorização futura.</p>



<p>Os resultados mostraram que a camada ativa do permafrost controla a acumulação e mobilidade de elementos-traço nos solos antárticos e que o degelo do permafrost, associado às alterações climáticas, pode remobilizar contaminantes previamente retidos, aumentando a sua disponibilidade ambiental.</p>



<p>Os resultados revelaram ainda que as concentrações de elementos como Hg, Pb, Cd, Cu, Cr e Ni resultam tanto de fontes naturais como de fontes antropogénicas.<br>Nas Ilhas Shetland do Sul, sobretudo na King George Island, registam-se valores mais elevados perto de estações científicas, resíduos, derrames de combustível e outras infraestruturas humanas, já por exemplo, em Deception Island, a atividade vulcânica origina concentrações naturalmente elevadas de Hg e As, podendo o permafrost funcionar como reservatório temporário destes elementos (Fig.1). Os investigadores reportam também que a retração glaciar, o aumento da espessura da camada ativa e a degradação do permafrost estão a alterar a dinâmica hidrológica e o transporte de contaminantes.</p>



<p>A combinação entre pressão humana e as alterações climáticas representam um risco crescente para os ecossistemas terrestres e costeiros, exigindo monitorização contínua.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="738" height="591" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/02/image.png" alt="" class="wp-image-8114" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/02/image.png 738w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/02/image-300x240.png 300w" sizes="(max-width: 738px) 100vw, 738px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Figura 1:</strong> Locais nas Ilhas Shetland do Sul com valores reportados de concentrações de elementos-traço. Os pontos vermelhos representam áreas onde as concentrações de elementos-traço são influenciadas por impacto antropogénico, enquanto os pontos verdes refletem concentrações naturais.</em></figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Fonte: Zilhão, H., Cesário, R., Vieira, G. &amp; Canário, J. (2025). Trace elements in soils of the Antarctic ice-free areas: Insights on natural geochemical values, anthropogenic impact and possible remobilisation upon permafrost thaw. <em>Earth-Science Reviews</em>, 268.</p>



<p>Autor: Diana Vaz</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Concentrações de Mercúrio, Habitat e Posição Trófica da Antimora rostrata e Macrourus holotrachys da Geórgia do Sul (Oceano Antártico)</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/11/28/concentracoes-de-mercurio-habitat-e-posicao-trofica-da-antimora-rostrata-e-macrourus-holotrachys-da-georgia-do-sul-oceano-antartico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 10:46:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[O mercúrio (Hg) é considerado uma neurotoxina capaz de prejudicar gravemente a vida selvagem, incluindo os ecossistemas marinhos. Apresenta uma elevada capacidade de dispersão através de correntes atmosféricas e oceânicas, podendo atingir regiões remotas de todo o globo, como o Oceano Austral, onde se acumula nas cadeias alimentares marinhas. Apesar da sua relevância ecológica, pouco [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O mercúrio (Hg) é considerado uma neurotoxina capaz de prejudicar gravemente a vida selvagem, incluindo os ecossistemas marinhos. Apresenta uma elevada capacidade de dispersão através de correntes atmosféricas e oceânicas, podendo atingir regiões remotas de todo o globo, como o Oceano Austral, onde se acumula nas cadeias alimentares marinhas. Apesar da sua relevância ecológica, pouco se sabia sobre as concentrações de Hg em peixes de profundidade desta região.</p>



<p>Neste estudo, os investigadores analisaram duas espécies de peixe de profundidade na Geórgia do Sul: a <em>Antimora rostrata</em> (Mora-Azul), de hábitos mais pelágicos, e <em>Macrourus holotrachys</em> (granadeiro), de hábitos demersais. Em 2020, foram recolhidos indivíduos e analisados quatro tecidos (músculo, cérebro, fígado e guelras), bem como isótopos estáveis, para determinar habitat e posição trófica, de cada uma das espécies em estudo.</p>



<p>Os resultados mostraram que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O músculo foi o tecido com maiores concentrações de mercúrio em ambas as espécies (Fig. 1).</li>



<li>A <em>A. rostrata</em> apresentou concentrações consistentemente mais baixas que <em>M. holotrachys </em>(Fig. 1).</li>



<li>Somente para o <em>M. holotrachys</em> as concentrações de Hg aumentaram com o comprimento e peso dos indivíduos, sugerindo bioacumulação ao longo da vida.</li>



<li>As diferenças refletem-se também no habitat destas espécies, uma vez que a espécie demersal (<em>M. holotrachys</em>) está mais relacionada com as cadeias alimentares bentónicas, geralmente mais ricas em Hg (Fig. 2).</li>



<li>A <em>A. rostrata</em> apresenta um nível trófico mais baixa do que o <em>M. holotrachys</em> (Fig. 2).</li>
</ul>



<p>Contrariamente do que se esperava, o cérebro mostrou concentrações elevadas de Hg, levantando questões sobre potenciais efeitos neurotóxicos nestes peixes e nos seus predadores.</p>



