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	<title>Monitorização &#8211; APECS Portugal</title>
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	<description>Um site para os jovens cientistas e dos jovens cientistas para o Mundo</description>
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	<title>Monitorização &#8211; APECS Portugal</title>
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	<item>
		<title>Distribuição e ecologia das quatro espécies de Macrourus capturadas acidentalmente na pesca com palangre na Geórgia do Sul, no Oceano Antártico</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2026/04/30/distribuicao-e-ecologia-das-quatro-especies-de-macrourus-capturadas-acidentalmente-na-pesca-com-palangre-na-georgia-do-sul-no-oceano-antartico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 16:06:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[As águas da Geórgia do Sul estão entre as mais produtivas do Oceano Antártico, suportando pescas de palangre que têm como alvo a bacalhau da antárctida (Dissostichus eleginoides). No entanto, durante estas operações, quatro espécies de granadeiro Macrourus caml, Macrourus carinatus, Macrourus holotrachys e Macrourus whitsoni são regularmente capturadas como fauna acompanhante. Além disso, apesar [&#8230;]]]></description>
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<p>As águas da Geórgia do Sul estão entre as mais produtivas do Oceano Antártico, suportando pescas de palangre que têm como alvo a bacalhau da antárctida (<em>Dissostichus eleginoides</em>). No entanto, durante estas operações, quatro espécies de granadeiro<em> </em><em>Macrourus caml</em>, <em>Macrourus carinatus</em>, <em>Macrourus holotrachys</em> e <em>Macrourus whitsoni</em> são regularmente capturadas como fauna acompanhante. Além disso, apesar de serem frequentemente mencionadas nos registos pescatórios, estas espécies têm sido até agora identificadas apenas ao nível do género, impedindo qualquer distinção entre as quatro espécies. Esta agregação mascara as importantes diferenças biológicas entre elas e a verdadeira extensão dos efeitos da captura acessória.</p>



<p>Neste estudo, os investigadores realizaram a primeira avaliação biológica abrangente das quatro espécies de <em>Macrourus</em> capturadas nas águas da Geórgia do Sul, utilizando dados de pescas e de observadores recolhidos entre 2018 e 2022. Através da análise de padrões de distribuição, preferências de profundidade, razões de sexo e associações de habitat, a equipa conseguiu caracterizar cada espécie individualmente e avaliar as suas respetivas vulnerabilidades à pressão pesqueira.</p>



<p>Os resultados revelaram diferenças marcantes entre as espécies. Três das quatro apresentaram razões de sexo tendencialmente femininas, o que tem implicações diretas na produtividade dos stocks e na capacidade reprodutiva. Cada espécie ocupou também um intervalo de profundidade e uma distribuição geográfica distintos: <em>M. holotrachys</em> foi a mais frequentemente capturada e distribuiu-se amplamente entre os 1000 e os 1750 metros; <em>M. caml</em> mostrou a maior flexibilidade na utilização do habitat; <em>M. carinatus</em> concentrou-se na região ocidental; e <em>M. whitsoni</em> foi mais rara, encontrada principalmente em águas mais profundas, além dos 1500 metros, a nordeste e a leste.</p>



<p>Estes resultados evidenciam uma lacuna significativa na forma como a captura acessória é atualmente gerida. Reportar as espécies coletivamente ao nível do género oculta o facto de cada uma enfrentar diferentes níveis de risco, e de que o estado da pesca-alvo não é um indicador fiável do estado das espécies não-alvo. Os autores defendem que a monitorização ao nível da espécie e a recolha de dados rigorosa são essenciais para definir limiares de captura acessória significativos e assegurar a sustentabilidade a longo prazo das pescarias de dissosticha na área da CCAMLR.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="521" height="438" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/04/image-1.png" alt="" class="wp-image-8253" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/04/image-1.png 521w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/04/image-1-300x252.png 300w" sizes="(max-width: 521px) 100vw, 521px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Figura 1: </strong>Proporção (%) de fêmeas (F) e machos (M) em função da profundidade (m) das quatro espécies de Macrourus capturadas acidentalmente na pesca com palangre na Geórgia do Sul (subárea 48.3 da CCAMLR) entre 2018 e 2022.</em></figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Fonte:Abreu, José, et al. &#8220;Distribution and ecology of the four Macrourus species by‐caught in the longline fishery at South Georgia, Southern Ocean.&#8221;&nbsp;<em>Journal of Fish Biology</em>&nbsp;(2026).</p>



<p>Autor: Lucas Bastos</p>
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			</item>
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		<title>Diversidade de lagos e lagoas na transição entre tundra e floresta boreal: da limnicidade à limnodiversidade</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/03/30/diversidade-de-lagos-e-lagoas-na-transicao-entre-tundra-e-floresta-boreal-da-limnicidade-a-limnodiversidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Mar 2025 23:15:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[Sabias que as paisagens do Ártico e Subártico estão repletas de lagos e lagoas que desempenham um papel fundamental no equilíbrio do planeta? Estes corpos de água ajudam a regular o clima, sustentam a biodiversidade, e influenciam as emissões de gases com efeito de estufa. São como sensores naturais, que demonstram como a degradação do [&#8230;]]]></description>
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<p>Sabias que as paisagens do Ártico e Subártico estão repletas de lagos e lagoas que desempenham um papel fundamental no equilíbrio do planeta? Estes corpos de água ajudam a regular o clima, sustentam a biodiversidade, e influenciam as emissões de gases com efeito de estufa. São como sensores naturais, que demonstram como a degradação do permafrost está a transformar a paisagem!</p>



<p>Como falámos em novembro, uma equipa de investigadores desenvolveu uma ferramenta revolucionária chamada <em>HLWATER V1.0</em>, que consegue identificar automaticamente estes lagos. O estudo concentrou-se na região de Nunavik, no Subártico Canadiano, conhecida pelas suas paisagens impressionantes que misturam tundra, floresta boreal e uma grande diversidade de corpos de água, desde lagos glaciais a lagoas em turfeiras!</p>



