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	<title>Espécies marinhas &#8211; APECS Portugal</title>
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	<description>Um site para os jovens cientistas e dos jovens cientistas para o Mundo</description>
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	<title>Espécies marinhas &#8211; APECS Portugal</title>
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		<title>Distribuição e ecologia das quatro espécies de Macrourus capturadas acidentalmente na pesca com palangre na Geórgia do Sul, no Oceano Antártico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 16:06:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[As águas da Geórgia do Sul estão entre as mais produtivas do Oceano Antártico, suportando pescas de palangre que têm como alvo a bacalhau da antárctida (Dissostichus eleginoides). No entanto, durante estas operações, quatro espécies de granadeiro Macrourus caml, Macrourus carinatus, Macrourus holotrachys e Macrourus whitsoni são regularmente capturadas como fauna acompanhante. Além disso, apesar [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">As águas da Geórgia do Sul estão entre as mais produtivas do Oceano Antártico, suportando pescas de palangre que têm como alvo a bacalhau da antárctida (<em>Dissostichus eleginoides</em>). No entanto, durante estas operações, quatro espécies de granadeiro<em> </em><em>Macrourus caml</em>, <em>Macrourus carinatus</em>, <em>Macrourus holotrachys</em> e <em>Macrourus whitsoni</em> são regularmente capturadas como fauna acompanhante. Além disso, apesar de serem frequentemente mencionadas nos registos pescatórios, estas espécies têm sido até agora identificadas apenas ao nível do género, impedindo qualquer distinção entre as quatro espécies. Esta agregação mascara as importantes diferenças biológicas entre elas e a verdadeira extensão dos efeitos da captura acessória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste estudo, os investigadores realizaram a primeira avaliação biológica abrangente das quatro espécies de <em>Macrourus</em> capturadas nas águas da Geórgia do Sul, utilizando dados de pescas e de observadores recolhidos entre 2018 e 2022. Através da análise de padrões de distribuição, preferências de profundidade, razões de sexo e associações de habitat, a equipa conseguiu caracterizar cada espécie individualmente e avaliar as suas respetivas vulnerabilidades à pressão pesqueira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados revelaram diferenças marcantes entre as espécies. Três das quatro apresentaram razões de sexo tendencialmente femininas, o que tem implicações diretas na produtividade dos stocks e na capacidade reprodutiva. Cada espécie ocupou também um intervalo de profundidade e uma distribuição geográfica distintos: <em>M. holotrachys</em> foi a mais frequentemente capturada e distribuiu-se amplamente entre os 1000 e os 1750 metros; <em>M. caml</em> mostrou a maior flexibilidade na utilização do habitat; <em>M. carinatus</em> concentrou-se na região ocidental; e <em>M. whitsoni</em> foi mais rara, encontrada principalmente em águas mais profundas, além dos 1500 metros, a nordeste e a leste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes resultados evidenciam uma lacuna significativa na forma como a captura acessória é atualmente gerida. Reportar as espécies coletivamente ao nível do género oculta o facto de cada uma enfrentar diferentes níveis de risco, e de que o estado da pesca-alvo não é um indicador fiável do estado das espécies não-alvo. Os autores defendem que a monitorização ao nível da espécie e a recolha de dados rigorosa são essenciais para definir limiares de captura acessória significativos e assegurar a sustentabilidade a longo prazo das pescarias de dissosticha na área da CCAMLR.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="521" height="438" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/04/image-1.png" alt="" class="wp-image-8253" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/04/image-1.png 521w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/04/image-1-300x252.png 300w" sizes="(max-width: 521px) 100vw, 521px" data-mwl-img-id="8253" /><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Figura 1: </strong>Proporção (%) de fêmeas (F) e machos (M) em função da profundidade (m) das quatro espécies de Macrourus capturadas acidentalmente na pesca com palangre na Geórgia do Sul (subárea 48.3 da CCAMLR) entre 2018 e 2022.</em></figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte:Abreu, José, et al. &#8220;Distribution and ecology of the four Macrourus species by‐caught in the longline fishery at South Georgia, Southern Ocean.&#8221;&nbsp;<em>Journal of Fish Biology</em>&nbsp;(2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autor: Lucas Bastos</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Diminuição das concentrações de mercúrio nos bicos da lula gigante Moroteuthopsis longimana no mar da Escócia desde a década de 1970</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/09/23/diminuicao-das-concentracoes-de-mercurio-nos-bicos-da-lula-gigante-moroteuthopsis-longimana-no-mar-da-escocia-desde-a-decada-de-1970/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:48:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
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					<description><![CDATA[A lula gigante (Moroteuthopsis longimana), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A lula gigante (<em>Moroteuthopsis longimana</em>), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto para a vida selvagem como para a saúde humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como estas lulas são quase impossíveis de estudar vivas, os cientistas recorrem aos seus bicos, estruturas duras que resistem à digestão e se acumulam nos estômagos de predadores, para analisar as suas assinaturas químicas. Neste estudo, os investigadores analisaram bicos de lulas recolhidos desde a década de 1970 até à atualidade para medir as concentrações de mercúrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados foram notáveis: apesar dos níveis elevados de mercúrio nas duas primeiras décadas, as concentrações têm vindo a diminuir de forma constante nos últimos trinta anos. Esta tendência sugere que os esforços globais para reduzir as emissões de mercúrio, como a International Convention on the Prevention of Marine Pollution by Dumping of Wastes and Other Matter (1972)e as melhorias nas práticas industriais, estão a ter efeitos positivos mensuráveis, mesmo em ecossistemas remotos como o Oceano Austral (Figura 1)</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="604" height="370" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png" alt="" class="wp-image-7827" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png 604w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image-300x184.png 300w" sizes="(max-width: 604px) 100vw, 604px" data-mwl-img-id="7827" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Boxplot das concentrações de mercúrio (Hg) nos bicos inferiores da lula gigante M. longimana amostrada ao longo de 5 décadas.