<p>Estes resultados revelam que estratégias alimentares e habitats diferentes moldam a acumulação de contaminantes em espécies de profundidade, com implicações para a saúde dos ecossistemas e dos predadores de topo que delas dependem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="796" height="378" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image.png" alt="" class="wp-image-7945" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image.png 796w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-300x142.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-768x365.png 768w" sizes="(max-width: 796px) 100vw, 796px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Concentrações de mercúrio (Média ± 1 DP, µg g⁻¹ peso seco) em diferentes tecidos (Músculo, Cérebro, Fígado e Guelras) da <em>Antimora rostrata</em> e <em>Macrourus holotrachys</em>. Letras minúsculas diferentes (para <em>Antimora rostrata</em>) e maiúsculas diferentes (para <em>Macrourus holotrachys</em>) acima das barras indicam diferenças significativas entre os tecidos de cada espécie (teste de Friedman com teste post hoc de Nemenyi, p &lt; 0.05). * entre as barras indica diferenças entre o mesmo tecido nas duas espécies (teste de Mann-Whitney, p &lt; 0.0001).</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="886" height="442" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png" alt="" class="wp-image-7946" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png 886w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1-300x150.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1-768x383.png 768w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2:</strong> Valores de δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N no músculo da <em>Antimora rostrata</em> (n = 23) e do <em>Macrourus holotrachys</em> (n = 22) da Geórgia do Sul. Média ± desvio-padrão.</figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Fonte: </strong>Vaz, D. B., Queirós, J. P., Xavier, J. C., Bustamante, P., Abreu, J., Pereira, E., Hollyman, P. R., Coelho, J. P. &amp; Seco, J. (2025). Mercury Concentrations, Habitat and Trophic Position of <em>Antimora Rostrata</em> and <em>Macrourus Holotrachys</em> from South Georgia (Southern Ocean). <em>Marine Pollution Bulletin</em>. DOI:10.2139/ssrn.5360416</p>



<p><strong>Autor:</strong> Diana</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Diminuição das concentrações de mercúrio nos bicos da lula gigante Moroteuthopsis longimana no mar da Escócia desde a década de 1970</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/09/23/diminuicao-das-concentracoes-de-mercurio-nos-bicos-da-lula-gigante-moroteuthopsis-longimana-no-mar-da-escocia-desde-a-decada-de-1970/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:48:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
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					<description><![CDATA[A lula gigante (Moroteuthopsis longimana), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A lula gigante (<em>Moroteuthopsis longimana</em>), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto para a vida selvagem como para a saúde humana.</p>



<p>Como estas lulas são quase impossíveis de estudar vivas, os cientistas recorrem aos seus bicos, estruturas duras que resistem à digestão e se acumulam nos estômagos de predadores, para analisar as suas assinaturas químicas. Neste estudo, os investigadores analisaram bicos de lulas recolhidos desde a década de 1970 até à atualidade para medir as concentrações de mercúrio.</p>



<p>Os resultados foram notáveis: apesar dos níveis elevados de mercúrio nas duas primeiras décadas, as concentrações têm vindo a diminuir de forma constante nos últimos trinta anos. Esta tendência sugere que os esforços globais para reduzir as emissões de mercúrio, como a International Convention on the Prevention of Marine Pollution by Dumping of Wastes and Other Matter (1972)e as melhorias nas práticas industriais, estão a ter efeitos positivos mensuráveis, mesmo em ecossistemas remotos como o Oceano Austral (Figura 1)</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="604" height="370" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png" alt="" class="wp-image-7827" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png 604w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image-300x184.png 300w" sizes="(max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Boxplot das concentrações de mercúrio (Hg) nos bicos inferiores da lula gigante M. longimana amostrada ao longo de 5 décadas.</figcaption></figure>
</div>


<p>Cefalópodes como <em>M. longimana</em> podem ser valiosos bioindicadores, uma vez que ocupam uma posição central nas redes trófias marinhas, ligando presas mais pequenas, como crustáceos e peixes, a grandes predadores, como focas e baleias. Além disso, o seu ciclo de vida curto e crescimento rápido fazem deles excelentes “registos vivos” das condições ambientais, oferecendo aos cientistas uma janela única sobre as tendências da poluição.</p>



<p>Ao transformar os bicos de lulas em arquivos ambientais, os investigadores forneceram evidências de que a poluição pode diminuir quando há ação coletiva. Estes resultados trazem esperança, mas também servem como lembrete da necessidade de manter os compromissos globais de redução da poluição para salvaguardar os ecossistemas.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Fonte:</strong> Sara Lopes-Santos, José C. Xavier, José Abreu, José Seco, João P. Coelho, Eduarda Pereira, Richard A. Phillips, José P. Queirós, Decreasing mercury concentrations in beaks of the giant warty squid <em>Moroteuthopsis longimana</em> in the Scotia Sea (Southern Ocean) since the 1970s, Marine Pollution Bulletin, Volume 221, 2025, 118578, ISSN 0025-326X</p>