<p>Mas e agora, que novidades trazem? Ora, identificar estes lagos não chega. É necessário estudá-los e compreender quais as suas características e padrões espaciais, e foi exatamente isto a que a equipa se dedicou neste novo artigo científico! Desta vez, o foco foi em 3 parâmetros dos lagos: limnicidade (dimensão) limnodensidade (quantidade) e limnodiversidade (diversidade ótica/ cores, um importante indicador da sua composição química).</p>



<p>E quais foram os resultados? Dos mais de 335 mil lagos desta região, 90% têm menos de 0.01km2 (ou seja, são minúsculos!!). Os lagos de maior dimensão localizam-se em depressões glaciais em setores de afloramentos rochosos. A maior limnodiversidade verifica-se nas vertentes dos vales, onde predominam depósitos silto-argilosos, e onde a degradação do permafrost é mais intensa. Para além disso, aqui é onde ocorre uma maior limnodiversidade, com lagos pretos e castanhos, ricos em matéria orgânica, e lagos castanho-claros ou brancos, onde predominam sedimentos de origem mineral.</p>



<p>Apesar de cobrirem apenas 2 a 7% da região, estas paisagens contêm mais de 1/3 de todos os corpos de água da região! E qual é a importância destes dados? Lamentavelmente, estes lagos não são apenas bonitos: eles libertam gases com efeito de estufa, influenciam o clima e afetam todo o planeta!</p>



<p>Agora que conseguimos mapear e analisar estes lagos com mais precisão, será que podemos prever como irão mudar no futuro? A ciência continua a investigar!</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Fonte:</strong> Freitas, P., Vieira, G., Martins, D., Canário, J., Pina, P., Heim, B., … Vincent, W. F. (2024). Diversity of lakes and ponds in the forest-tundra ecozone: from limnicity to limnodiversity. GIScience &amp; Remote Sensing, 61(1). </p>



<p><strong>Autora: </strong>Diana Martins</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Um modelo Mask R-CNN treinado a partir de imagens PlanetScope para mapeamento de alta resolução de águas superficiais em florestas boreais e tundras</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/11/30/um-modelo-mask-r-cnn-treinado-a-partir-de-imagens-planetscope-para-mapeamento-de-alta-resolucao-de-aguas-superficiais-em-florestas-boreais-e-tundras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Nov 2024 14:57:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[Os pequenos lagos e lagoas do Ártico e Subártico são verdadeiros heróis invisíveis dos ecossistemas polares! Apesar do seu tamanho reduzido, têm um impacto gigantesco: ajudam a regular o clima, sustentam a biodiversidade, e influenciam as emissões de gases com efeito de estufa. No entanto, mapear com precisão estas superfícies de água minúsculas (menos de [&#8230;]]]></description>
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<p>Os pequenos lagos e lagoas do Ártico e Subártico são verdadeiros heróis invisíveis dos ecossistemas polares! Apesar do seu tamanho reduzido, têm um impacto gigantesco: ajudam a regular o clima, sustentam a biodiversidade, e influenciam as emissões de gases com efeito de estufa. No entanto, mapear com precisão estas superfícies de água minúsculas (menos de 0,01 km²) é um desafio, especialmente porque são dinâmicas e mudam rapidamente com a degradação do permafrost, libertando gases como metano e dióxido de carbono.</p>



<p>Mas há boas notícias! Uma equipa de investigadores desenvolveu uma ferramenta revolucionária chamada <em>HLWATER V1.0</em>, baseada em inteligência artificial (IA). Utilizando o modelo Mask R-CNN, treinado com imagens de satélite de alta resolução da PlanetScope, esta ferramenta consegue identificar automaticamente lagos e lagoas com até 166 m². O estudo concentrou-se na região de Nunavik, no Subártico Canadiano, conhecida pelas suas paisagens impressionantes que misturam tundra, floresta boreal e uma grande diversidade de corpos de água, desde lagos glaciais a lagoas em turfeiras.</p>



<p>E os resultados? Surpreendentes! O modelo de IA revelou-se extremamente eficaz, até mesmo em locais onde as técnicas tradicionais não funcionam. Esta inovação pode agora ser usada para monitorizar grandes áreas do Ártico e Subártico, oferecendo uma visão detalhada e abrangente destes ecossistemas vitais. Além disso, melhora a nossa capacidade de seguir as mudanças nos pequenos corpos de água, ajudando a compreender melhor os impactos das alterações climáticas e o papel crucial do permafrost no ciclo do carbono. </p>



<p>Este estudo mostra o poder transformador da inteligência artificial e da tecnologia de satélite para a proteção ambiental, reforçando o esforço global de adaptação à mudança climática e de proteção do nosso planeta!</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Fonte</strong>: Freitas, P., Vieira, G., Canário, J., Vincent, W., Pina, P., &amp; Mora, C. (2024). A trained Mask R-CNN model over PlanetScope imagery for very-high resolution surface water mapping in boreal forest-tundra. Remote Sensing of Environment. 304. 10.1016/j.rse.2024.114047.  </p>



<p><strong>Autora: </strong>Diana Martins</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Alterações de longo prazo no habitat e nível trófico das lulas do Oceano Austral</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2024/09/13/alteracoes-de-longo-prazo-no-habitat-e-nivel-trofico-das-lulas-do-oceano-austral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Sep 2024 13:51:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[As lulas são pelágicas e alimentam-se de uma variedade de presas, incluindo peixes, cefalópodes e crustáceos, com a sua dieta a mudar ao longo das suas vidas. Desempenhando um papel fundamental no ecossistema do Oceano Austral, servindo de presa para inúmeros predadores, incluindo baleias, focas, aves marinhas e peixes, com cerca de 34 milhões de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As lulas são pelágicas e alimentam-se de uma variedade de presas, incluindo peixes, cefalópodes e crustáceos, com a sua dieta a mudar ao longo das suas vidas. Desempenhando um papel fundamental no ecossistema do Oceano Austral, servindo de presa para inúmeros predadores, incluindo baleias, focas, aves marinhas e peixes, com cerca de 34 milhões de toneladas de lulas sendo consumidas anualmente nesta região. Considerando a sua importância no ecossistema do Oceano Austral, este estudo analisa a dinâmica ecológica a longo prazo de cinco espécies-chave de lulas ao longo das últimas cinco décadas. O estudo foca-se em como estas espécies de lulas se adaptaram às condições ambientais em mudança, particularmente o Índice de Oscilação Sul (SOI) e o Modo Anular Sul (SAM), analisando os valores de isótopos estáveis (δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N) em bicos de lulas encontrados na dieta de albatrozes-errantes.</p>