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Cefalópodes como <em>M. longimana</em> podem ser valiosos bioindicadores, uma vez que ocupam uma posição central nas redes trófias marinhas, ligando presas mais pequenas, como crustáceos e peixes, a grandes predadores, como focas e baleias. Além disso, o seu ciclo de vida curto e crescimento rápido fazem deles excelentes “registos vivos” das condições ambientais, oferecendo aos cientistas uma janela única sobre as tendências da poluição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao transformar os bicos de lulas em arquivos ambientais, os investigadores forneceram evidências de que a poluição pode diminuir quando há ação coletiva. Estes resultados trazem esperança, mas também servem como lembrete da necessidade de manter os compromissos globais de redução da poluição para salvaguardar os ecossistemas.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Sara Lopes-Santos, José C. Xavier, José Abreu, José Seco, João P. Coelho, Eduarda Pereira, Richard A. Phillips, José P. Queirós, Decreasing mercury concentrations in beaks of the giant warty squid <em>Moroteuthopsis longimana</em> in the Scotia Sea (Southern Ocean) since the 1970s, Marine Pollution Bulletin, Volume 221, 2025, 118578, ISSN 0025-326X</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Lucas</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Projeção dos impactos futuros das alterações climáticas na distribuição de lulas pelágicas no Oceano Austral</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/06/30/projecao-dos-impactos-futuros-das-alteracoes-climaticas-na-distribuicao-de-lulas-pelagicas-no-oceano-austral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 14:34:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
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					<description><![CDATA[Este estudo avalia como as alterações climáticas podem alterar a distribuição das lulas pelágicas no Oceano Austral. Utilizando modelos de distribuição de espécies (MDS), os autores projetaram a adequabilidade futura do habitat para 15 espécies de lulas em dois cenários climáticos (SSP1-2.6 e SSP5-8.5) para os anos de 2050 e 2100. Os modelos indicam que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Este estudo avalia como as alterações climáticas podem alterar a distribuição das lulas pelágicas no Oceano Austral. Utilizando modelos de distribuição de espécies (MDS), os autores projetaram a adequabilidade futura do habitat para 15 espécies de lulas em dois cenários climáticos (SSP1-2.6 e SSP5-8.5) para os anos de 2050 e 2100.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os modelos indicam que o aumento da temperatura da superfície do mar e o recuo do gelo marinho (aspetos-chave do aquecimento dos oceanos) são os principais impulsionadores das alterações das condições do habitat. Outros fatores, como a concentração de clorofila (um indicador da produtividade primária), também desempenham um papel importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As respostas específicas de cada espécie incluem potenciais vencedores e vencidos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Potenciais vencedores: as espécies de lulas subtropicais e cosmopolitas (p. ex.: <em>Histioteuthis atlantica, Teuthowenia pellucida, Todarodes filippovae </em>e<em> Bathyteuthis abyssicola</em>) podem ganhar habitats adequados, especialmente em latitudes mais elevadas (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="703" height="617" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image.png" alt="" class="wp-image-7749" style="width:506px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image.png 703w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-300x263.png 300w" sizes="(max-width: 703px) 100vw, 703px" data-mwl-img-id="7749" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1 &#8211;</strong> Alterações na distribuição de habitat das espécies subtropicais em 2050 SSP5-8.5 e 2100 SSP5-8.5 em relação ao presente, e gradiente latitudinal de adequabilidade de habitat dos cenários presentes versus futuros. No gráfico de tendências, a linha vertical cinzenta é o limite para a presença de espécies</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Potenciais vencidos: Em contraste, a espécie Antárticas e muitas subantárticas (como <em>Onykia ingens, Onykia robsoni, Martialia hyadesi, Gonatus antarcticus, Histioteuthis eltaninae, Slosarczykovia circumantarctica, Mesonychoteuthis hamiltoni, Alluroteuthis antarcticus, Galiteuthis glacialis, Psychroteuthis glacialis</em>, e especialmente a <em>Moroteutopsis longimana</em>) deverão perder uma parte significativa do seu habitat atual (Figura 2).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="749" height="781" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-1.png" alt="" class="wp-image-7750" style="width:490px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-1.png 749w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-1-288x300.png 288w" sizes="(max-width: 749px) 100vw, 749px" data-mwl-img-id="7750" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2 &#8211;</strong> Alterações na distribuição de habitat das espécies antárticas em 2050 SSP5-8.5 e 2100 SSP5-8.5 em relação ao presente, e gradiente latitudinal de adequabilidade de habitat dos cenários presente versus futuro. No gráfico de tendências, a linha vertical cinzenta é o limite para a presença de espécies.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o estudo descobriu que os limites a norte da distribuição de lulas devem mover-se para sul ao longo do tempo, com uma redução dos pontos críticos de biodiversidade, o que pode alterar a estrutura do ecossistema pelágico. As alterações na distribuição das lulas podem ter efeitos em cascata por toda a cadeia alimentar do Oceano Austral, causando impacto nos predadores como aves marinhas, focas e cetáceos que dependem das lulas como principal fonte de alimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores observam incertezas relacionadas com a resolução dos dados ambientais, a falta de interações tróficas nos modelos e a amostragem limitada em áreas remotas. Sugerem que estudos futuros incorporem dados a uma escala mais fina (incluindo a profundidade como terceira dimensão) e informação biológica mais abrangente para melhor informar a conservação e o planeamento espacial marinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No geral, o artigo fornece projeções essenciais para compreender possíveis alterações na biodiversidade marinha devido às alterações climáticas e destaca a importância de considerar estas alterações nas estratégias de conservação para o Oceano Austral.