<p><strong>Autor:</strong> Lucas</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A Teoria dos Bicos de Lulas: Desvendando o mistério da concentração de mercúrio no músculo de Morotheutopsis longimana</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/12/31/a-teoria-dos-bicos-de-lulas-desvendando-o-misterio-da-concentracao-de-mercurio-no-musculo-de-morotheutopsis-longimana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Dec 2024 14:28:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[O mercúrio (Hg) é um metal tóxico, cujas concentrações têm aumentado no ambiente devido a atividades antropogénicas. Este metal bioacumula-se nos organismos ao longo da vida e biomagnifica-se pelas cadeias alimentares, alcançando concentrações altas em alguns predadores de topo. Para entender a ameaça do Hg para esses predadores, é fundamental monitorizar as concentrações de Hg [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O mercúrio (Hg) é um metal tóxico, cujas concentrações têm aumentado no ambiente devido a atividades antropogénicas. Este metal bioacumula-se nos organismos ao longo da vida e biomagnifica-se pelas cadeias alimentares, alcançando concentrações altas em alguns predadores de topo. Para entender a ameaça do Hg para esses predadores, é fundamental monitorizar as concentrações de Hg em organismos de níveis tróficos intermediários, uma vez que eles são fatores cruciais na transferência trófica do Hg. Mas como as vamos monitorizar o Hg no caso das lulas do Oceano Austral sendo elas difíceis de capturar? A resposta está nos seus bicos, que são estruturas de quitina resistentes à digestão, que se acumulam nos estômagos dos seus predadores, podendo ser recolhidos em regurgitações ou após a morte do animal.</p>



<p>Uma dessas espécies de lulas, <em>Moroteuthopsis longimana</em>, habita nas águas profundas do Oceano Austral e pode atingir mais de 2 metros de comprimento total. Esta espécie bioacumula Hg ao longo da sua vida, e é uma importante presa para vários predadores de topo, como aves marinhas, mamíferos marinhos e peixes, pelo que entender seu papel na transferência de Hg na cadeia alimentar é crucial. No entanto, ainda há falta conhecimento sobre a relação entre as concentrações de Hg nos bicos de <em>M. longimana</em> e músculo (que é a parte principal consumida pelos predadores), que é o que este estudo pretende analisar.</p>



<p>Para isso, foram usadas 21 massas bucais de <em>M. longimana</em> recolhidas do estômago do bacalhau-da-Antártida (<em>Dissostichus mawsoni</em>). Para a determinação de Hg total, os bicos superior e inferior foram seccionados em asa (W) e extremidade superior do bico superior (H), e o restante do bico inferior (L) e superior (U) (Figura 1). Uma porção do músculo da massa bucal (M) foi também cortada para a determinação da concentração de Hg.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="562" height="273" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142319.png" alt="" class="wp-image-7229" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142319.png 562w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142319-300x146.png 300w" sizes="(max-width: 562px) 100vw, 562px" /><figcaption class="wp-element-caption"> <strong>Figura 1 –</strong> Seções dos bicos de Moroteuthopsis longimana analisadas para concentrações de Hg e comprimento do rostro inferior (LRL). W: asa; H: extremidade superior do bico superior; L: bico inferior; U: bico superior.</figcaption></figure>
</div>


<p>Os resultados mostram que as concentrações de Hg no músculo são ~100 vezes mais elevadas do que nos bicos inteiros (U e L) e ~50 vezes mais elevadas que as secções W e H (Figura 2). Esta variabilidade entre tecidos nas concentrações de Hg confirma que a concentração de Hg no bico não reflete diretamente a concentração no músculo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="512" height="467" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142200.png" alt="" class="wp-image-7228" style="width:558px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142200.png 512w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/12/Captura-de-ecra-2024-12-31-142200-300x274.png 300w" sizes="(max-width: 512px) 100vw, 512px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2 &#8211; </strong>Concentrações de mercúrio total (Hg) nas secções do bico e músculo da massa bucal de <em>Moroteutopsis longimana</em>. As barras com letras diferentes são estatisticamente diferentes. Os valores são a média ± DP.</figcaption></figure>
</div>


<p>Contudo, foi encontrada uma relação positiva entre as concentrações de Hg na asa (W) e no músculo (M), traduzida pela seguinte equação:</p>



<p class="has-text-align-center"><strong><em>Hg<sub>músculo</sub>&nbsp;=&nbsp;34.88 Hg<sub>asa&nbsp;</sub>+&nbsp;0.12</em></strong><em></em></p>



<p>Esta equação sugere que a concentração de Hg na asa pode ser utilizada como proxy da concentração de Hg no músculo de <em>M. longimana</em>. No entanto, só deve ser utilizada para indivíduos adultos, uma vez que este estudo apenas utilizou bicos adultos totalmente quitinizados.</p>



<p>Estudos futuros podem agora utilizar esta equação para estimar a concentração de Hg no músculo de outras <em>M. longimana</em>, através da análise da concentração de Hg na asa do bico, fornecendo um meio de avaliar os níveis, transporte e destino do Hg no ecossistema do Oceano Austral.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Fonte:</strong> Lopes-Santos S, Xavier JC, Seco J, Coelho JP, Hollyman PR, Pereira E, Phillips RA, Queirós JP (2025) Squid beaks as a proxy for mercury concentrations in muscle of the giant warty squid Moroteuthopsis longimana. Marine Environmental Research 204:106841.</p>



