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	<title>Relações humanas &#8211; APECS Portugal</title>
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	<description>Um site para os jovens cientistas e dos jovens cientistas para o Mundo</description>
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	<title>Relações humanas &#8211; APECS Portugal</title>
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		<title>Dia da Antártida: A história de Portugal na Antártida (edição especial)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Dec 2023 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Relações humanas]]></category>
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					<description><![CDATA[Há alguns meses atrás colocaram-nos uma questão: O que quer Portugal com a Antártida?&#160; Afinal de contas, Portugal situa-se no hemisfério norte, a milhares de quilómetros do pólo sul. Quando e como é que a ligação entre os dois surgiu? Venham connosco andar atrás no tempo. Na época dos descobrimentos marítimos foram renovadas muitas ideias [&#8230;]]]></description>
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<p>Há alguns meses atrás colocaram-nos uma questão: O que quer Portugal com a Antártida?&nbsp;</p>



<p>Afinal de contas, Portugal situa-se no hemisfério norte, a milhares de quilómetros do pólo sul. Quando e como é que a ligação entre os dois surgiu? Venham connosco andar atrás no tempo.</p>



<p>Na época dos descobrimentos marítimos foram renovadas muitas ideias que estavam desatualizadas. De facto, os portugueses e os espanhóis contribuíram para o conhecimento geográfico do globo. Para tal, protagonizaram uma acérrima competição que resultou também no descobrimento de novas rotas comerciais e territórios por parte dos europeus.</p>



<p>Um dos grandes feitos desta época foi a circum-navegação do globo terrestre. Esta proeza foi feita por um Português, Fernão de Magalhães, que ao serviço da coroa espanhola conseguiu dar a volta ao mundo de barco. Esta aventura começou em 1519 e, ainda que Fernão de Magalhães tenha morrido no caminho em 1521, foi o primeiro navegador a atravessar o estreito entre o continente americano e o continente Antártico, hoje conhecido por Estreito de Magalhães. Este feito teve uma grande importância na maneira como a região do hemisfério Sul era compreendida. O continente Antártico era, até então, desconhecido, apenas idealizado como uma contra parte do pólo Norte. Proposto na Antiguidade grega por Aristóteles (4 aC) e Ptolomeu (1 dC) este pedaço de terra era apelidado de <em>Terra Austral Incognita</em>, ou seja, terra desconhecida do Sul. Após a passagem pelo Estreito de Magalhães ter sido cartografada, a zona Antártica foi revista e ganhou o nome de <em>&#8220;Magellanica&#8221; </em>homenageando o navegador português preenchendo o vazio de conhecimento até então. Magellanica passou a ser incluída nos mapas cartográficos até ao século 18 (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="567" height="425" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Picture1.png" alt="" class="wp-image-6760" style="width:524px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Picture1.png 567w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Picture1-300x225.png 300w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1: Mapa do continente da Antártida, antigamente nomeado de ‘’Magellanica’’ &#8211; definição usada até ao século XVIII, em homenagem ao navegador português Fernão de Magalhães.<br></figcaption></figure>
</div>


<p>Mais tarde, no século XVIII, o Capitão britânico James Cook descobriu uma grande abundância de pinípedes na ilha da Geórgia do Sul, na região sub-Antártica. Iniciou-se então a caça a espécies de pinípedes, como valioso recurso vivo marinho. Nas viagens de regresso ao hemisfério Norte, um dos principais portos intermediários situava-se em Macau, cuja administração era portuguesa.&nbsp;</p>



<p>Os leões marinhos (<em>Arctocephalus</em> spp.) foram as primeiras espécies de interesse comercial devido à sua pele, e após a sobre-exploração das suas populações, o Elefante marinho do sul (<em>Mirounga leonina</em>) tornou-se o alvo principal, para a utilização do seu óleo. As viagens de regresso, com destino típico à Inglaterra e aos Estados Unidos da América, eram longas e requeriam uma quantidade significativa de sal para preservar os recursos vivos capturados. Como solução, as embarcações realizavam paragens nas ilhas dos Açores, Madeira e Cabo Verde, onde as terras eram áridas, com uma grande disponibilidade de sal, além de disporem de equipas prontas a serem recrutadas. </p>