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Guerreiro, M., Santos, C. P., Borges, F., Santos, C., Xavier, J. C., &amp; Rosa, R. (2025). Projecting future climate change impacts on the distribution of pelagic squid in the Southern Ocean. <em>Marine Ecology Progress Series</em>, <em>757</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Sara Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A sequenciação completa do gene 16S rRNA combinada com uma seleção adequada da base de dados melhora a descrição das comunidades procarióticas marinhas do Ártico</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/05/30/a-sequenciacao-completa-do-gene-16s-rrna-combinada-com-uma-selecao-adequada-da-base-de-dados-melhora-a-descricao-das-comunidades-procarioticas-marinhas-do-artico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 May 2025 13:21:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Bactéria]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando pensamos no Ártico, vêm-nos normalmente à cabeça imagens de gelo sem fim e ursos polares. No entanto, sob a superfície do Oceano Ártico existe um mundo incrível que desempenha um papel vital na saúde do nosso planeta: os micróbios. Estes organismos minúsculos, como as bactérias e as archaea, vivem nas águas frias e escuras [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Quando pensamos no Ártico, vêm-nos normalmente à cabeça imagens de gelo sem fim e ursos polares. No entanto, sob a superfície do Oceano Ártico existe um mundo incrível que desempenha um papel vital na saúde do nosso planeta: os micróbios. Estes organismos minúsculos, como as bactérias e as archaea, vivem nas águas frias e escuras e desempenham um papel vital no ecossistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da sua importância, os cientistas pouco sabem sobre quais os micróbios que vivem no Ártico e o que fazem. Porquê? Principalmente devido a limitações metodológicas, os estudos realizados até agora basearam-se na sequenciação de apenas pequenos fragmentos de ADN microbiano, o que dificulta a identificação exata de muitas espécies.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É aqui que entra este estudo. Os cientistas queriam testar se existiam diferenças entre a sequenciação do gene 16S rRNA completo e apenas a sequenciação de pequenas regiões do gene na identificação das comunidades microbianas. Além disso, testaram a influência das bases de dados, comparando a base de dados SILVA, normalmente utilizada, com a base de dados mais recente Genome Taxonomy Database (GTDB). Os investigadores presumiram que a sequenciação de todo o gene e a utilização da GTDB para a atribuição taxonómica permitiria obter uma visão muito mais completa e precisa das comunidades microbianas do Ártico. Os resultados? De facto, utilizando as duas ferramentas combinadas, os investigadores conseguiram identificar muitas mais espécies microbianas (Figura 1). Não só confirmaram a presença de grupos conhecidos, como também descobriram novas linhagens e classificaram melhor muitas espécies que anteriormente tinham sido difíceis de identificar com tal detalhe taxonómico.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="886" height="502" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/05/image.png" alt="" class="wp-image-7741" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/05/image.png 886w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/05/image-300x170.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/05/image-768x435.png 768w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" data-mwl-img-id="7741" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1: </strong>Percentagem de variantes de sequências de amplicons (ASVs) classificadas em cada nível taxonómico. O painel esquerdo mostra os resultados da base de dados GTDB e o painel direito mostra os resultados da base de dados Silva. Para cada base de dados, foram comparadas as sequências do gene 16S rRNA de comprimento total e V4-V5 (laranja e azul, respetivamente).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Porque é que isto é importante? Como o Ártico está a aquecer mais rapidamente do que qualquer outra região da Terra, compreender o funcionamento dos seus ecossistemas é mais urgente do que nunca. As comunidades microbianas são incrivelmente sensíveis às mudanças de temperatura e de nutrientes e, se se alterarem, os efeitos podem se repercutir em todo o ecossistema. Assim, ao saber quem são estes micróbios e como funcionam, os cientistas podem monitorizar/prever melhor a forma como o Ártico está/irá responder às alterações climáticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo oferece-nos uma forma mais clara de investigar a vida oculta do Oceano Ártico. Ao utilizar a sequenciação de genes completos e ferramentas de classificação modernas, os investigadores identificaram mais espécies, traçando um quadro mais pormenorizado da vida microbiana do Ártico.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Pascoal, F., Duarte, P., Assmy, P. et al. Full-length 16S rRNA gene sequencing combined with adequate database selection improves the description of Arctic marine prokaryotic communities. Ann Microbiol 74, 29 (2024). https://doi.org/10.1186/s13213-024-01767-6</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autor:</strong> Lucas Bastos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Alterações de longo prazo no habitat e nível trófico das lulas do Oceano Austral</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/09/13/alteracoes-de-longo-prazo-no-habitat-e-nivel-trofico-das-lulas-do-oceano-austral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Sep 2024 13:51:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[As lulas são pelágicas e alimentam-se de uma variedade de presas, incluindo peixes, cefalópodes e crustáceos, com a sua dieta a mudar ao longo das suas vidas. Desempenhando um papel fundamental no ecossistema do Oceano Austral, servindo de presa para inúmeros predadores, incluindo baleias, focas, aves marinhas e peixes, com cerca de 34 milhões de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As lulas são pelágicas e alimentam-se de uma variedade de presas, incluindo peixes, cefalópodes