<p><strong>Autora:</strong> Sara Santos</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mercúrio na cadeia alimentar: Impacto das Mudanças Climáticas?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/10/27/mercurio-na-cadeia-alimentar-impacto-das-mudancas-climaticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Oct 2024 12:16:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
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					<description><![CDATA[O artigo examina como as mudanças climáticas e o aquecimento das águas do Oceano Austral podem aumentar a disponibilidade do mercúrio (Hg) na cadeia alimentar marinha da Antártida, devido à libertação de Hg armazenado no gelo e ao aumento das taxas de metilação por microrganismos. O estudo focou-se na biomagnificação de Hg na cadeia alimentar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O artigo examina como as mudanças climáticas e o aquecimento das águas do Oceano Austral podem aumentar a disponibilidade do mercúrio (Hg) na cadeia alimentar marinha da Antártida, devido à libertação de Hg armazenado no gelo e ao aumento das taxas de metilação por microrganismos. O estudo focou-se na biomagnificação de Hg na cadeia alimentar da Península Antártica, uma das regiões que mais se aquece no mundo. Utilizando isótopos estáveis de carbono (δ13C) e nitrogénio (δ15N) para estimar habitats de alimentação e níveis tróficos, respetivamente, a concentração total de Hg (T-Hg) foi medida em várias espécies, desde o krill antártico <em>Euphausia superba</em> até predadores como pinguins, aves e mamíferos marinhos (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="838" height="582" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image.png" alt="" class="wp-image-7211" style="width:840px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image.png 838w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image-300x208.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/10/image-768x533.png 768w" sizes="(max-width: 838px) 100vw, 838px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura  1: Representação esquemática de possíveis vias de biomagnificação do mercúrio ao longo da cadeia alimentar do Oceano Austral.</figcaption></figure>
</div>


<p>As assinaturas de isótopos estáveis e as concentrações de Hg foram medidas em diferentes espécies, incluindo pinguins-de-barbicha, skuas, gaivotas, petréis-gigantes-do-sul e focas-elefantes-do-sul. Diferenças significativas nos valores de δ13C entre as espécies foram observadas, com grande sobreposição entre as aves marinhas e as focas. Diferenças nos valores de δ15N refletem variações na dieta e posição trófica. As concentrações mais baixas de Hg foram encontradas no krill (0,007 ± 0,008 μg∙g–1) e as mais altas no petrel-gigante-do-sul (12,090 ± 14,177 μg∙g–1).</p>



<p>Os resultados mostraram uma relação positiva entre as concentrações de Hg e os níveis tróficos, com a biomagnificação do Hg a aumentar quase duas vezes em cada nível trófico. Este estudo sugere que as interações tróficas são as principais vias de biomagnificação do Hg nos ecossistemas do Oceano Austral. Destaca ainda que as concentrações de Hg podem aumentar em organismos marinhos devido ao aquecimento global, que aumenta a metilação de Hg e a sua disponibilidade em águas de baixa oxigenação. Predadores de longa vida e alto nível trófico, como algumas aves marinhas e focas, são especialmente vulneráveis aos efeitos do Hg.</p>



<p>O estudo conclui que a biomagnificação de Hg nas cadeias alimentares da Península Antártica resulta em altas cargas de Hg nos predadores do topo. Com o aumento das temperaturas globais, espera-se que as concentrações de Hg aumentem, potencialmente causando efeitos negativos significativos nos organismos antárticos. O artigo alerta para a necessidade de mais estudos para compreender completamente como as diferenças taxonômicas, geográficas e ecológicas influenciam a dinâmica do Hg nos ecossistemas marinhos da Península Antártica.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Referência: </strong>Matias, R. S., Guímaro, H. R., Bustamante, P., Seco, J., Chipev, N., Fragão, J., &#8230; &amp; Xavier, J. C. (2022). Mercury biomagnification in an Antarctic food web of the Antarctic Peninsula. <em>Environmental Pollution</em>, <em>304</em>, 119199.</p>



<p><strong>DOI: </strong>10.1016/j.envpol.2022.119199</p>



<p><strong>Autora:</strong> Laura Lopes</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A navegação no Ártico está a destruir o ecossistema?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/06/24/a-navegacao-no-artico-esta-a-destruir-o-ecossistema/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jun 2024 19:33:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[O aquecimento global provocou um rápido aquecimento na região do Ártico e o derretimento contínuo do gelo e da neve, tornando a navegação no Ártico uma realidade e aumentando significativamente a navegabilidade das rotas marítimas da região. Entre 1979 e 2018, a área segura para transporte de navios no Ártico expandiu-se em 35%, o que [&#8230;]]]></description>
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<p>O aquecimento global provocou um rápido aquecimento na região do Ártico e o derretimento contínuo do gelo e da neve, tornando a navegação no Ártico uma realidade e aumentando significativamente a navegabilidade das rotas marítimas da região. Entre 1979 e 2018, a área segura para transporte de navios no Ártico expandiu-se em 35%, o que despertou interesse em novas rotas comerciais e na exploração de recursos naturais (Figura 1). No entanto, o aumento das atividades de navegação no Ártico levanta preocupações ambientais devido aos poluentes e outros impactos negativos que ameaçam o seu ecossistema sensível.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="773" height="770" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/06/Picture1.jpg" alt="" class="wp-image-7095" style="width:446px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/06/Picture1.jpg 773w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/06/Picture1-300x300.jpg 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/06/Picture1-150x150.jpg 150w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/06/Picture1-768x765.jpg 768w" sizes="(max-width: 773px) 100vw, 773px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1: Âmbito do círculo polar ártico e rotas árticas.</figcaption></figure>
</div>


<p>O impacto das atividades de navegação no Ártico é extenso, destacando-se em três principais áreas: nas massas de água, nas emissões atmosféricas e na sobrevivência dos animais.</p>