<p>Alguns comentários de navegadores mencionam o preço acessível da comida das ilhas portuguesas e da lealdade das pessoas recrutadas localmente, que demonstravam grande interesse em navegar sob a bandeira americana. Por exemplo, alguns dos alimentos fornecidos pela Ilha das Flores incluíam batatas, cebolas, abóboras e aves de criação. No entanto, o registo de nomes de cidadãos portugueses presentes nas embarcações é escasso, pois, segundo um comentário de um biólogo britânico, existia uma dificuldade por parte dos oficiais americanos ao soletrar corretamente nomes portugueses, pelo que na maioria das vezes, o nome era escrito de maneiras diferentes, de forma ilegível, ou até ‘americanizado’.&nbsp;</p>



<p>Nas viagens realizadas às ilhas pertencentes ao continente Antártico, está com grande frequência registrada a presença de pelo menos um recruta português na embarcação. As ilhas visitadas incluem: as Ilhas Príncipe Eduardo, Ilhas Crozet, Ilhas Kerguelen, Ilhas Amsterdão e de São Paulo, Ilha Heard, Ilha Macquarie, Ilhas Auckland, Ilhas Shetland do Sul, Ilha Geórgia do Sul e Ilha Gough (Figura 2).&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="567" height="586" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Picture2.png" alt="" class="wp-image-6761" style="width:480px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Picture2.png 567w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/12/Picture2-290x300.png 290w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 2: Mapa da Antártida e as ilhas Antárticas, onde se realizou a caça.</figcaption></figure>
</div>


<p>A caça aos pinípedes na Antártida terminou no início do século XX. Desde então, em 1984, Portugal juntou-se à SCAR (Comité Científico de Investigação da Antártida) e implementou uma estação científica, a Comandante Ferraz, na Ilha do Rei Jorge. O envolvimento mais recente de Portugal na investigação Antártica intensificou-se durante os anos polares de 2007-09. Desde o início dos anos 2000, Portugal faz também parte dos países aliados a organizações diplomáticas e equipas de investigadores que coordenam atividades referentes à caça de pinípedes e mamíferos marinhos nas regiões polares. Em 29 de Janeiro de 2010 Portugal assinou o Tratado da Antártida.</p>



<p>Os cidadãos de Portugal estiveram durante séculos diretamente envolvidos com o continente da Antártida, desde as descobertas marítimas, com a navegação e exploração de território, até ao período de caça de animais como os leões marinhos, elefantes marinhos e baleias. A razão para o seu envolvimento prende-se pelo povo e património marítimo únicos de Portugal, que se tornaram, e continuam a ser, elementos indispensáveis do pólo sul.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Fonte: Headland RK. Portugal in Antarctic History (2022). Polar Record 59(e11): 1–9. <a href="https://doi.org/10.1017/S0032247422000353">https://doi.org/10.1017/S0032247422000353</a>&nbsp;</p>



<p>Autores: Débora Carmo, Graça Sofia Nunes e Santiago Villalobos</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Como fortalecer a ligação entre a ciência e a política?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2023/02/15/como-fortalecer-a-ligacao-entre-a-ciencia-e-a-politica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Feb 2023 00:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Relações humanas]]></category>
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					<description><![CDATA[A Antártida encontra-se ameaçada pelo crescente impacto de diversas atividades antropogénicas que afetam os seus valores ambientais, científicos e históricos. Alguns dos impactos incluem as alterações climáticas, poluição, destruição de habitat, perturbações da vida selvagem e introdução de espécies não nativas. De modo a fomentar acordos internacionais juridicamente vinculativos, investigadores trabalharam colectivamente para desenvolver políticas [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Antártida encontra-se ameaçada pelo crescente impacto de diversas atividades antropogénicas que afetam os seus valores ambientais, científicos e históricos. Alguns dos impactos incluem as alterações climáticas, poluição, destruição de habitat, perturbações da vida selvagem e introdução de espécies não nativas. De modo a fomentar acordos internacionais juridicamente vinculativos, investigadores trabalharam colectivamente para desenvolver políticas ambientais na Antártida. As vias de comunicação ciência-política da Antártida, presentes na figura 1, demonstram a interligação entre os vários intervenientes. No que diz respeito à concepção de informação, cabe aos cientistas conduzirem investigação para se formularem decisões que resultem numa gestão positiva do ambiente Antártico.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="592" height="390" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/02/Fig-1.png" alt="" class="wp-image-6150" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/02/Fig-1.png 592w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2023/02/Fig-1-300x198.png 300w" sizes="(max-width: 592px) 100vw, 592px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fig.1 Vias de comunicação ciência-política antártica. ATCM= Reunião Consultiva do Tratado Antártico; CEP= Comité de Proteção Ambiental; SC-CAMLR= Comité Científico para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos ; SCAR= Comité Cientifico de Pesquisa Antártica.</figcaption></figure>
</div>