e crustáceos, com a sua dieta a mudar ao longo das suas vidas. Desempenhando um papel fundamental no ecossistema do Oceano Austral, servindo de presa para inúmeros predadores, incluindo baleias, focas, aves marinhas e peixes, com cerca de 34 milhões de toneladas de lulas sendo consumidas anualmente nesta região. Considerando a sua importância no ecossistema do Oceano Austral, este estudo analisa a dinâmica ecológica a longo prazo de cinco espécies-chave de lulas ao longo das últimas cinco décadas. O estudo foca-se em como estas espécies de lulas se adaptaram às condições ambientais em mudança, particularmente o Índice de Oscilação Sul (SOI) e o Modo Anular Sul (SAM), analisando os valores de isótopos estáveis (δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N) em bicos de lulas encontrados na dieta de albatrozes-errantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo encontrou mudanças significativas no habitat de quatro das cinco espécies de lulas, conforme indicado pelas alterações nos valores de δ<sup>13</sup>C. Isto sugere que estas espécies mudaram as suas distribuições geográficas ao longo do tempo, provavelmente em resposta às alterações ambientais<em>. Taonius sp. B, Gonatus antarcticus, Galiteuthis glacialis </em>e<em> Histioteuthis atlantica </em>mostraram todas mudanças no habitat, deslocando-se para regiões mais a norte ao longo das décadas. <em>Moroteuthopsis longimana </em>(Figura 1) foi a única espécie que manteve um uso consistente do habitat, indicando uma tolerância potencialmente maior às mudanças ambientais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="675" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited.jpeg" alt="BBC Four - Deep Ocean: Giants of the Antarctic Deep" class="wp-image-7112" style="width:720px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited.jpeg 1200w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited-300x169.jpeg 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited-1024x576.jpeg 1024w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited-768x432.jpeg 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited-800x450.jpeg 800w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" data-mwl-img-id="7112" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1- Espécimen de Moroteuthopsis longimana (© BBC | Giants of the Antarctic Deep).</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Apesar das mudanças no habitat, os níveis tróficos de todas as cinco espécies de lulas, conforme concluido pelos valores de δ<sup>15</sup>N, mantiveram-se relativamente estáveis durante o período de estudo. Isto sugere que os seus papéis na cadeia alimentar não se alteraram significativamente, mantendo a sua importância como presas de predadores de topo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Das cinco espécies, apenas <em>Taonius sp. B</em> mostrou uma correlação significativa entre os seus valores de isótopos e os índices ambientais (SOI e SAM), indicando que estes fatores climáticos influenciaram diretamente o seu nível trófico e habitat. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo sugere que, enquanto as lulas do Oceano Antártico alteraram o seu habitat em resposta às condições ambientais em mudança, os seus papéis tróficos permaneceram estáveis. Esta adaptabilidade poderá garantir a sua contínua importância no ecossistema do Oceano Austral, mesmo com o progresso das alterações climáticas. Os resultados destacam a potencial resiliência destas espécies à variabilidade ambiental e o seu papel crítico na cadeia alimentar marinha. Este estudo fornece informações valiosas sobre as respostas ecológicas de espécies-chave de nécton no Oceano Austral, o que poderá ser crucial para prever futuras mudanças no ecossistema devido às alterações climáticas em curso.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referência:</strong> Abreu J, Phillips RA, Ceia FR, Ireland L, Paiva VH, Xavier JC (2020) Long-term changes in habitat and trophic level of Southern Ocean squid in relation to environmental conditions. Sci Rep</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DOI:</strong> 10.1038/s41598-020-72103-6</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autora:</strong> Sara Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O que sabemos? Qual é o próximo passo?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/04/19/o-que-sabemos-qual-e-o-proximo-passo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2024 14:36:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
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					<description><![CDATA[O Oceano Austral é fundamental para os restantes oceanos, sendo responsável por um terço do sequestro oceânico de dióxido de carbono globalmente, desempenhando assim um papel crucial na mitigação das alterações climáticas ao reduzir a quantidade deste na atmosfera. A Península Antárctica Norte (PAN), localizada na Antártida Ocidental, e dentro na Antártida é a região [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O Oceano Austral é fundamental para os restantes oceanos, sendo responsável por um terço do sequestro oceânico de dióxido de carbono globalmente, desempenhando assim um papel crucial na mitigação das alterações climáticas ao reduzir a quantidade deste na atmosfera. A Península Antárctica Norte (PAN), localizada na Antártida Ocidental, e dentro na Antártida é a região que apresenta o aquecimento mais rápido na temperatura do oceano e na atmosférica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pressões causadas pelas alterações climáticas irão moldar as comunidades biológicas ao longo da PAN. Por exemplo, na base da cadeia alimentar, as pressões terão consequências no fitoplâncton, podendo vir a alterar as comunidades deste na região bem como a sua morfologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora se preveja que a resposta das comunidades locais de fitoplâncton seja diferente a curto e a longo prazo, espera-se uma tendência para fitoplâncton com uma morfologia mais pequena e com flagelo (cauda). Estas mudanças podem ter impactos para o ecossistema (Figura 1), pois os restantes elementos deste, como o krill, podem não suportar as alterações. A longo prazo, espera-se que os efeitos das alterações climáticas se intensifiquem, o que poderá levar a outra alteração da comunidade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="578" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture2-1024x578.png" alt="" class="wp-image-6966" style="width:606px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture2-1024x578.png 1024w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture2-300x169.