<p>Os impactos nas massas de água incluem a poluição por tintas antis incrustantes, que libertam cobre e microplásticos, afetando negativamente o crescimento e a sobrevivência da vida marinha, inibindo a reprodução e causando deformações. Além disso, os derrames de petróleo poluem as costas e praias, afetando a saúde animal, o ciclo reprodutivo e a mobilidade, o que leva à morte de muitas espécies. A introdução de espécies não-nativas (NIS) leva à perda de biodiversidade e extinção local. As descargas de águas residuais resultam em poluição, esgotamento do oxigênio dissolvido, marés vermelhas, e impactos toxicológicos no ecossistema.</p>



<p>Os impactos nas emissões atmosféricas sentem-se na poluição do ar e na alteração da composição atmosférica devido às emissões dos navios, que perturbam o forçamento radiativo (RF), aceleram o aquecimento do Ártico, causam chuvas ácidas e a eutrofização da água do mar.</p>



<p>Os impactos na sobrevivência dos animais abrangem a poluição sonora, que interfere na comunicação dos animais do Ártico, alterando padrões de comportamento e potencialmente causando perda de audição temporária ou permanente. A poluição luminosa interfere na orientação dos animais marinhos e induz colisões, especialmente entre aves.</p>



<p>Para mitigar esses impactos negativos, é essencial adotar soluções técnicas e operacionais para os navios, além de formular normas e regras mais rigorosas para as atividades de navegação no Ártico.</p>



<p>Referência: Xinli Qi, Zhenfu Li, Changping Zhao, Qiqi Zhang, Yutao Zhou, Environmental impacts of Arctic shipping activities: A review, Ocean &amp; Coastal Management, Volume 247, 2024, 106936, ISSN 0964-5691</p>



<p><a href="https://doi.org/10.1016/j.ocecoaman.2023.106936">https://doi.org/10.1016/j.ocecoaman.2023.106936</a></p>



<p>Autora: Rita Quelha</p>
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		<item>
		<title>Pinguim-de-adélia como bioindicador de concentrações de mercúrio</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2023/12/15/pinguim-de-adelia-como-bioindicador-de-concentracoes-de-mercurio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2023 00:00:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[Desde a revolução industrial, as concentrações de mercúrio (Hg) no ambiente têm vindo a aumentar devido a atividades antropogénicas. Este metal possui um efeito tóxico nos animais e humanos, pelo que em 2013 foi adotada por mais de 140 países a Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, de forma a proteger a saúde humana e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde a revolução industrial, as concentrações de mercúrio (Hg) no ambiente têm vindo a aumentar devido a atividades antropogénicas. Este metal possui um efeito tóxico nos animais e humanos, pelo que em 2013 foi adotada por mais de 140 países a Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, de forma a proteger a saúde humana e o ambiente. O Hg dispersa por todo o mundo através de correntes atmosféricas, depositando-se até nos locais mais remotos, como por exemplo, nas regiões polares.</p>



<p>As aves marinhas como predadores de topo refletem a contaminação de Hg que está presente na sua cadeia trófica, através de processos de biomagnificação, sendo que a principal forma de excreção de Hg nestes animais é através da troca de penas. Dentro das aves marinhas existe uma espécie que possui um conjunto de características ideais para servir de bioindicador para as concentrações de Hg nas cadeias alimentares da Antártida: o pinguim-de-adélia (<em>Pygoscelis adeliae</em>) (Figura 1). Esta espécie tem uma distribuição circumpolar e é a espécie de pinguim mais comum e abundante do continente Antártico.<strong></strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-6777" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-1024x683.jpg 1024w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-300x200.jpg 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-768x512.jpg 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia-391x260.jpg 391w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Pinguim-de-adelia.jpg 1072w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1 &#8211; Pinguim-de-adélia (Pixabay).</figcaption></figure>
</div>


<p></p>



<p>De forma a ser feita uma avaliação circumpolar das concentrações de Hg, foram recolhidas amostras de penas de 538 indivíduos (490 adultos em idade reprodutiva e 48 crias antes da saída do ninho) entre os anos de 2005 e 2021 em 24 colónias ao redor do continente. Para cada amostra foi medida a concentração de Hg total (T-Hg). Através das penas, também foram determinados os valores dos isótopos δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N, usados como proxies para o habitat e posição trófica dos pinguins, respetivamente.</p>



<p>Ao nível circumpolar, a contaminação por Hg revelou-se relativamente homogénea entre as diferentes regiões avaliadas. No entanto, foi observado um ‘’hotspot’’ (local de grande concentração) de Hg no mar de Ross (Figura 2), associado a uma posição trófica mais alta dos pinguins-de-adélia, provavelmente devido a uma maior proporção de peixe nas suas dietas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="610" height="553" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Variacao-espacial-nas-concentracoes-de-Hg-nas-penas-de-pinguins-de-adelia.png" alt="" class="wp-image-6778" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Variacao-espacial-nas-concentracoes-de-Hg-nas-penas-de-pinguins-de-adelia.png 610w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Variacao-espacial-nas-concentracoes-de-Hg-nas-penas-de-pinguins-de-adelia-300x272.png 300w" sizes="(max-width: 610px) 100vw, 610px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 2 &#8211; Variação espacial nas concentrações de Hg nas penas de pinguins-de-adélia (a) adultos e (b) crias em 24 colónias antárticas. O gradiente de cor representa concentrações crescentes de Hg. O tamanho das amostras (n) é indicado pelo tamanho dos círculos e triângulos. A posição média da Frente Polar (linha preta tracejada) reflete o limite norte da distribuição do pinguim-de-adélia.</figcaption></figure>
</div>