<p>O estudo encontrou mudanças significativas no habitat de quatro das cinco espécies de lulas, conforme indicado pelas alterações nos valores de δ<sup>13</sup>C. Isto sugere que estas espécies mudaram as suas distribuições geográficas ao longo do tempo, provavelmente em resposta às alterações ambientais<em>. Taonius sp. B, Gonatus antarcticus, Galiteuthis glacialis </em>e<em> Histioteuthis atlantica </em>mostraram todas mudanças no habitat, deslocando-se para regiões mais a norte ao longo das décadas. <em>Moroteuthopsis longimana </em>(Figura 1) foi a única espécie que manteve um uso consistente do habitat, indicando uma tolerância potencialmente maior às mudanças ambientais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" width="1200" height="675" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited.jpeg" alt="BBC Four - Deep Ocean: Giants of the Antarctic Deep" class="wp-image-7112" style="width:720px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited.jpeg 1200w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited-300x169.jpeg 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited-1024x576.jpeg 1024w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited-768x432.jpeg 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-edited-800x450.jpeg 800w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1- Espécimen de Moroteuthopsis longimana (© BBC | Giants of the Antarctic Deep).</figcaption></figure>
</div>


<p>Apesar das mudanças no habitat, os níveis tróficos de todas as cinco espécies de lulas, conforme concluido pelos valores de δ<sup>15</sup>N, mantiveram-se relativamente estáveis durante o período de estudo. Isto sugere que os seus papéis na cadeia alimentar não se alteraram significativamente, mantendo a sua importância como presas de predadores de topo.</p>



<p>Das cinco espécies, apenas <em>Taonius sp. B</em> mostrou uma correlação significativa entre os seus valores de isótopos e os índices ambientais (SOI e SAM), indicando que estes fatores climáticos influenciaram diretamente o seu nível trófico e habitat. </p>



<p>O estudo sugere que, enquanto as lulas do Oceano Antártico alteraram o seu habitat em resposta às condições ambientais em mudança, os seus papéis tróficos permaneceram estáveis. Esta adaptabilidade poderá garantir a sua contínua importância no ecossistema do Oceano Austral, mesmo com o progresso das alterações climáticas. Os resultados destacam a potencial resiliência destas espécies à variabilidade ambiental e o seu papel crítico na cadeia alimentar marinha. Este estudo fornece informações valiosas sobre as respostas ecológicas de espécies-chave de nécton no Oceano Austral, o que poderá ser crucial para prever futuras mudanças no ecossistema devido às alterações climáticas em curso.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Referência:</strong> Abreu J, Phillips RA, Ceia FR, Ireland L, Paiva VH, Xavier JC (2020) Long-term changes in habitat and trophic level of Southern Ocean squid in relation to environmental conditions. Sci Rep</p>



<p><strong>DOI:</strong> 10.1038/s41598-020-72103-6</p>



<p><strong>Autora:</strong> Sara Santos</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Vegetação como Bioindicador do Degelo</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2023/07/15/vegetacao-como-bioindicador-do-degelo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jul 2023 23:29:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[A cobertura de neve das regiões polares é uma componente importante do sistema climático global, não só porque modifica fluxos de energia e de humidade entre a superfície do solo e a atmosfera, mas também por atuar como uma reserva de água nos sistemas hidrológicos. Ao longo dos últimos anos, diversos estudos afirmaram a diminuição [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A cobertura de neve das regiões polares é uma componente importante do sistema climático global, não só porque modifica fluxos de energia e de humidade entre a superfície do solo e a atmosfera, mas também por atuar como uma reserva de água nos sistemas hidrológicos. Ao longo dos últimos anos, diversos estudos afirmaram a diminuição da espessura da neve nos polos e avaliaram as consequências dessa variação num futuro próximo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Estas alterações podem possuir efeitos importantes nos ecossistemas, especialmente quando a variabilidade espacial da cobertura é elevada, influenciando as condições biogeoquímicas (exemplos: humidade, temperatura, nutrientes) do solo subjacente, bem como a vegetação e a luz. Deste modo, controla também a distribuição das espécies, a duração da fase de crescimento e a fenologia das mesmas.</p>



<p>O estudo em destaque este mês foi realizado na ilha Signy, na Antártida (Fig. 1), onde a espessura da neve e a distribuição da área foram monitorizadas com a utilização de uma câmara de lapso de tempo, numa grelha 15 x 20 metros durante um período de 8 anos (2009-2017).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-2-974x1024.webp" alt="" class="wp-image-6506" width="487" height="512" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-2-974x1024.webp 974w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-2-285x300.webp 285w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-2-768x807.webp 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-2-1461x1536.webp 1461w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-2-1948x2048.webp 1948w" sizes="(max-width: 487px) 100vw, 487px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fig. 1- (a) Localização da Ilha Signy; (b) Local de estudo (ponto vermelho) e Estação de Investigação de Signy (ponto preto); (c) Exemplo de uma grelha de neve usada durante o estudo.</figcaption></figure>
</div>


<p>Os resultados confirmaram a elevada variabilidade espacial e temporal do manto de neve. Durante o período de estudo, a profundidade média anual da neve variou entre 5,6 cm (2017) e 11,1 cm (2012), enquanto o máximo da profundidade média diária da neve em toda a grelha variou entre 17,1 cm (2017) e 50,1 cm (2015). Embora não tenha sido visível qualquer tendência temporal, foi observada uma forte correlação com a temperatura média anual do ar, sugerindo que um possível aquecimento futuro poderá diminuir a profundidade da neve na zona.</p>