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture2-768x434.png 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture2-1536x868.png 1536w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture2-2048x1157.png 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" data-mwl-img-id="6966" /></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O conhecimento atual desta região fornece informações sobre a reposta do fitoplâncton às alterações climáticas e sobre o que poderá acontecer. Porém, é necessário um esforço coordenado para compreender e prever de forma abrangente as alterações que irão acontecer as comunidades na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal lacuna de conhecimento na PAN é a relação intrínseca e elusiva entre as alterações climáticas antropogénicas e a variabilidade climática natural. A avaliação do impacto das alterações climáticas exige a separação entre a variabilidade interna natural e as alterações que ocorrem a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para combater esta lacuna, é necessário seguir várias direções de investigação para o futuro (Figura 2), juntamente com a expansão do atual esforço de amostragem, para o qual dispomos de diferentes métodos que poderão ser utilizados, tais como sensores ligados animais, satélites de cor dos oceanos, flutuadores biogeoquímicos, planadores subaquáticos e mais expedições em navios para recolher dados in<em>-situ</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="583" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture3-1024x583.png" alt="" class="wp-image-6967" style="width:673px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture3-1024x583.png 1024w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture3-300x171.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture3-768x437.png 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture3-1536x874.png 1536w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/04/Picture3-2048x1166.png 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" data-mwl-img-id="6967" /></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">É importante avaliar a forma como a possível mudança na composição do fitoplâncton afetará o bem-estar e os processos oceânicos normais. A compreensão das respostas do fitoplâncton às alterações climáticas será impossível sem um melhor conhecimento da fisiologia do fitoplâncton na PNA, para isto é necessário realizar estudos com vários fatores de pressão, como a luz, a salinidade e o dióxido de carbono, centrados na resposta das principais espécies de fitoplâncton a estes. Obter este conhecimento só será possível com a intercolaboração dos programas de investigação polares e da comunidade científica no âmbito de um quadro de investigação comum.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referência: Ferreira A, Costa RR, Dotto TS, Kerr R, Tavano VM, Brito AC, Brotas V, Secchi ER and Mendes CRB (2020) Changes in Phytoplankton Communities Along the Northern Antarctic Peninsula: Causes, Impacts and Research Priorities. Front. Mar. Sci. 7:576254.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://doi.org/10.3389/fmars.2020.576254">https://doi.org/10.3389/fmars.2020.576254</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Autora: G. Sofia Nunes</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O potencial dos bicos como ferramenta valiosa para a estimativa da idade e estudos de crescimento em lulas do Oceano Austral</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/03/17/o-potencial-dos-bicos-como-ferramenta-valiosa-para-a-estimativa-da-idade-e-estudos-de-crescimento-em-lulas-do-oceano-austral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Mar 2024 19:48:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
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					<description><![CDATA[As espécies de lulas do Oceano Austral desempenham um papel crucial no ecossistema, atuando como ligação entre os níveis tróficos inferiores e os predadores de topo. Apesar da sua importância, os estudos sobre a abundância, idade e crescimento das lulas do Oceano Austral são limitados. Os métodos tradicionais de estudo da idade e do crescimento [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As espécies de lulas do Oceano Austral desempenham um papel crucial no ecossistema, atuando como ligação entre os níveis tróficos inferiores e os predadores de topo. Apesar da sua importância, os estudos sobre a abundância, idade e crescimento das lulas do Oceano Austral são limitados. Os métodos tradicionais de estudo da idade e do crescimento dos cefalópodes requerem a captura de indivíduos vivos, o que é um desafio para as lulas oceânicas de grande mobilidade. No entanto, os bicos dos cefalópodes, que crescem ao longo da vida de um indivíduo, podem ser facilmente recolhidos dos estômagos dos predadores e utilizados para estudar a idade e os padrões de crescimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores centram-se na lula <em>Moroteuthopsis longimana</em>, que é uma das principais presas dos predadores do Oceano Austral e que já foi objeto de estudos sobre a sua idade e crescimento utilizando diferentes técnicas. O estudo tem como objetivo avaliar a viabilidade da utilização de bicos recolhidos dos estômagos de predadores, como o bacalhau da Antártida (<em>Dissostichus mawsoni</em>), para determinar a idade e o crescimento de <em>M. longimana</em> e estimar os padrões de idade e crescimento desta espécie em diferentes áreas do Oceano Austral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo concluiu que os bicos recolhidos dos estômagos dos predadores podem ser utilizados para estudar a idade das lulas do Oceano Austral, especificamente da espécie <em>M. longimana</em>. A secção sagital do rostro (RSS) do bico inferior foi considerada a secção mais fiável para a estimativa da idade (Fig.1), uma vez que apresentava micro-incrementos legíveis que podiam ser contados, enquanto os bicos superiores apresentaram incrementos altamente compactados, sendo muitos deles indistinguíveis. Também se estimou que <em>M. longimana</em> pode viver até 820 dias e pode eclodir ao longo de todo o ano, tendo mostrado uma taxa de crescimento consistente desde a eclosão até à morte, com pelo menos um período de crescimento mais rápido. Um novo padrão de ciclos regulares, composto por 7-10 incrementos mais claros seguidos de um mais escuro, foi encontrado na região médio-anterior do RSS (Fig.2b). Foram observadas diferenças na taxa de crescimento e no tamanho atingido na mesma idade entre indivíduos dos sectores Pacífico e Atlântico do Oceano Austral, sugerindo a influência de diferentes condições ambientais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="255" height="241" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/03/Picture2.png" alt="" class="wp-image-6949" style="width:303px;height:auto" data-mwl-img-id="6949"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Fig. 1:</strong> Bicos de <em>Moroteuthopsis longimana</em> e seções analisadas. As linhas tracejadas representam o formato esperado dos incrementos nas zonas de leitura da superfície da parede lateral (LWS) e na seção sagital do rostro (RSS).