<p></p>



<p>É fundamental continuar a monitorizar as concentrações de Hg, de forma a avaliar a eficácia da Convenção de Minamata sobre o Mercúrio. Avaliações em larga escala são extremamente importantes para monitorizar o estado de contaminação das cadeias alimentares da Antártida ao longo do tempo e também para avaliar as tendências globais, tendo em consideração o contexto das alterações climáticas.</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Autora: Sara Santos</p>



<p>Referência: Cusset, F., Bustamante, P., Carravieri, A.&nbsp;<em>et al.</em>&nbsp;Circumpolar assessment of mercury contamination: the Adélie penguin as a bioindicator of Antarctic marine ecosystems.&nbsp;<em>Ecotoxicology</em>&nbsp;<strong>32</strong>, 1024–1049 (2023). https://doi.org/10.1007/s10646-023-02709-9</p>



<p>DOI: <a href="https://doi.org/10.1007/s10646-023-02709-9">https://doi.org/10.1007/s10646-023-02709-9</a></p>
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		<item>
		<title>Um caso livre de microplásticos?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2023/04/15/um-caso-livre-de-microplasticos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Apr 2023 18:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[A presença de microplásticos em organismos marinhos é uma preocupação crescente em todo o mundo, uma vez que estes materiais têm efeitos nocivos na saúde animal e no ecossistema como um todo. O artigo selecionado deste mês é referente ao estudo dos níveis de microplásticos no tecido adiposo de focas aneladas (Pusa hispida) no Ártico. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A presença de microplásticos em organismos marinhos é uma preocupação crescente em todo o mundo, uma vez que estes materiais têm efeitos nocivos na saúde animal e no ecossistema como um todo. O artigo selecionado deste mês é referente ao estudo dos níveis de microplásticos no tecido adiposo de focas aneladas (<em>Pusa hispida</em>) no Ártico.</p>



<p>Entre 2017 e 2019, amostras do tecido adiposo de focas aneladas capturadas por caçadores indígenas no oeste do Canadá foram examinadas. A técnica utilizada para a análise apresenta capacidade para detectar microplásticos de dimensões tão pequenas quanto 10 mícrons. Surpreendentemente, os resultados indicaram que nenhuma das amostras continha microplásticos detectáveis. Isto difere de estudos anteriores onde foram encontrados altos níveis de microplásticos no tecido adiposo de outras espécies de focas, como as focas-de-bandas.&nbsp;</p>



<p>As fibras são geralmente o tipo mais comum de microplásticos encontrados em mamíferos marinhos, seguidas por fragmentos e filmes. Embora os investigadores tenham encontrado pequenas fibras plásticas nas amostras, acredita-se que tiveram origem de contaminação por manipulação em laboratório. Cohen’s D, ou diferença média padronizada, é uma das maneiras mais comuns para calcular o quão significativo um efeito é, que neste caso representa a ingestão de microplásticos. Neste estudo, para a amostra com o uso de conteúdo de 10 focas, o efeito observado foi de 0,37. Para este valor ser considerado significativo, seria necessário a amostra ser composta por 91 indivíduos, sendo que com 10 indivíduos, o efeito só seria significativo com um valor Cohen’s D de 1,16 (linhas azul e vermelha, respetivamente, Fig.1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/04/Ciencia-as-Claras-Abril-1024x596.png" alt="" class="wp-image-6275" width="768" height="447" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/04/Ciencia-as-Claras-Abril-1024x596.png 1024w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/04/Ciencia-as-Claras-Abril-300x175.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/04/Ciencia-as-Claras-Abril-768x447.png 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/04/Ciencia-as-Claras-Abril.png 1028w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fig.1 Com o aumento da amostra de estudo, o valor requerido para significância estatística decresce.</figcaption></figure>
</div>


<p>De acordo com os investigadores, a ausência de microplásticos em focas aneladas neste estudo pode estar relacionada com uma menor ingestão de microplásticos, em comparação com outros animais marinhos. A sua alimentação preferencial por peixe apresenta uma menor probabilidade de ingestão de microplásticos, ao contrário de uma dieta que seja dominada por invertebrados bentónicos. No entanto, também é possível que a técnica utilizada para analisar as amostras não tenha sido sensível o suficiente para detectar microplásticos de dimensões menores, ou que região de estudo específica do Canadá não esteja exposta aos mesmos níveis de microplásticos que outras áreas.</p>



<p>Este estudo oferece algumas boas notícias sobre a ausência de microplásticos em populações de focas aneladas do oeste do Canadá, mas é importante lembrar que outros estudos encontraram altos níveis de microplásticos noutras partes do mundo. Portanto, é crucial continuar a pesquisar a presença e os efeitos dos microplásticos nos ecossistemas marinhos para entender melhor os seus impactos e tomar medidas para proteger a vida marinha e a saúde humana.</p>