<p>Além disso, foi também possível verificar a presença de vegetação como bioindicador da espessura da neve, em conformidade com estudos realizados anteriormente.</p>



<p>Por exemplo, a vegetação dominada por <em>Andreaea</em> spp. está associada a uma cobertura de neve mais fina, sendo que esta comunidade de musgos almofadados ocorre em habitats expostos, secos a húmidos, com fornecimento intermitente de água após o fim da fusão da neve na primavera. Já na cobertura de neve mais espessa, encontra-se uma comunidade de musgo dominada por <em>Sanionia</em> <em>uncinata</em>, a qual requer uma maior disponibilidade de água, com ocorrência em habitats mésicos e hídricos.</p>



<p>Foi observado que a vegetação de líquenes dominada por <em>Usnea</em> está limitada a áreas com baixa cobertura de neve, pelo que se pode confirmar que esta formação vegetal pode ser indicadora de zonas com baixa acumulação de neve. Para além disso, a sua presença está associada a uma fusão mais precoce da neve, (Fig. 2 – C), uma vez que a estrutura, cor e propriedades térmicas favorecem essa fusão precoce e atrasam a acumulação de neve.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-3-426x1024.webp" alt="" class="wp-image-6507" width="320" height="768" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-3-426x1024.webp 426w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-3-125x300.webp 125w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-3-768x1845.webp 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-3-639x1536.webp 639w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-3-853x2048.webp 853w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/07/Ciencia-as-Claras-Julho-2023-3.webp 992w" sizes="(max-width: 320px) 100vw, 320px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fig. 2. Exemplos de distribuição de neve na ilha de Signy: (a) A neve tende a acumular-se em depressões. Data: 20/02/2013; (b) A redistribuição da neve pelo vento tende a acumular-se na presença de obstáculos (por exemplo, a estaca d5 está completamente coberta de neve). Data: 20/06/2009; (c) A neve localizada na formação de líquenes de <em>Usnea</em> derrete mais cedo do que noutros tipos de coberto vegetal. Data: 27/10/2015.</figcaption></figure>
</div>


<p>Estes dados demonstram a importância da microtopografia e da direção do vento, bem como o tipo de cobertura do solo (vegetação), nos padrões de cobertura de neve, uma vez que estes fatores influenciam os processos de acumulação, redistribuição e ablação da neve. Salienta-se também a importância da monitorização espacial da acumulação de neve a uma pequena escala física, a fim de prever os efeitos futuros das alterações climáticas em ecossistemas terrestres sensíveis da Antártida.</p>



<p class="has-text-align-center">__________________________</p>



<p>Referência: Tarca, G., Guglielmin, M., Convey, P., Worland, M. R. &amp; Cannone, N. Small-scale spatial–temporal variability in snow cover and relationships with vegetation and climate in maritime Antarctica. <em>Catena</em> vol. 208 105739 (2022). DOI: <a href="https://doi.org/10.1016/j.catena.2021.105739">10.1016/j.catena.2021.10573</a></p>



<p>Autora: Márcia Dias<br><br></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Usar drones para estudar o comportamento dos ursos polares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Dec 2022 00:18:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies terrestres]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[O aumento das temperaturas que se tem verificado no Ártico tem resultado numa rápida deterioração da cobertura sazonal de gelo marinho, sendo a maior ameaça para o urso polar (Ursus maritimus Phipps, 1774). Os ursos polares caçam principalmente mamíferos marinhos recorrendo para tal às plataformas de gelo marinho que se formam. No entanto, devido à [&#8230;]]]></description>
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<p>O aumento das temperaturas que se tem verificado no Ártico tem resultado numa rápida deterioração da cobertura sazonal de gelo marinho, sendo a maior ameaça para o urso polar (<em>Ursus maritimus</em> Phipps, 1774). Os ursos polares caçam principalmente mamíferos marinhos recorrendo para tal às plataformas de gelo marinho que se formam. No entanto, devido à diminuição da extensão deste gelo, começam a ter grandes dificuldades em procurar e capturar as suas presas. Consequentemente, esta diminuição no acesso às presas provoca um ciclo de efeitos negativos, desde a redução da condição corporal dos ursos polares, à diminuição do número de crias e, em algumas regiões, ao declínio populacional.</p>



<p>Apesar da existência de vários estudos que abordam o efeito que o clima induz na extensão do gelo marinho e consequentemente nas populações de ursos polares, é igualmente fundamental perceber quais os impactos que as alterações climáticas podem ter no comportamento individual desta espécie (ex.: aumento da procura de recursos terrestres; aumento dos conflitos urso-homem).</p>



<p>Desta forma, os drones tem-se tornado numa importante ferramenta para realizar investigações na área da conservação da vida selvagem, uma vez que, é cada vez mais reconhecida como uma alternativa aos métodos tradicionais para a recolha de dados. Sendo uma ferramenta acessível e não invasiva, pode corresponder a uma boa alternativa para recolher dados sem perturbar a vida selvagem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/12/urso-polar.png" alt="" class="wp-image-5720" width="510" height="419" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/12/urso-polar.png 680w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/12/urso-polar-300x246.png 300w" sizes="(max-width: 510px) 100vw, 510px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1. Drone pairando sobre um urso polar em East Bay Island (Nunavut, Canadá). Esta imagem demonstra polar.</figcaption></figure>
</div>


<p>Neste estudo os autores pretendem então destacar quais os benefícios de recorrer à utilização de drones para estudar o comportamento dos ursos polares. Para tal, utilizaram drones para estudar o comportamento de procura e captura de presas de ursos polares em East Bay Island, Nunavut, Canadá (64°01&#8217;47.00” N, 81 °47&#8217;16.7” W) ao longo de três temporadas de campo (2016 – 2018).</p>



<p>Relativamente aos benefícios que a utilização de drones podem trazer aos estudos de comportamento do urso polar, os autores dividem-nos nos seguintes campos:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Segurança humana e do urso&nbsp;</li>