<p>O Comité Cientifico de Pesquisa Antártica (SCAR) conta já com uma grande base de informação que permite que as autoridades políticas tenham acesso a dados científicos relevantes e de confiança. O protocolo de proteção ambiental do tratado da Antártida trabalha no sentido de avaliar o impacto ambiental de determinadas atividades, tais como a conservação da fauna e flora, a eliminação e gestão de resíduos, e a proteção e gestão da área.</p>



<p>É vantajoso a ciência contribuir para a formulação de políticas, uma vez que permite:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Compreender e responder às consequências ambientais das mudanças climáticas na Antártida;</li>



<li>Abordar os riscos à biodiversidade associados com a introdução de espécies exóticas e a transferência de espécies nativas entre biorregiões dentro da Antártida;</li>



<li>A gestão adequada dos impactos ambientais do turismo e de atividades não governamentais; e</li>



<li>Melhorar a eficácia da gestão de áreas protegidas, inclusive o aumento do sistema de áreas protegidas da Antártida.</li>
</ul>



<p>O envolvimento de cientistas de vários países e/ou apoio multinacional para evidências de pesquisa apresentadas pode facilitar a construção do Sistema do Tratado da Antártida (ATS). Quanto maior o envolvimento de jovens cientistas, inclusive por meio da Associação de Jovens Cientistas Polares (APECS), maior a oportunidade para aprimorar a interface entre ciência e política.</p>



<p>Os autores deste artigo explicam, ainda, como melhorar o processo de elaboração de políticas. Por exemplo, uma maior consciencialização por parte da comunidade cientifica sobre as oportunidades de informar a formulação de políticas ambientais dentro do ATS. Também, uma comunicação mais clara do ATCM e do CEP relativamente às lacunas específicas de conhecimento que deverão ser preenchidas, contribuindo assim para o progresso da proteção ambiental antártica. A SCAR poderia, ainda, auxiliar de modo a fortalecer substancialmente a comunicação dos seus membros sobre as áreas de pesquisa necessárias para a ATCM e para o CEP. É também importante continuar a informar a comunidade científica através de reuniões sobre as rotas onde se formam políticas relevantes, a partir de uma boa comunicação cientifica aos formuladores de políticas.</p>



<p>A cooperação entre cientistas e políticos torna eficaz a implementação de medidas que fortalecem a estrutura governamental da Antártida, um continente que equivale ao espaço da Europa. É preciso ainda uma melhor comunicação cientifica e política, combinada com um melhor plano de financiamento para a ciência, relevante para políticas de proteção do meio Antártico.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Referência</strong>: Hughes, K. A., Constable, A., Frenot, Y., López-Martínez, J., McIvor, E., Njåstad, B., Terauds, A., Ligget, D., Roldan, G., Wilmotte, A. &amp;  Xavier, J. C. (2018). Antarctic environmental protection: Strengthening the links between science and governance. Environmental Science &amp; Policy, 83, 86-95. <a href="https://doi.org/10.1016/j.envsci.2018.02.006">https://doi.org/10.1016/j.envsci.2018.02.006</a></p>



<p><strong>Autora</strong>: Raquel Coimbra</p>
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		<title>Negacionismo das Alterações Climáticas, Ursos polares &#038; Blogues da Internet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Aug 2021 22:45:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Relações humanas]]></category>
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					<description><![CDATA[A maioria da comunidade científica concorda que o aumento da temperatura observado desde a Revolução Industrial é explicado pela maior concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera. Consequentemente, este fenómeno provoca o aumento da frequência de anos extremamente quentes, bem como alterações profundas nos ecossistemas da Terra. Contudo, parte da sociedade mantém-se cética [&#8230;]]]></description>
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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="329" height="244" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2021/10/d5d705_9d46692eada64274a9b6ca8522f23528mv2.webp" alt="" class="wp-image-1352" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2021/10/d5d705_9d46692eada64274a9b6ca8522f23528mv2.webp 329w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2021/10/d5d705_9d46692eada64274a9b6ca8522f23528mv2-300x222.webp 300w" sizes="(max-width: 329px) 100vw, 329px" /><figcaption>Créditos: Lars van de Goor</figcaption></figure></div>