<p>No geral, o artigo destaca a necessidade de se continuar a investigar os microplásticos e os seus efeitos em organismos marinhos. Além disso, enfatiza a importância de se tomarem medidas para reduzir a quantidade de poluição de plásticos no oceano, como a redução do uso de plásticos e a melhoria dos sistemas de gestão de resíduos. Ao trabalharmos juntos para enfrentar este problema global, podemos ajudar a proteger os ecossistemas marinhos e os animais que dependem deles para sobreviver!</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Referência: Jardine, A.M., Provencher, J.F., Insley, S.J., Tauzer, L., Halliday, W.D., Bourdages, M.P.T., Houde, M., Muir, D., Vermaire, J.C. (2023). No accumulation of microplastics detected in western Canadian ringed seals (Pusa hispida). Mar Pollut Bull. 2023 Mar;188:114692 </p>



<p>DOI: 10.1016/j.marpolbul.2023.114692</p>



<p>Autora: Laura Lopes</p>
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		<item>
		<title>Plásticos na Antártida? O que sabemos</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2022/08/15/plasticos-na-antartida-o-que-sabemos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 01:17:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[A Antártida e o Oceano Austral, continuam hoje a ser dos locais mais remotos do planeta. Contudo, como consequência do crescimento humano, também estes locais estão cada vez mais a ser sujeitos às pressões das atividades antropogénicas. Neste contexto, inúmeros estudos têm documentado a poluição por plásticos, nas últimas décadas, de modo a compreender melhor [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p id="viewer-foo">A Antártida e o Oceano Austral, continuam hoje a ser dos locais mais remotos do planeta. Contudo, como consequência do crescimento humano, também estes locais estão cada vez mais a ser sujeitos às pressões das atividades antropogénicas.</p>



<p id="viewer-d8l6o">Neste contexto, inúmeros estudos têm documentado a poluição por plásticos, nas últimas décadas, de modo a compreender melhor a escala desta problemática.</p>



<p id="viewer-5v7s7">O pensamento mais vulgar na sociedade, quando falamos em plástico, é sempre como objetos de grandes dimensões como garrafas, sacos, entre outros, no entanto, o problema dos plásticos é mais grave devido à sua fragmentação, que acaba por produzir milhares de pedaços mais pequenos, muitos quase ou mesmo invisíveis a olho nu. Há diferentes categorias, mas estes podem ser desde os nano-plásticos (&lt; 1 nanometro) aos macro-plásticos (&gt; 10 milímetros).</p>



<p id="viewer-4tden">Este estudo revela assim uma visão global do estado atual dos plásticos na Antártida, as possíveis fontes, impactos e medidas que estão a ser tomadas. Os nano-plásticos têm normalmente origem nos produtos comercias e a sua consequente fragmentação, na atividade farmacêutica, detergentes, cosméticos, etc. Apesar de remota, uma parte considerável da ocorrência na Antártida é trazida devido às correntes oceânicas e atmosféricas, que acabam por agregar o “lixo” marinho mais fortemente numas regiões que outras. Atualmente, a região da península Antártica, no sector atlântico do oceano Austral, é a região mais afetada na Antártida, e igualmente a que mais pressão humana sofre. Além das origens acima mencionadas, a pesca e o turismo são também das principais fontes de poluição de plásticos no oceano Austral.</p>



<p id="viewer-2e8e5">Além da presença destes nos oceanos, plataformas de gelo, continentes e ilhas antárticas, também nas várias espécies foram já documentadas a ingestão de plásticos, desde aves (ex.: albatrozes, pinguins), peixes (ex.:peixe-gelo, bacalhau da patagónia), bentos (ouriço do mar), etc.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/08/1-s2.0-S2772735122000488-gr2.jpg" alt="" class="wp-image-3877" width="518" height="317" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/08/1-s2.0-S2772735122000488-gr2.jpg 690w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/08/1-s2.0-S2772735122000488-gr2-300x183.jpg 300w" sizes="(max-width: 518px) 100vw, 518px" /><figcaption>Figura 1 – Distribuição dos vários locais e espécies onde foram já documentados a presença e ingestão de plásticos na Antártida e oceano Austral.</figcaption></figure></div>



<p id="viewer-b8eff">Entre os impactos, o plástico pode servir como transportador de bactérias e patogénicos, que não ocorrem normalmente na Antártida, e com isso ter graves consequências para a fauna e flora locais. A ingestão pelas diversas espécies, pode também trazer riscos de saúde para os próprios animais, visto muito destes plásticos possuírem químicos tóxicos na sua composição. Por outro lado, a ingestão de pedaços de grandes dimensões, como cordas, redes de pesca, linhas, já provocou a morte a inúmeros indivíduos ou situações de estrangulamento, o que provoca feridas e inflamações graves.</p>



<p id="viewer-90jds">Atualmente, com o reconhecimento deste problema, muitos dos intervenientes mais ativos nesta região têm vindo a criar condições e medidas que visam a redução da introdução de plástico nesta zona crucial do planeta Terra. Como exemplo, o Comité Científico de Investigação na Antártida (SCAR) criou em 2018 um grupo de trabalho dedicado exclusivamente à compreensão e avaliação das diferentes fontes, distribuição e ocorrência do plástico. O próprio Tratado da Antártida, está também a integrar este novo desafio, e o seu anexo IV, menciona já a total proibição de qualquer descarte de plástico para águas antárticas. Por sua vez a Convenção para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR) tem imposto a redução de vários objetos de plástico ao mínimo possível nas atividades de pesca. Por último, o turismo tem cada vez mais realizado atividades educativas neste âmbito, de limpeza das costas, e apoiado a investigação e conservação neste sentido.</p>