<li>Recolha e qualidade de dados&nbsp;</li>



<li>Armazenamento e revisão de dados&nbsp;</li>



<li>Oportunidades de colaborar com comunidades locais</li>
</ul>



<p>Além destes benefícios, os autores identificaram ainda potenciais aplicações que os drones poderão ter no estudo do comportamento dos ursos polares:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Comportamento de procura de presas</li>



<li>Interações interespecíficas</li>



<li>Interação Homem-Urso</li>



<li>Segurança humana e mitigação de conflitos</li>



<li>Localização do local da toca</li>
</ul>



<p>Estudar as respostas individuais dos ursos polares aos efeitos climáticos permitirá recolher informação sobre o seu comportamento individual e consequentemente poderá ajudar a caracterizar as tendências populacionais. O recurso ao drone pode ser um mecanismo bastante útil para compreender qual o comportamento do urso polar a nível individual em pequenas escalas espaciais, onde muitas vezes os mecanismos tradicionais e os próprios investigadores são incapazes de chegar e monitorizar. Desta forma, o drone pode ser no presente e no futuro uma ferramenta crucial na ajuda a conservação desta espécie, dando dados outrora desconhecidos aos cientistas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/12/imagem-drone.png" alt="" class="wp-image-5721" width="510" height="420" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/12/imagem-drone.png 680w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/12/imagem-drone-300x247.png 300w" sizes="(max-width: 510px) 100vw, 510px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 2. Captura por drone de dois ursos polares a nadar na água ao largo da costa de Ilha da Baía Leste.</figcaption></figure>
</div>


<p>Autores: Joana Fragão e José Abreu</p>



<p>Fonte: Jagielski, P. M., Barnas, A. F., Grant Gilchrist, H., Richardson, E. S., Love, O. P., &amp; Semeniuk, C. A. (2022). The utility of drones for studying polar bear behaviour in the Canadian Arctic: opportunities and recommendations. Drone Systems and Applications, 10(1), 97-110.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Pinguins Rei – eventos climáticos com diferentes resultados!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Nov 2022 23:49:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[Os eventos caracterizados por altas temperaturas nos oceanos têm vindo a ser cada vez mais comuns, incluindo no Oceano Austral. Oceano este, onde habitam inúmeras espécies, grande parte endémicas desta região, devido à dinâmica e interação de correntes de água desta parte do planeta, e que acabam por ser bastante mais sensíveis a estes eventos. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os eventos caracterizados por altas temperaturas nos oceanos têm vindo a ser cada vez mais comuns, incluindo no Oceano Austral.</p>



<p>Oceano este, onde habitam inúmeras espécies, grande parte endémicas desta região, devido à dinâmica e interação de correntes de água desta parte do planeta, e que acabam por ser bastante mais sensíveis a estes eventos. Uma das correntes mais importantes para presas e predadores no Oceano Austral, é a Frente Polar. Contudo com o progressivo aumento da temperatura no oceano, espera-se que a Frente Polar se contrai-a em direção a sul, ao continente Antártico. Assim estas mudanças espaciais da Frente podem causar dificuldades para os predadores que nela procuram as suas presas.</p>



<p>Interessantemente, estas alterações climáticas no oceano, ao contrário do que habitualmente julgamos, podem ter consequências diferentes na mesma espécie.</p>



<p>É aqui que entram os Pinguins Reis. Entre as várias colónias que existem espalhadas no Pólo Sul, duas delas encontram-se nas ilhas Kerguelen e nas ilhas Crozet, que se distanciam 1400km. No entanto, nos últimos anos, tem tido direções diferentes, com a população das Kerguelen a crescer e das ilhas Crozet a diminuir significativamente.</p>



<p>Assim de modo a perceber a influência destes eventos com altas temperaturas no oceano nestas populações e averiguar se seriam cúmplices deste desfecho, uma equipa analisou 25 anos de dados. Analisaram onde os pinguins procuravam alimento e quanto demoravam, o número e o sucesso das crias, incluindo o seu peso.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/11/Ilhas-Kerguelen-e-Crozet-1-1024x378.png" alt="" class="wp-image-5687" width="768" height="284" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/11/Ilhas-Kerguelen-e-Crozet-1-1024x378.png 1024w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/11/Ilhas-Kerguelen-e-Crozet-1-300x111.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/11/Ilhas-Kerguelen-e-Crozet-1-768x283.png 768w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/11/Ilhas-Kerguelen-e-Crozet-1-1536x567.png 1536w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/11/Ilhas-Kerguelen-e-Crozet-1-2048x755.png 2048w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1. Ilhas Kerguelen e Crozet. Posição da Frente Polar e colónias de Pinguins Rei.</figcaption></figure>
</div>


<p>Os resultados são interessantes, e completamente distintos. &nbsp;No geral confirmaram que o sucesso reprodutivo dos pinguins rei, varia dramaticamente de ano para ano, sobretudo devido às diferenças climáticas. Contudo de forma diferente nas duas ilhas. Nas Kerguelen a posição da frente é muito mais próxima à ilha, e as alterações que sofre na sua posição no oceano não afetam significativamente a captura de presas para as crias por parte dos casais pinguins. Os investigadores sugerem inclusive, que é possível que estas temperaturas mais altas estejam a ter um efeito positivo na abundância e crescimento das presas e consequentemente um maior sucesso reprodutivo na população de pinguins. Paralelamente, durante o inverno, estas condições mais quentes estarão a aumentar a probabilidade de sobrevivência das crias. Nas Ilhas Crozet, a população de pinguins rei tem vindo a diminuir. Nesta ilha posição da Frente Polar, tem variado entre os 217 e 642km à ilha, 10x mais quando comparado com as Kerguelen. Devido as características de cada região, a posição da Frente Polar é muito mais móvel em Crozet, sendo ainda mais acentuado durante estes eventos de temperaturas oceânicas altas. Assim, os pinguins rei vem se obrigados a percorrer maiores distâncias para encontrar presas, quando comparado com Kerguelen. Consequentemente, este aumento no gasto de tempo e energia, e por vezes insucesso na captura de presas, se reflita numa maior probabilidade de morte das crias.</p>