</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="382" height="226" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/03/Picture3.png" alt="" class="wp-image-6950" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/03/Picture3.png 382w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/03/Picture3-300x177.png 300w" sizes="(max-width: 382px) 100vw, 382px" data-mwl-img-id="6950" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Fig. 2:</strong> Crescimento de incrementos nos bicos de <em>Moroteuthopsis longimana</em>. (a) imagem da composição dos incrementos na seção sagital do rostro (RSS) dos bicos inferiores; (b) bicos inferiores RSS com ciclos de 7-10 incrementos claros seguidos por um incremento escuro; (c) parede lateral mostrando uma zona com incrementos regulares; (d) parede lateral com apenas um incremento.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Portanto, os bicos recolhidos  dos estômagos dos predadores podem ser usados para estudar a idade e o crescimento das lulas do Oceano Austral, especificamente de <em>Moroteuthopsis longimana</em>. No entanto,  os autores destacaram a necessidade de  investigação futura  de forma a validar a periodicidade da formação de incrementos em lulas de águas frias e profundas, considerando o impacto das condições ambientais no crescimento de <em>M. longimana</em>.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Referência: Queirós, J. P., Bartolomé, A., Piatkowski, U., Xavier, J. C., &amp; Perales-Raya, C. (2022). Age and growth estimation of Southern Ocean squid Moroteuthopsis longimana: can we use beaks collected from predators’ stomachs? Marine Biology, 170(1).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://doi.org/10.1007/s00227-022-04156-2">https://doi.org/10.1007/s00227-022-04156-2</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Autor: Diogo Francisco</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bacalhau da Antártida: Um bioindicador?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/01/31/bacalhau-da-antartida-um-bioindicador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jan 2024 17:36:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
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					<description><![CDATA[Elementos vestigiais e elementos raros terrestres, compostos presentes no ambiente marinho, são predominantemente transferidos através da dieta dos organismos. Dada a importância do alimento proveniente do mar como fonte de nutrientes essenciais para os humanos e os diversos riscos para a saúde associados a desequilíbrios destes elementos, torna-se crucial medir as suas concentrações nos organismos. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Elementos vestigiais e elementos raros terrestres, compostos presentes no ambiente marinho, são predominantemente transferidos através da dieta dos organismos. Dada a importância do alimento proveniente do mar como fonte de nutrientes essenciais para os humanos e os diversos riscos para a saúde associados a desequilíbrios destes elementos, torna-se crucial medir as suas concentrações nos organismos.</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">O bacalhau da Antártida (<em>Dissostichus mawsoni</em>), um predador de topo de vida longa do Oceano Antártico, é pescado anualmente na região. Devido às suas características biológicas e ecológicas, <em>D. mawsoni </em>está suscetível a acumular altas concentrações de elementos vestigiais, tornando-se num potencial bioindicador para as concentrações tanto de elementos vestigiais como de elementos raros no ecossistema de águas profundas do Oceano Antártico.</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Considerando o interesse comercial da espécie, os autores deste estudo abordaram de que forma é que o bacalhau da Antártida pode ser uma boa fonte de nutrientes para os consumidores, explorando também se os diferentes elementos vestigiais podem ser utilizados para determinar a origem da espécie. Para isso, foi determinada pela primeira vez a concentração de 27 elementos vestigiais e raros terrestres em amostras do músculo da espécie <em>D.</em> <em>mawsoni</em>, capturadas em três áreas dos mares de Amundsen e Dumont D’Urville na Antártida (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="300" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/01/Picture2.png" alt="" class="wp-image-6792" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/01/Picture2.png 567w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/01/Picture2-300x159.png 300w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" data-mwl-img-id="6792" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Resumo gráfico que ilustra as metodologias do estudo para a avaliação de elementos vestigiais e raros no bacalhau&nbsp; da Antártida (<em>Dissostichus mawsoni)</em>.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Como esperado, o estudo revelou que os elementos essenciais fundamentais, especialmente o potássio (K), exibiram as concentrações mais elevadas, enquanto que os elementos raros registraram os níveis mais baixos no músculo. Do mesmo modo, foram observadas diferenças entre as áreas de estudo, indicando que a concentração destes elementos nesta espécie varia geograficamente e em zonas de pesca adjacentes, com níveis mais altos identificados em indivíduos presentes na plataforma do Mar de Amundsen. Os autores sugerem que as disparidades possam estar relacionadas com variações na dieta da espécie, diferenças na composição da água do Oceano Antártico e tendências contrastantes nas alterações ambientais, que influenciam a incorporação de alguns elementos no ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, ao serem utilizados os comprimentos dos otólitos<strong> [1]</strong> como uma medida para o tamanho do peixe e os valores de δ15N <strong>[2]</strong> como um indicador da posição trófica no estudo, não foram encontradas evidências de bioacumulação destes elementos no músculo de <em>D. mawsoni</em>. Pelo contrário, as concentrações tendem a diminuir com o tamanho do peixe, sugerindo possíveis influências de um efeito de diluição ao longo do tempo, variações no metabolismo e conteúdo lipídico entre peixes mais jovens e adultos, ou fatores relacionados com o habitat. Para além disso, a ausência de correlações significativas com os valores de δ15N indica a inexistência de potencial de biomagnificação<strong> [3]</strong> nestas cadeias alimentares.