<p id="viewer-dlbp9">Pela frente, há ainda o desafio de compreender o melhor possível quais os verdadeiros efeitos que o plástico terá nesta região, e como os poderemos mitigar eficazmente. Contudo os intervenientes, desde governos, empresas, turismo, ciência, estão a mover-se na direção para juntos combaterem este problema.</p>



<p id="viewer-7nrb">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>



<p id="viewer-cji7h"><strong>Fonte:</strong> Caruso, G., Bergami, E., Singh, N., &amp; Corsi, I. (2022). Plastic occurrence, sources, and impacts in Antarctic environment and biota. Water Biology and Security, 100034. <a rel="noreferrer noopener" href="https://doi.org/10.1016/j.watbs.2022.100034" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.watbs.2022.100034</a></p>



<p id="viewer-bhtt8"><strong>Autores:</strong> Diana Rodrigues e José Abreu</p>
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		<title>Poluentes orgânicos persistentes: Implicações nos ecossistemas Antárticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 May 2022 23:47:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos últimos anos tem-se vindo a verificar um aumento do número de cientistas e de turistas na região da Antártida, o que leva a um aumento bastante significativo da pegada antropogénica nos ecossistemas antárticos. Vários são os estudos que têm surgido nos últimos anos e dão conta de macro e microplásticos, de poluentes orgânicos persistentes [&#8230;]]]></description>
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<p>Nos últimos anos tem-se vindo a verificar um aumento do número de cientistas e de turistas na região da Antártida, o que leva a um aumento bastante significativo da pegada antropogénica nos ecossistemas antárticos. Vários são os estudos que têm surgido nos últimos anos e dão conta de macro e microplásticos, de poluentes orgânicos persistentes (POPs) e produtos farmacêuticos e de cuidados pessoais (PPCPs), que têm emergido nos ecossistemas polares. No entanto, e no que diz respeito a estes últimos, pouco se sabe sobre a sua presença em organismos das cadeias alimentares, especialmente na comunidade fitoplanctônica, que é a base da cadeia alimentar.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="360" height="245" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/06/d5d705_69221ed7ace94e0ca377b170b3ce8795mv2.webp" alt="" class="wp-image-3024" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/06/d5d705_69221ed7ace94e0ca377b170b3ce8795mv2.webp 360w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/06/d5d705_69221ed7ace94e0ca377b170b3ce8795mv2-300x204.webp 300w" sizes="(max-width: 360px) 100vw, 360px" /><figcaption>Turismo na Antártida. Fotografia de Peter Prokosch</figcaption></figure></div>



<p id="viewer-frgp7">Num estudo recente, jovens cientistas portugueses recorreram a técnicas de espetrofotometria de massa para analisarem pela primeira vez a presença de contaminantes emergentes (como os POPs e os PPCPs) na comunidade fitoplanctônica de uma ilha remota na Antártida, a qual é visitada por fins turísticos e científicos, proporcionando assim informações importante sobre a pegada humana deixada nestes ecossistemas remotos.</p>



<p id="viewer-2qdh5">Foram detetados mais de 70 poluentes persistentes de origem humana (incluindo POPs e PPCPs, entre outros). No geral, a variedade e uso dos compostos detetados podem estar ligados tanto a atividades terrestres como atividades marinhas, evidenciando assim a contribuição antropogénica no ecossistema da Antártida. A deteção destes compostos na base da cadeia alimentar da Antártida, os quais podem ser potencialmente tóxicos consoante a sua concentração, poderá trazer implicações bastante graves para toda a estrutura trófica do ecossistema, uma vez que irá colocar em risco os diversos organismos.</p>



<p id="viewer-d31r4">Posto isto, este estudo vem enfatizar a lacuna de conhecimento que se verifica relativamente aos efeitos potencialmente tóxicos que estes poluentes podem ter nos diversos organismos da cadeia alimentar da Antártida. Vem ainda realçar a necessidade de revisão das diretrizes impostas pelo Tratado da Antártida e pelo Protocolo de Proteção Ambiental ao Tratado da Antártida, de forma a que haja um controlo e evitamento da proliferação destes e outros PPCPs em ambientes remotos tão únicos como é o caso da Antártida.</p>



<p id="viewer-2etaa">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>



<p id="viewer-2o465"><strong>Fonte:</strong>Duarte, B., Gameiro, C., Matos, A. R., Figueiredo, A., Silva, M. S., Cordeiro, C., Caçador, I., Reis-Santos, P., Fonseca, V., &amp; Cabrita, M. T. (2021). First screening of biocides, persistent organic pollutants, pharmaceutical and personal care products in Antarctic phytoplankton from Deception Island by FT-ICR-MS. <em>Chemosphere</em>, <em>274</em>, 129860. <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0045653521003295?via%3Dihub" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>https://doi.org/10.1016/j.chemosphere.2021.129860</u></a></p>



<p id="viewer-5f32t"><strong>Autora: </strong>Joana Fragão</p>
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