<p>No futuro com o continuar destas alterações e eventos climáticos, a Frente Polar deverá continuara também a deslocar-se para sul. Assim como podemos constatar o mesmo processo terá resultados completamente distintos nos pinguins rei de duas ilhas subantárticas. Esperando que a população em Kerguelen continue a crescer e venha a substituir a colónia de Crozet, que continua a ver os números a diminuir.</p>



<p>Assim, é sempre importante avaliar e ter em consideração não só os processos em grande escala como as características locais e regionais de modo a obter resultados mais fiáveis com que possamos agir corretamente.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Fonte: Brisson‐Curadeau, É., Elliott, K., &amp; Bost, C. A. (2022). Contrasting bottom‐up effects of warming ocean on two king penguin populations. Global Change Biology <a href="https://doi.org/10.1111/gcb.16519">https://doi.org/10.1111/gcb.16519</a></p>



<p>Autor: José Abreu</p>
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		<title>Forte Ressurgimento da Baleia de Bossa no Atlântico Sul</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jul 2022 00:55:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[O que hoje tomamos por garantindo, foi em tempos severamente ameaçado e continua atualmente a exigir forte proteção. Um exemplo desta situação, foi a exploração comercial de inúmeras espécies de baleias durante os séculos 19 e 20, estimando-se que só no hemisfério sul tenham sido capturadas mais de 2 milhões de baleias. Foi apenas na [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que hoje tomamos por garantindo, foi em tempos severamente ameaçado e continua atualmente a exigir forte proteção. Um exemplo desta situação, foi a exploração comercial de inúmeras espécies de baleias durante os séculos 19 e 20, estimando-se que só no hemisfério sul tenham sido capturadas mais de 2 milhões de baleias. Foi apenas na década de 1960 que houve uma proibição total à pesca de baleia, e se deu início à sua lenta recuperação. Entre as espécies exploradas, está a baleia de bossa (<em>Megaptera novaeangliae</em>), com tamanho em torno dos 15 metros de comprimento e 40 toneladas, quando adultas.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/08/d5d705_3da7208d833446e08f9cf97a1098c1b0mv2.png" alt="" class="wp-image-3869" width="557" height="372" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/08/d5d705_3da7208d833446e08f9cf97a1098c1b0mv2.png 743w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/08/d5d705_3da7208d833446e08f9cf97a1098c1b0mv2-300x200.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/08/d5d705_3da7208d833446e08f9cf97a1098c1b0mv2-391x260.png 391w" sizes="(max-width: 557px) 100vw, 557px" /><figcaption>Baleia de bossa nas águas da Geórgia do Sul.</figcaption></figure></div>



<p id="viewer-d5fj">Esta espécie, como tantas outras de baleias, movimenta-se pelo oceano, entre os seus locais de reprodução e alimentação. As baleias de bossa, realizam grandes migrações anualmente, alimentando-se nas águas polares antárticas durante o verão austral.</p>



<p id="viewer-7hqk7">Antes da exploração comercial, as Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, na parte Atlântica do Oceano Austral, eram um dos habitats mais importantes para esta baleia. Esta área é rica em camarão antártico (ou krill), a sua presa principal. Devido a esta riqueza, estas ilhas são também um importante local de pesca de krill. Devido ao estabelecimento de uma área marinha protegida nesta região, a pesca é condicionada por exemplo por zonas permanentemente fechadas à pesca.</p>



<p id="viewer-cvkkt">Um estudo recente procurou perceber de que maneira as medidas de proteção do krill e da sua pesca establecidas nesta área protegida estão a proteger os locais de alimentação das baleias de bossa. Com o uso de marcadores por satélite colocados perto da barbatana dorsal das baleias de bossa entre 2003 e 2020, foi possível seguir os movimentos destas baleias, desde a costa do Brasil, local de reprodução, e as ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, local de alimentação. Estes movimentos, foram depois analisados tento em conta a agregação de krill, e fatores ambientais (por exemplo, temperatura da água, concentração de ferro, profundidade, e mês).</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/08/d5d705_15126ea5801e426ebd882df71a1bf114mv2.png" alt="" class="wp-image-3870" width="620" height="458" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/08/d5d705_15126ea5801e426ebd882df71a1bf114mv2.png 826w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/08/d5d705_15126ea5801e426ebd882df71a1bf114mv2-300x222.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/08/d5d705_15126ea5801e426ebd882df71a1bf114mv2-768x567.png 768w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /><figcaption>Rota migratória da Baleia de Bossa entre a costa do Brasil e as ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul. Linha preta é o limite da área marinha protegida desta ilha.</figcaption></figure></div>



<p id="viewer-10bk3">Com estes dados foi possível analisar a existência ou ausência das baleias de bossa nos vários locais e os fatores que mais influenciaram a presença nestes locais. Nos primeiros meses aquando da sua chegada, as baleias estão mais concentradas num canal profundo da ilha Sandwich do Sul com cerca de 2000 metros, com grandes concentrações de ferro, que é indicativo de grande produtividade biológica, sendo a possível razão para a presença nesta zona. À medida que o verão avança as baleias movimentam-se para a plataforma da Ilha Geórgia, onde &gt;90% das baleias marcadas estavam dentro dos limites da área marinha protegida, onde não ocorre pesca de krill durante estes meses. As baleias de bossa são cada vez mais frequentes nestas águas e parecem estar a recuperar aos níveis de pré-exploração, sendo excelentes notícias.</p>



<p id="viewer-fspf8">A gestão dos recursos no oceano austral ainda não inclui as várias espécies de baleia, ao contrário de pinguins, focas, e aves marinhas, espécies que se alimentam também de krill. No entanto, no futuro com mais informação, será possível caminhar nessa direção.</p>