<p id="viewer-cfgin">A maioria da comunidade científica concorda que o aumento da temperatura observado desde a Revolução Industrial é explicado pela maior concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera. Consequentemente, este fenómeno provoca o aumento da frequência de anos extremamente quentes, bem como alterações profundas nos ecossistemas da Terra. Contudo, parte da sociedade mantém-se cética sobre a importância da ação humana sobre o clima, acreditando que os cientistas continuam a debater e procurar as causas das Alterações Climáticas. Este fosso entre a opinião pública e o consenso científico é conhecido, em inglês, como “consensus gap”.</p>



<p id="viewer-1lkak">Diferentes fatores explicam esta discrepância, incluindo inúmeros media e políticos que desvirtuam a compreensão do público sobre as Alterações Climáticas ao expressar o seu ceticismo. É também conhecida a importância de blogues e redes sociais para o “consensus gap”. De facto, a internet é de domínio público, e tanto indivíduos como organizações podem utilizar esta ferramenta para promover as suas perspetivas, independentemente da veracidade do conteúdo.</p>



<p id="viewer-97p6i">Os ursos polares (<em>Ursus maritimus</em>)tornaram-se um símbolo icónico para as Alterações Climáticas, pois estimativas científicas indicam que, em breve, o Ártico ficará sem gelo durante os meses de Verão, o que provocará uma diminuição drástica das populações de ursos polares. Assim, tendo por base evidências científicas, os ursos polares são classificados como uma espécie vulnerável, pela União Internacional para a Conservação da Natureza e pelo Ato das Espécies Ameaçadas dos EUA.</p>



<p id="viewer-d0ht6">Num estudo recente publicado por investigadores europeus, estes demonstraram que blogues negacionistas das Alterações Climáticas desconsideram as inegáveis evidências científicas referentes à perda de gelo no Ártico e vulnerabilidade dos ursos polares. Em particular, ao negarem os impactos das Alterações Climáticas nos ursos polares, vários blogueres pretendem suscitar dúvidas sobre outras consequências ecológicas destas alterações, agravando assim o “consensus gap”.</p>



<p id="viewer-90fdp">Especificamente, os autores identificaram as posições de blogueres relativamente à extensão do gelo Ártico e da vulnerabilidade dos ursos polares, tendo encontrado uma clara discrepância entre 45 blogues baseados em ciência e 45 blogues negacionistas. Os blogues científicos usaram conhecimento cientificamente válido e suportam argumentos com base em literatura científica, enquanto os blogues negacionistas se focam maioritariamente em potenciais incertezas sobre as consequências das Alterações Climáticas, sugerindo que estas geram dúvidas sobre as tendências demográficas dos ursos polares. Mais ainda, enquanto os blogues científicos ofereciam associação de evidência, os blogues negacionistas removiam o contexto da informação partilhada, com a intenção de influenciar a interpretação do conteúdo pelo leitor.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="740" height="676" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2021/10/d5d705_a400da4d265549bf817ad10233989a51mv2.webp" alt="" class="wp-image-1353" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2021/10/d5d705_a400da4d265549bf817ad10233989a51mv2.webp 740w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2021/10/d5d705_a400da4d265549bf817ad10233989a51mv2-300x274.webp 300w" sizes="(max-width: 740px) 100vw, 740px" /><figcaption><a rel="noreferrer noopener" href="https://academic.oup.com/bioscience/article/68/4/281/4644513" target="_blank">Análise de componentes principais (ACP) aos valores extraídos de 90 blogues e 92 artigos científicos. O primeiro eixo da ACP (PC1) mostra o “consensus gap”, com posições separadas entre artigos científicos e blogues negacionistas sobre os problemas do gelo Ártico e ursos polares. Mais ainda, os blogues científicos tomam posições completamente sobrepostas com a literatura científica, e até os artigos científicos que apresentam afirmações “controversas” sobre as Alterações Climáticas exibem posições menos extremas no primeiro eixo do que os blogues negacionistas.</a></figcaption></figure></div>



<p id="viewer-o0fr">Os autores sugerem que para reduzir o “consensus gap”, os cientistas devem envolver-se diretamente com o público e decisores políticos, procurando confrontar e resistir à rede de negacionistas das Alterações Climáticas.</p>



<p id="viewer-a6eg2">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>



<p id="viewer-898q"><strong>Fonte</strong>: Harvey JA, Van Den Berg D, Ellers J, et al (2018) Internet Blogs, Polar Bears, and Climate-Change Denial by Proxy. Bioscience 68:281–287. <a href="https://academic.oup.com/bioscience/article/68/4/281/4644513" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>doi:10.1093/biosci/bix133</u></a></p>