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação posterior da potencial função de desintoxicação do selénio (Se) para o mercúrio (Hg) na espécie <em>D. mawsoni</em> foi significativa, especificamente quando as concentrações de mercúrio atingem níveis que podem ser prejudiciais para o organismo. Isto indica que o selénio pode desempenhar um papel crucial na proteção da Marlonga da Antártida contra os efeitos adversos de níveis elevados de mercúrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, de acordo com estes resultados, <em>D. mawsoni</em> destaca-se não apenas como bioindicador para as concentrações dos diferentes elementos vestigiais e raros terrestres no Oceano Antártico, revelando-se também como uma boa fonte de elementos essenciais fundamentais para os humanos, com concentrações superiores a algumas outras espécies de peixes marinhos de todo o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Definições:</p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Otólitos: Estruturas rígidas de carbonato de cálcio localizadas diretamente atrás do cérebro de peixes ósseos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] δ15N: Isótopo estável de nitrogénio que permite estimar a posição trófica dos consumidores na cadeia alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Biomagnificação: Aumento da concentração de uma substância nos tecidos de um organismo em níveis mais elevados da cadeia alimentar.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Referência: Queirós, J. P., Machado, J. F., Pereira, E., Bustamante, P., Carvalho, L., Soares, E., Stevens, D. W., &amp; Xavier, J. C. (2023). Antarctic toothfish Dissostichus mawsoni as a bioindicator of trace and rare earth elements in the Southern Ocean. <em>Chemosphere</em>, <em>321</em>, 138134. <a href="https://doi.org/10.1016/j.chemosphere.2023.138134">https://doi.org/10.1016/j.chemosphere.2023.138134</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Autora: Maria Soares</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Qual a importância do Krill Antártico e a tarefa de o gerir?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2023/09/15/qual-a-importancia-do-krill-antartico-e-a-tarefa-de-o-gerir/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Sep 2023 23:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Pesca]]></category>
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					<description><![CDATA[A grande maioria da população humana não conhece e provavelmente nunca ouviu falar da espécie krill antártico (Euphasia superba). Contudo esta pequena espécie marinha é designada por muitos cientistas como a mais importante na cadeia alimentar do Oceano austral, o oceano que circunda todo o continente antártico. O Krill é um pequeno crustáceo, como um [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A grande maioria da população humana não conhece e provavelmente nunca ouviu falar da espécie krill antártico (<em>Euphasia superba</em>). Contudo esta pequena espécie marinha é designada por muitos cientistas como a mais importante na cadeia alimentar do Oceano austral, o oceano que circunda todo o continente antártico. O Krill é um pequeno crustáceo, como um “mini-camarão” (figura 1), contudo estima-se que a sua biomassa esteja entre os 300 e 500 milhões de toneladas, o que o torna na maior biomassa de qualquer espécie multicelular no planeta. A parte do sector atlântico do oceano austral é onde reside 70%.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-medium is-resized"><img decoding="async" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/09/Krill-Antartico-300x206.png" alt="" class="wp-image-6586" style="width:500px" width="500" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/09/Krill-Antartico-300x206.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/09/Krill-Antartico-768x526.png 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/09/Krill-Antartico-474x324.png 474w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/09/Krill-Antartico.png 883w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" data-mwl-img-id="6586" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1. Krill Antártico (<em>Euphasia superba</em>).</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Assim, tanto devido à sua enorme quantidade, como os altos valores energéticos que contem (ex.: ómega-3) o krill é das principais presas para inúmeras espécies antárticas que conhecemos, desde os pinguins, focas, baleias, peixe e tantas outras espécies de albatrozes e petréis. Em algumas destas espécies o krill pode mesmo representar mais de 70% da dieta. A sua importância ecológica é assim inegável neste grande ecossistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por último, e como referenciado acima, o krill é um animal com características também bastante beneficiadoras para o próprio ser humano através de fármacos, como para outras das suas atividades através de rações ou fertilizantes naturais. Desta forma, existe uma pesca muito ativa, tornando a sua gestão laboriosa e altamente especial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesca ao Krill existe há mais de 50 anos, principalmente em torno da Península Antártica, dos arquipélagos da Shetland do Sul, Orkney do Sul e Geórgia do Sul. Inicialmente mais focada durante o verão, progrediu maioritariamente para operar no inverno: uma medida com o objetivo de evitar a competição entre a pesca e os predadores durante a época de reprodução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sua gestão é levada a cabo pela Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR), que tendo como base os surveys de biomassa, ou seja, uma amostra representativa da potencial biomassa em determinada aérea, estipula depois uma quota máxima de krill. Como prevenção e foco de sustentabilidade a CCAMLR referencia que 75% da biomassa original seja mantida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o quão difícil pode ser esta gestão?