<p id="viewer-5hnod">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>



<p id="viewer-fapdj"><strong>Fonte:</strong> Bamford, C. C. G., Jackson, J. A., Kennedy, A. K., Trathan, P. N., Staniland, I. J., Andriolo, A., &amp; Zerbini, A. N. (2022). Humpback whale (Megaptera novaeangliae) distribution and movements in the vicinity of South Georgia and the South Sandwich Islands Marine Protected Area. <em>Deep Sea Research Part II: Topical Studies in Oceanography</em>, <em>198</em>, 105074. <a rel="noreferrer noopener" href="https://doi.org/10.1016/j.dsr2.2022.105074" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.dsr2.2022.105074</a></p>



<p id="viewer-42htf"><strong>Autor:</strong> José Abreu</p>
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		<item>
		<title>Poluentes orgânicos persistentes: Implicações nos ecossistemas Antárticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 May 2022 23:47:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos últimos anos tem-se vindo a verificar um aumento do número de cientistas e de turistas na região da Antártida, o que leva a um aumento bastante significativo da pegada antropogénica nos ecossistemas antárticos. Vários são os estudos que têm surgido nos últimos anos e dão conta de macro e microplásticos, de poluentes orgânicos persistentes [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos últimos anos tem-se vindo a verificar um aumento do número de cientistas e de turistas na região da Antártida, o que leva a um aumento bastante significativo da pegada antropogénica nos ecossistemas antárticos. Vários são os estudos que têm surgido nos últimos anos e dão conta de macro e microplásticos, de poluentes orgânicos persistentes (POPs) e produtos farmacêuticos e de cuidados pessoais (PPCPs), que têm emergido nos ecossistemas polares. No entanto, e no que diz respeito a estes últimos, pouco se sabe sobre a sua presença em organismos das cadeias alimentares, especialmente na comunidade fitoplanctônica, que é a base da cadeia alimentar.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="360" height="245" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/06/d5d705_69221ed7ace94e0ca377b170b3ce8795mv2.webp" alt="" class="wp-image-3024" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/06/d5d705_69221ed7ace94e0ca377b170b3ce8795mv2.webp 360w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/06/d5d705_69221ed7ace94e0ca377b170b3ce8795mv2-300x204.webp 300w" sizes="(max-width: 360px) 100vw, 360px" /><figcaption>Turismo na Antártida. Fotografia de Peter Prokosch</figcaption></figure></div>



<p id="viewer-frgp7">Num estudo recente, jovens cientistas portugueses recorreram a técnicas de espetrofotometria de massa para analisarem pela primeira vez a presença de contaminantes emergentes (como os POPs e os PPCPs) na comunidade fitoplanctônica de uma ilha remota na Antártida, a qual é visitada por fins turísticos e científicos, proporcionando assim informações importante sobre a pegada humana deixada nestes ecossistemas remotos.</p>



<p id="viewer-2qdh5">Foram detetados mais de 70 poluentes persistentes de origem humana (incluindo POPs e PPCPs, entre outros). No geral, a variedade e uso dos compostos detetados podem estar ligados tanto a atividades terrestres como atividades marinhas, evidenciando assim a contribuição antropogénica no ecossistema da Antártida. A deteção destes compostos na base da cadeia alimentar da Antártida, os quais podem ser potencialmente tóxicos consoante a sua concentração, poderá trazer implicações bastante graves para toda a estrutura trófica do ecossistema, uma vez que irá colocar em risco os diversos organismos.</p>



<p id="viewer-d31r4">Posto isto, este estudo vem enfatizar a lacuna de conhecimento que se verifica relativamente aos efeitos potencialmente tóxicos que estes poluentes podem ter nos diversos organismos da cadeia alimentar da Antártida. Vem ainda realçar a necessidade de revisão das diretrizes impostas pelo Tratado da Antártida e pelo Protocolo de Proteção Ambiental ao Tratado da Antártida, de forma a que haja um controlo e evitamento da proliferação destes e outros PPCPs em ambientes remotos tão únicos como é o caso da Antártida.</p>



<p id="viewer-2etaa">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>



<p id="viewer-2o465"><strong>Fonte:</strong>Duarte, B., Gameiro, C., Matos, A. R., Figueiredo, A., Silva, M. S., Cordeiro, C., Caçador, I., Reis-Santos, P., Fonseca, V., &amp; Cabrita, M. T. (2021). First screening of biocides, persistent organic pollutants, pharmaceutical and personal care products in Antarctic phytoplankton from Deception Island by FT-ICR-MS. <em>Chemosphere</em>, <em>274</em>, 129860. <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0045653521003295?via%3Dihub" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>https://doi.org/10.1016/j.chemosphere.2021.129860</u></a></p>



<p id="viewer-5f32t"><strong>Autora: </strong>Joana Fragão</p>
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		<item>
		<title>A cor do oceano, uma variável climática essencial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2018 00:15:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[A observação da Terra a partir do espaço é considerada uma peça fundamental da segunda revolução Copernicana. Na primeira revolução, o Homem cedeu ao egocentrismo para perceber a sua real posição no Universo. Na altura, o telescópio permitiu perceber que somos apenas uma improvável e pequena parte no enorme Universo. Hoje, nesta segunda revolução, os [&#8230;]]]></description>
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<p id="viewer-555bf">A observação da Terra a partir do espaço é considerada uma peça fundamental da segunda revolução Copernicana. Na primeira revolução, o Homem cedeu ao egocentrismo para perceber a sua real posição no Universo. Na altura, o telescópio permitiu perceber que somos apenas uma improvável e pequena parte no enorme Universo. Hoje, nesta segunda revolução, os satélites ajudam-nos a melhor perceber a Terra, obrigando a um passo psicológico ainda mais difícil: admitir que sem o devido cuidado podemos comprometer a nossa própria sobrevivência.</p>