<p id="viewer-dp1pt"><strong>Autor</strong>: Guilherme Jeremias</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sentinelas do Oceano: Conseguirão os Albatrozes ajudar no combate à pesca ilegal e não declarada?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2020/09/15/sentinelas-do-oceano-conseguirao-os-albatrozes-ajudar-no-combate-a-pesca-ilegal-e-nao-declarada/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2020 18:42:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Relações humanas]]></category>
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					<description><![CDATA[Na era que vivemos, o impacto e ameaças à natureza e à biodiversidade de origem humana é cada vez maior. A título de exemplo, o relatório de 2020, divulgado pela WWF aponta para uma perda de 68% de biodiversidade nos últimos 50 anos. Nos oceanos a vigilância e aplicação de medidas de conservação para dissuadir [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p id="viewer-foo">Na era que vivemos, o impacto e ameaças à natureza e à biodiversidade de origem humana é cada vez maior. A título de exemplo, o relatório de 2020, divulgado pela WWF aponta para uma perda de 68% de biodiversidade nos últimos 50 anos.</p>



<p id="viewer-fnu2b">Nos oceanos a vigilância e aplicação de medidas de conservação para dissuadir estes impactos, pode ser bastante complexa e por vezes inadequada. Particularmente, em águas internacionais e remotas, e principalmente por razões políticas e logísticas. Por sua vez, a atividade de pesca acontece por todo o planeta, tanto nas zonas económicas exclusivas (ZEE) como nas águas internacionais. É uma atividade com um profundo impacto nos ecossistemas marinhos, devido sobretudo à sobre-exploração das populações de peixes, remoção de espécies chaves do habitat e a captura acidental de vertebrados marinhos (p.e. baleias, tartarugas, albatrozes). Sendo necessário uma melhoria constante na gestão de pescas e recursos. A par destes fatores, um dos maiores problemas que se enfrenta ao nível da conservação marinha, é a pesca ilegal e não declarada, sobretudo nas águas internacionais. Ou seja, a falta de conhecimento e informação do barco de pesca que está a operar, e que quantidades e espécies estão a pescar/ser afetadas.</p>



<p id="viewer-171t8">Face a isto, um grupo de investigadores, com o objetivo de aumentar a vigilância e deteção de pesca ilegal e não declarada numa vasta área do oceano austral, implementaram um pequeno aparelho tecnológico “logger”, nas costas de 169 indivíduos das espécies de albatrozes (Albatroz Viajante e Albatroz de Amesterdão) durante Novembro 2018 até Março 2019. A fim de detetarem os inúmeros barcos de pesca presentes nas ZEEs e nas águas internacionais.</p>



<p id="viewer-1e7tj">Como?</p>



<p id="viewer-7q4so">1 – Os albatrozes são espécies que cobrem vastas áreas da superfície dos oceanos (milhões km2) e são altamente atraídos por barcos de pesca, conseguindo os detetar a 30km de distância.</p>



<p id="viewer-ct2or">2 – Os barcos de pesca deveriam usar sempre o designado Sistema Automático de Identificação (AIS), a fim de serem monitorizados. Contudo na pesca ilegal esse sistema está muitas vezes desligado. No entanto, todos os barcos emitem sinais de radar.</p>



<p id="viewer-5cs1n">3 – São esses sinais que são depois detetados pelos “loggers” implementados nos albatrozes, e fornecem informações em tempo real do barco de pesca, incluindo a posição, e se tem ou não o AIS a funcionar corretamente.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="740" height="556" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/04/d5d705_e30442b8ff1c4b92b7d7759c1b044dc7mv2.webp" alt="" class="wp-image-2712" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_e30442b8ff1c4b92b7d7759c1b044dc7mv2.webp 740w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_e30442b8ff1c4b92b7d7759c1b044dc7mv2-300x225.webp 300w" sizes="(max-width: 740px) 100vw, 740px" /><figcaption>Fig. 1 Esquematização do conceito de sistema operacional: deteção através dos loggers instalados nos albatrozes, transmissão imediata pelo sistema Argos, análise de dados, fornecimento de dados no site TAAF/OS, comparação com dados VMS e AIS, e alerta em caso de deteção de atividade de pesca não declarada, com potencial controlo por parte de navios da Marinha.</figcaption></figure></div>