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Grande parte da discussão sobre a gestão da pesca de krill na CCAMLR tem-se centrado na proteção dos predadores de krill que se reproduzem em terra e nas operações de pesca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, nos últimos tempos, tem havido relativamente pouca discussão sobre os riscos que a pesca representa para a própria população de krill. A visão de sustentável até hoje, é agora desafiada pelos elevados níveis de variabilidade observados nos índices disponíveis de abundância de krill, principalmente nas últimas duas décadas, que variam em grandeza e no espaço crescente da pesca, resultando em que impactos locais substanciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de o ciclo de reprodução ser consideravelmente conhecido e estudado, o krill é bastante dependente tanto das correntes oceânicas como dos locais e condições ambientais onde os juvenis se conseguem desenvolver. E é aqui que hoje reside o problema. Com as presentes alterações climáticas e o decréscimo cada vez mais forte de gelo do mar, crucial no seu desenvolvimento, o recrutamento de krill tem variado fortemente entre anos, e espera-se que isso se reflita posteriormente na biomassa disponível. Muitos dos surveys anteriores foram realizados sobretudo no verão, deixando uma lacuna do seu ciclo na fase invernal. A própria pesca evoluiu bastante e é hoje muito mais concentrada tanto espacialmente como no tempo, tendo impactos muito mais repentinos na população. Adicionalmente este decréscimo de gelo do mar abre novas áreas disponíveis à indústria da pesca, o que gera ainda mais pressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A chave reside assim na compreensão do ciclo de reprodução e desenvolvimento do krill com as presentes condições ambientais e futuras prospeções. Tanto a ciência como a indústria pesqueira devem trabalhar par a par, de modo a termos o valor mais real da total biomassa de krill, e assim ajustarmos e aplicarmos melhores medidas. Para que deste modo, os benefícios para os humanos nunca corrompam a importância ecológica e biológica que esta fantástica espécie tem para o oceano austral e toda a região Antárctica.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Autor: José Abreu</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências: Meyer, B., Atkinson, A., Bernard, K.S. et al. Successful ecosystem-based management of Antarctic krill should address uncertainties in krill recruitment, behaviour and ecological adaptation. <em>Commun Earth Environ </em>1, 28 (2020). DOI: 10.1038/s43247-020-00026-1</p>
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		<title>Impacto das atividades pesqueiras nas populações do albatroz-errante, no Oceano Antártico</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2023/06/15/impacto-das-atividades-pesqueiras-nas-populacoes-do-albatroz-errante-no-oceano-antartico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 23:48:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Pesca]]></category>
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					<description><![CDATA[As atividades pesqueiras apresentam um papel crítico na conservação de muitos vertebrados marinhos, sendo uma ameaça a estes seres vivos por “bycatch” (1), colisão com embarcações ou sobrepesca dos seus recursos. Um exemplo de vertebrado marinho que enfrenta esta ameaça são os albatrozes. Aves marinhas que se alimentam de restos de outros organismos, sendo atraídas [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">As atividades pesqueiras apresentam um papel crítico na conservação de muitos vertebrados marinhos, sendo uma ameaça a estes seres vivos por “bycatch” (<strong>1</strong>), colisão com embarcações ou sobrepesca dos seus recursos. Um exemplo de vertebrado marinho que enfrenta esta ameaça são os albatrozes. Aves marinhas que se alimentam de restos de outros organismos, sendo atraídas pelos descartes das embarcações pesqueiras, os albatrozes percorrem longas distâncias à procura de alimento, o que os coloca em risco pelas atividades pesqueiras que ocorrem em águas nacionais e internacionais. Uma espécie muito afetada pelas ameaças referidas anteriormente é o albatroz-errante (<em>Diomedea exulans</em>). A população desta espécie na ilha Geórgia do Sul tem vindo a decrescer rapidamente desde os anos 1970.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo a estudar as interações entre o albatroz-errante e as atividades pesqueiras do oceano Antártico, utilizaram-se detetores de radar GPS e informação relativa à deslocação de embarcações pesqueiras. Este estudo teve em consideração as diferentes fases de vida do albatroz-errante e o sexo, variáveis que muitas vezes não são levadas em consideração nos estudos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados demonstraram que o uso de diferentes tipos de materiais e redes de pesca levam a que o número de visitas do albatroz-errante diferencie. As embarcações pesqueiras que utilizam palangreiros com linhas fixas têm uma maior probabilidade de serem vistas por esta ave marinha, quando comparadas com outros tipos de redes de pesca (arrasto de fundo<em>, squid jiggers- </em>iscas artificiais que atraem lulas-<em> e </em>palangreiros com redes de arrasto).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da análise da taxa de bycatch em relação às diferentes fases do ciclo de vida dos albatrozes-errantes, observou-se um aumento no número de visitas por estes durante o período de incubação (Fig. 1). No entanto, é importante referir que caso não ocorram descartes e se presas estiverem disponíveis nas redondezas, o albatroz não visita a embarcação.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/06/CaC202306.png" alt="" class="wp-image-6496" width="462" height="439" data-mwl-img-id="6496"/><figcaption class="wp-element-caption">Fig. 1 –Número de localizações com embarcações visitadas (a um raio de 5km da embarcação) em cada fase do ciclo de vida de albatrozes-errantes monitorizados na Geórgia do Sul.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Para a conservação do albatroz-errante e outras espécies de aves marinhas vulneráveis ao bycatch, é importante que ocorra comunicação com operadores e gerentes dos tipos de embarcações pesqueiras que se cruzam com estas espécies com mais frequência e, que sejam implementadas melhores práticas relativamente à mitigação de <em>bycatch</em> de aves marinhas; taxas de <em>bycatch</em> para aves marinhas e monitorização do cumprimento dessas regras.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Bycatch= Captura accidental de espécies que não são alvo da pescaria.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Referência: Carneiro, A. P. B., Clark, B. L., Pearmain, E. J., Clavelle, T., Wood, A. G., &amp; Phillips, R. A. (2022). Fine-scale associations between wandering albatrosses and fisheries in the southwest Atlantic Ocean. Biological Conservation, 276.  DOI: &nbsp;https://doi.org/10.1016/j.biocon.2022.109796</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autora: Mariana Quitério</p>
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