<p id="viewer-4qv3t">As alterações climáticas são uma realidade e os satélites têm ajudado a medir os efeitos do aumento da temperatura global. Para tal, as <a rel="noreferrer noopener" href="http://cci.esa.int/content/what-ecv" target="_blank"><u>Nações Unidas definiram várias variáveis</u></a> que podemos medir de forma sistemática a partir do espaço, recolhendo grandes quantidades de informação. Uma delas é a Cor do Oceano que nos ajuda a perceber a concentração de fitoplâncton na água. Porque o fitoplâncton contém clorofila, uma imagem da superfície da água pode parecer mais esverdeada.<br><a rel="noreferrer noopener" href="https://courses.lumenlearning.com/boundless-biology/chapter/the-light-dependent-reactions-of-photosynthesis/" target="_blank"></a></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="360" height="201" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/04/d5d705_78f29279a08043fdb67f02f3cbf12127mv2.webp" alt="" class="wp-image-2480" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_78f29279a08043fdb67f02f3cbf12127mv2.webp 360w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_78f29279a08043fdb67f02f3cbf12127mv2-300x168.webp 300w" sizes="(max-width: 360px) 100vw, 360px" /><figcaption><a rel="noreferrer noopener" href="https://courses.lumenlearning.com/boundless-biology/chapter/the-light-dependent-reactions-of-photosynthesis/" target="_blank">Espectro de absorção de alguns pigmentos em algas: a) Clorofila-a b) Clorofila-b e β-caroteno.</a></figcaption></figure></div>



<p>As espécies vegetais são das mais sensíveis às mudanças de temperatura. Da mesma maneira que algumas árvores alentejanas começam a morrer porque os verões estão cada vez mais secos, quentes e longos, também o fitoplâncton responde a diferenças dos padrões climáticos. O fitoplâncton serve de base à cadeia alimentar marinha e é responsável por absorver cerca de metade do dióxido de carbono atmosférico. Nas zonas polares a questão é ainda mais dramática, estas algas têm uma janela de oportunidade muito pequena para poderem reproduzir-se em larga escala, nos chamados blooms. A elevadas latitudes esses blooms dão-se em perfeita harmonia entre o degelo e a maior disponibilidade de luz solar.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="360" height="252" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/04/d5d705_a57307fdd7e745f89f7f5bb154bd29a3mv2.webp" alt="" class="wp-image-2481" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_a57307fdd7e745f89f7f5bb154bd29a3mv2.webp 360w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_a57307fdd7e745f89f7f5bb154bd29a3mv2-300x210.webp 300w" sizes="(max-width: 360px) 100vw, 360px" /><figcaption><a rel="noreferrer noopener" href="https://www.esa.int/SPECIALS/Eduspace_Weather_PT/SEM4OPYOBFG_0.html" target="_blank">Bloom visto a partir do satélite Envisat.</a></figcaption></figure></div>



<p>Pesquisas anteriores revelaram que, em especial no Ártico, alguns blooms ocorrem 50 dias mais cedo em 2009 em comparação com o ano de 1997 – ano em que o SeaWIFS começou a disponibilizar os primeiros dados. Ora isto trás consequências terríveis para a vida marinha em especial nestas regiões. No sentido de melhorar a forma como monitorizamos o fitoplâncton a partir do espaço, é preciso comparar a cor da água com a concentração de clorofila e outros pigmentos medidos in-situ. A investigação que tem sido feita foca-se primeiramente nos lagos da Finlândia, de onde recolhemos amostras de dezanove lagos e comparámos com imagens de satélites que sobrevoaram aquele local no mesmo dia.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/04/d5d705_da41ca8515094a01a39699eb8e7b8814mv2.png" alt="" class="wp-image-2482" width="591" height="438" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_da41ca8515094a01a39699eb8e7b8814mv2.png 788w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_da41ca8515094a01a39699eb8e7b8814mv2-300x222.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_da41ca8515094a01a39699eb8e7b8814mv2-768x569.png 768w" sizes="(max-width: 591px) 100vw, 591px" /><figcaption>Locais que foram usados para validar as imagens de satélite com dados de campo.</figcaption></figure></div>



<p>O resultado é uma estimativa da concentração de clorofila que pode ser usada para futuras passagens de satélite. Estes satélites dão uma volta completa ao Planeta em cerca de 90 minutos, pelo que são uma fonte de dados fundamental para estudar a evolução das mudanças nos padrões de vida do fitoplâncton.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="379" height="281" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/04/d5d705_a09250a51b5e49c98b815d1b21cadef9mv2.png" alt="" class="wp-image-2479" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_a09250a51b5e49c98b815d1b21cadef9mv2.png 379w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_a09250a51b5e49c98b815d1b21cadef9mv2-300x222.png 300w" sizes="(max-width: 379px) 100vw, 379px" /><figcaption>Resultado do modelo que permite estima a abundância de fitoplâncton em lagos finlandeses a partir de imagens de satélite.</figcaption></figure></div>



<p id="viewer-884f9">Há apenas duas formas de vida visíveis do espaço: a vegetal (terrestre e marinha) e a humana, com as grandes cidades, poluição e desflorestação. É incrível pensar que embora não sejamos o centro do Universo, somos responsáveis pelo nosso futuro daí a importância observar a Terra a partir do Espaço.</p>



<p id="viewer-5nd4u">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>



<p id="viewer-9rot"><strong>Fontes</strong>:</p>



<p id="viewer-3t52t">H. Schellnhuber, <a href="https://www.pik-potsdam.de/members/john/public/nature_supp_esa.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Earth system’analysis and the second Copernican revolution</u></a>, Nature, vol. 402,</p>



<p id="viewer-1c0fj">no.December, pp. 19–22, 1999.</p>



<p id="viewer-dde9n">M. Kahru et al. 2011, Are phytoplankton blooms occurring earlier in the Arctic?, Global Change</p>



<p id="viewer-85p50">Biology (2011) 17, 1733–1739, doi: <a href="http://doi.org/10.1111/j.1365-2486.2010.02312.x"><u>10.1111/j.1365-2486.2010.02312.x</u></a>.</p>



<p id="viewer-apt5t">Lisboa et al. 2018, Spatial variability and detection levels in Chlorophyll-a estimates using Landsat imagery, submitted.</p>



<p id="viewer-5slec">Autor: Filipe Lisboa</p>
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