<p id="viewer-bbnum">De todo este processo, os 169 albatrozes do estudo, transmitiram mais de 5 mil deteções de radar. Como resultado, dentro das ZEEs francesas como o caso dos arquipélagos de Kerguelen e Crozet, não foram encontrados casos de barcos de pesca não declarados. No entanto, na ZEE da Ilha Amesterdão foram detetados 2 casos, e nas Ilhas do Príncipe Eduardo, todas as deteções de radar, mostraram que nenhum desses barcos tinha AIS em funcionamento. Já nas águas internacionais, pelo menos metade das deteções de radar não tinham AIS associado. Sendo a maior parte em águas subtropicais, onde grandes barcos asiáticos operam na pesca do atum. Muitos deles com transmissões irregulares e informação incompleta de identificação do barco.</p>



<p id="viewer-e3uts">Assim, este estudo veio mostrar que os albatrozes, assim como outras aves e espécies futuramente, poderão de facto funcionar como sentinelas dos oceanos, e ajudar a melhorar a nossa capacidade para vigiar áreas do oceano de difícil acesso, desde a deteção até à potencial ação dos navios da Marinha (Fig. 1). Permitiram detetar barcos com funcionamento incorreto nos sistemas de identificação obrigatórios, assim como a própria interação entre albatrozes e barcos de pesca. Desta forma, proporcionando duplo benefício tanto para a conservação das espécies como para o combate à pesca ilegal.</p>



<p id="viewer-b30rl">Atualmente a transmissão do conhecimento para a prática e implementação de medidas e políticas de conservação nem sempre é simples e imediata. Assim, este passo é um passo extremamente positivo, dos ainda muitos necessários, para uma melhor e mais eficaz conservação dos habitats e recursos marinhos.</p>



<p id="viewer-o740">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>



<p id="viewer-ugsq"><strong>Fonte</strong>: Weimerskirch, Henri, et al. Ocean sentinel albatrosses locate illegal vessels and provide the first estimate of the extent of nondeclared fishing. Proceedings of the National Academy of Sciences 117.6 3006-3014, 2020. DOI: <a href="https://www.pnas.org/content/117/6/3006" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>10.1073/pnas.1915499117</u></a></p>



<p id="viewer-aftqk"><strong>Autor</strong>: José Abreu</p>
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		<title>Será que os jovens estão preocupados com as alterações climáticas?</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2019/08/15/sera-que-os-jovens-estao-preocupados-com-as-alteracoes-climaticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Aug 2019 17:22:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Relações humanas]]></category>
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					<description><![CDATA[Atualizado: 16 de out. de 2019 As alterações climáticas são um dos problemas ambientais mais urgentes a resolver, sendo o desafio da humanidade para o sec XXI. As consequências começam a ser visíveis, em todo o mundo, recaindo sobretudo nas regiões polares, onde a mudança do clima está a ter impactos mais significativos. Para mudarmos [&#8230;]]]></description>
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<p>Atualizado: 16 de out. de 2019</p>



<p id="viewer-ds6lp">As alterações climáticas são um dos problemas ambientais mais urgentes a resolver, sendo o desafio da humanidade para o sec XXI. As consequências começam a ser visíveis, em todo o mundo, recaindo sobretudo nas regiões polares, onde a mudança do clima está a ter impactos mais significativos. Para mudarmos este paradigma é de extrema importância que as pessoas estejam sensibilizadas para a problemática das alterações climáticas.</p>



<p id="viewer-35hqf">De modo a tentar avaliar a perceção sobre as alterações climáticas, um estudo da Escola Superior de Educação de Bragança recaiu sobre alunos de dois cursos superiores sobre as alterações climáticas, nomeadamente Educação Social e Educação Ambiental. O estudo consistiu na aplicação de 129 inquéritos a uma amostra não probabilística, procurando acima de tudo abranger os principais pontos no que toca ao conhecimento ambiental. Nas questões submetidas no inquérito, foram colocadas propositadamente algumas questões com &#8220;rasteira&#8221; de modo a testar os conhecimentos do inquiridos sobre as alterações climáticas.</p>



<p id="viewer-bqhg6">De acordo com a análise dos dados recolhidos ao longo desta investigação, pode-se afirmar que a perceção dos alunos em relação às alterações climáticas varia dependendo do curso que frequentaram. Os alunos de Educação Ambiental alcançaram um valor médio na escala, sendo a sua opinião acerca dos fenómenos das alterações climáticas estarão mais próximos da realidade. Ou seja, a sua educação e conhecimentos técnicos exerceu uma influência mais forte na construção das suas opiniões e respostas dadas.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="740" height="489" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/04/d5d705_8ac6eb0d17f04fc489338985e3510c46mv2.webp" alt="" class="wp-image-2605" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_8ac6eb0d17f04fc489338985e3510c46mv2.webp 740w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_8ac6eb0d17f04fc489338985e3510c46mv2-300x198.webp 300w" sizes="(max-width: 740px) 100vw, 740px" /></figure></div>



<p id="viewer-4tb60">Em geral, verificou-se que o ambiente é algo que preocupa os inquiridos. Contudo, parece que apesar dessa preocupação, falta passar das palavras às ações. Isto é, a maioria dos inquiridos encara as alterações climáticas como um problema sério que deve ser reparado por vários sectores da sociedade atual, mas em contrapartida foi denotada alguma falta de conhecimento ou cultura sobre o clima e fenómenos das alterações climáticas. Além disso, apesar dos inquiridos identificarem grande parte das consequências das alterações climáticas, estes não fazem práticas coerentes com a necessidade de preservar o meio ambiente.</p>



<p id="viewer-f7jdn">Assim sendo, um dos principais desafios que se pode extrair em paralelo desta pesquisa, é que deverão ser encontradas estratégias que permitam uma melhor informação/educação dos indivíduos sobre a temática dos problemas ambientais. A educação é fulcral para levar os alunos a tomarem medidas e a desenvolver atividades que possam ir ao encontro das suas convicções ambientais.</p>



<p id="viewer-8lmh9">&#8212;&#8212;&#8212;-</p>



<p id="viewer-2h6l"><strong>Fonte</strong>: Ramos, Ricardo. (2016). &#8220;Percepção dos alunos do ensino Superior face as alterações climáticas&#8221; Dissertação de Mestrado. Bragança. Escola Superior de Educação de Bragança. doi: <a href="https://bibliotecadigital.ipb.pt/handle/10198/13904">https://bibliotecadigital.ipb.pt/handle/10198/13904</a></p>



<p id="viewer-aumje"><strong>Autor</strong>: Ricardo Ramos</p>
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		<title>Bagas polares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Apr 2019 16:23:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Relações humanas]]></category>
		<category><![CDATA[Subsistência]]></category>
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					<description><![CDATA[Em regiões árticas do Canadá, Alasca e Gronelândia, as bagas são não só uma fonte de alimento essencial, mas têm também importância cultural, espiritual e social para as comunidades Inuit. A domesticação de plantas de baga como o mirtilo (Vaccinium uliginosum) ou a framboesa (Rubus arcticus e Rubus idaeus) teve um grande impacto ao possibilitar [&#8230;]]]></description>
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<p>Em regiões árticas do Canadá, Alasca e Gronelândia, as bagas são não só uma fonte de alimento essencial, mas têm também importância cultural, espiritual e social para as comunidades Inuit. A domesticação de plantas de baga como o mirtilo (<em>Vaccinium uliginosum</em>) ou a framboesa (<em>Rubus arcticus</em> e <em>Rubus idaeus</em>) teve um grande impacto ao possibilitar a fixação destas comunidades. O cultivo destas espécies e a apanha de bagas são duas atividades que contribuem para o bem-estar físico e mental dos Inuit, uma vez que as bagas constituem uma fonte de alimento saborosa e rica em nutrientes raramente encontrados noutras fontes de alimento locais.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="740" height="524" src="https://apecsportugal.pt//wp-content/uploads/2022/04/d5d705_ffdf6fc39a1249e49d3aaca216879ec1mv2.webp" alt="" class="wp-image-2575" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_ffdf6fc39a1249e49d3aaca216879ec1mv2.webp 740w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2022/04/d5d705_ffdf6fc39a1249e49d3aaca216879ec1mv2-300x212.webp 300w" sizes="(max-width: 740px) 100vw, 740px" /></figure></div>



<p id="viewer-255ps">Infelizmente, a disponibilidade e qualidade das bagas nesta região tem diminuído devido aos efeitos provocados pelas alterações climáticas e pelas atividades antropogénicos altamente poluentes como a exploração mineira. Graças aos relatos de idosos Inuit, sabe-se que as bagas constituem uma fonte de alimento em alturas de escassez e que a distribuição geográfica das diferentes espécies faz parte da cultura da comunidade Inuit. Devido às temperaturas mais quentes, a competição por bagas entre os Inuit e vida selvagem tem vindo a aumentar, uma vez que a abundância de certas espécies, como o ganso canadiano, estão a aumentar rapidamente.</p>



<p id="viewer-5s0ho">Um estudo recente publicado na revista <em>Human Ecology</em> mostra a importância que as bagas têm para as diferentes comunidades Inuit, e o quão importante este recurso natural é para a cultura Inuit. Por essa razão, investigadores estão a fazer os esforços necessários para que futuras políticas de conservação comecem a ter em conta as atividades associadas a bagas não só como no ordenamento do território, como também numa forma de preservar a cultura Inuit.</p>



<p id="viewer-1fdin"></p>



<p id="viewer-4odg2">&#8212;&#8212;&#8212;</p>



<p id="viewer-4p36m"><strong>Fonte</strong>: Boulanger-Lapointe N., Gérin-Lajoie J., Collier L.S., Desrosiers S., Spiech C., Henry G.H.R., Hermanutz L., Lévesque E. and Cuerrier A. (2019) Berry Plants and Berry Picking in Inuit Nunangat: Traditions in a Changing Socio-Ecological Landscape. Human Ecology 47:81-93. doi: <a rel="noreferrer noopener" href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10745-018-0044-5" target="_blank"><u>10.1007/s10745-018-0044-5</u></a></p>



<p id="viewer-6b00i"><strong>Autor</strong>: Ricardo Matias</p>
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		<title>Isolamento no inverno da Antártica e as relações interpessoais entre membros da base</title>
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		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Dec 2018 01:21:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Relações humanas]]></category>
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					<description><![CDATA[Muito recentemente, os media foram inundados pela história de um cientista polar que esfaqueou um colega numa base na Antárctica, por este lhe ter estrago sucessivamente o final de vários livros. Situações como esta são um exemplo muito claro do desafio psicológico que é viver e trabalhar durante longos períodos de tempo num ambiente isolado, [&#8230;]]]></description>
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<p id="viewer-9cje8">Muito recentemente, os media foram inundados pela história de um cientista polar que esfaqueou um colega numa base na Antárctica, por este lhe ter estrago sucessivamente o final de vários livros. Situações como esta são um exemplo muito claro do desafio psicológico que é viver e trabalhar durante longos períodos de tempo num ambiente isolado, confinado e extremo. Para as equipas de cientistas e logísticos que vão passar o inverno numa estação na Antárctica, as relações interpessoais que acontecem entre as pessoas que vivem dentro da base são fundamentais para garantir o bem-estar do grupo e o cumprimento das tarefas diárias.</p>



<p id="viewer-f0k8l">No entanto, a forma como estas relações interpessoais evoluem ao longo de toda a duração da campanha parece sofrer uma mudança significativa mais ou menos a meio. Com efeito, a análise dos comportamentos interpessoais de 23 indivíduos que passaram 14 meses numa estação na Antárctica, sugere que durante a primeira metade da campanha existe uma tendência para um aumento e melhoria das relações interpessoais dentro da base, e que a partir do início da segunda metade da campanha há uma deterioração da qualidade das relações interpessoais que já estavam estabelecidas. Se por um lado os membros da base demonstram ter necessidade se relacionar com outras pessoas e se sentirem ligados a elas, por outro lado querem fazê-lo sem ter que interagir muito ou estabelecer uma ligação afetiva mais forte.</p>



<p id="viewer-4eeee">Curiosamente, esta deterioração ou arrefecimento das relações interpessoais não acontece necessariamente por as pessoas dentro da base se desenvolverem más relações e entrarem em conflito. O que parece acontecer é que a necessidade de estabelecer relações interpessoais mais profundas, em que os indivíduos falam dos seus sentimentos ou se sentem acarinhados diminui ao longo do tempo. Uma espécie de mecanismo de adaptação à vida em isolamento. Como consequência, se por um lado a interação entre os membros da base se torna menos frequente, por outro lado cada individuo parece tornar-se mais competente a gerir as suas próprias relações e isso é fundamental para o sucesso da campanha.</p>



<p></p>



<p><strong>&#8212;&#8212;&#8211;</strong></p>



<p id="viewer-b53ns"><strong>Fonte:</strong> Paul, F. J., Mandal, M. K., Ramachandran, K., &amp;amp; Panwar, M. R. (2010). Interpersonal behavior in an isolated and confined environment. Environment and Behavior, 42(5), 707-717. doi: <a rel="noreferrer noopener" href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0013916509336889" target="_blank"><u>10.1177/0013916509336889</u></a></p>



<p id="viewer-e8or4"><strong>​</strong></p>



<p id="viewer-9mg28"><strong>Autor: </strong>Pedro Quinteiro</p>
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