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	<title>APECS Portugal</title>
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	<description>Um site para os jovens cientistas e dos jovens cientistas para o Mundo</description>
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	<title>APECS Portugal</title>
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	<item>
		<title>Distribuição e ecologia das quatro espécies de Macrourus capturadas acidentalmente na pesca com palangre na Geórgia do Sul, no Oceano Antártico</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2026/04/30/distribuicao-e-ecologia-das-quatro-especies-de-macrourus-capturadas-acidentalmente-na-pesca-com-palangre-na-georgia-do-sul-no-oceano-antartico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 16:06:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
		<category><![CDATA[Pesca]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[As águas da Geórgia do Sul estão entre as mais produtivas do Oceano Antártico, suportando pescas de palangre que têm como alvo a bacalhau da antárctida (Dissostichus eleginoides). No entanto, durante estas operações, quatro espécies de granadeiro Macrourus caml, Macrourus carinatus, Macrourus holotrachys e Macrourus whitsoni são regularmente capturadas como fauna acompanhante. Além disso, apesar [&#8230;]]]></description>
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<p>As águas da Geórgia do Sul estão entre as mais produtivas do Oceano Antártico, suportando pescas de palangre que têm como alvo a bacalhau da antárctida (<em>Dissostichus eleginoides</em>). No entanto, durante estas operações, quatro espécies de granadeiro<em> </em><em>Macrourus caml</em>, <em>Macrourus carinatus</em>, <em>Macrourus holotrachys</em> e <em>Macrourus whitsoni</em> são regularmente capturadas como fauna acompanhante. Além disso, apesar de serem frequentemente mencionadas nos registos pescatórios, estas espécies têm sido até agora identificadas apenas ao nível do género, impedindo qualquer distinção entre as quatro espécies. Esta agregação mascara as importantes diferenças biológicas entre elas e a verdadeira extensão dos efeitos da captura acessória.</p>



<p>Neste estudo, os investigadores realizaram a primeira avaliação biológica abrangente das quatro espécies de <em>Macrourus</em> capturadas nas águas da Geórgia do Sul, utilizando dados de pescas e de observadores recolhidos entre 2018 e 2022. Através da análise de padrões de distribuição, preferências de profundidade, razões de sexo e associações de habitat, a equipa conseguiu caracterizar cada espécie individualmente e avaliar as suas respetivas vulnerabilidades à pressão pesqueira.</p>



<p>Os resultados revelaram diferenças marcantes entre as espécies. Três das quatro apresentaram razões de sexo tendencialmente femininas, o que tem implicações diretas na produtividade dos stocks e na capacidade reprodutiva. Cada espécie ocupou também um intervalo de profundidade e uma distribuição geográfica distintos: <em>M. holotrachys</em> foi a mais frequentemente capturada e distribuiu-se amplamente entre os 1000 e os 1750 metros; <em>M. caml</em> mostrou a maior flexibilidade na utilização do habitat; <em>M. carinatus</em> concentrou-se na região ocidental; e <em>M. whitsoni</em> foi mais rara, encontrada principalmente em águas mais profundas, além dos 1500 metros, a nordeste e a leste.</p>



<p>Estes resultados evidenciam uma lacuna significativa na forma como a captura acessória é atualmente gerida. Reportar as espécies coletivamente ao nível do género oculta o facto de cada uma enfrentar diferentes níveis de risco, e de que o estado da pesca-alvo não é um indicador fiável do estado das espécies não-alvo. Os autores defendem que a monitorização ao nível da espécie e a recolha de dados rigorosa são essenciais para definir limiares de captura acessória significativos e assegurar a sustentabilidade a longo prazo das pescarias de dissosticha na área da CCAMLR.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="521" height="438" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/04/image-1.png" alt="" class="wp-image-8253" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/04/image-1.png 521w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/04/image-1-300x252.png 300w" sizes="(max-width: 521px) 100vw, 521px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Figura 1: </strong>Proporção (%) de fêmeas (F) e machos (M) em função da profundidade (m) das quatro espécies de Macrourus capturadas acidentalmente na pesca com palangre na Geórgia do Sul (subárea 48.3 da CCAMLR) entre 2018 e 2022.</em></figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Fonte:Abreu, José, et al. &#8220;Distribution and ecology of the four Macrourus species by‐caught in the longline fishery at South Georgia, Southern Ocean.&#8221;&nbsp;<em>Journal of Fish Biology</em>&nbsp;(2026).</p>



<p>Autor: Lucas Bastos</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Elementos-traço nos solos das áreas livres de gelo da Antártida: Perspetivas sobre os valores geoquímicos naturais, o impacto antropogénico e a possível remobilização associada ao degelo do permafrost</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2026/02/27/elementos-traco-nos-solos-das-areas-livres-de-gelo-da-antartida-perspetivas-sobre-os-valores-geoquimicos-naturais-o-impacto-antropogenico-e-a-possivel-remobilizacao-associada-ao-degelo-do-permafrost/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 14:03:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[As áreas livres de gelo da Antártida representam menos de 0,5% da superfície do continente, mas concentram praticamente toda a biodiversidade terrestre e a maioria das infraestruturas humanas, como estações científicas e antigas áreas de atividade antrópica. Estas regiões são, simultaneamente, ecologicamente sensíveis e particularmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas. Neste estudo, os investigadores [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As áreas livres de gelo da Antártida representam menos de 0,5% da superfície do continente, mas concentram praticamente toda a biodiversidade terrestre e a maioria das infraestruturas humanas, como estações científicas e antigas áreas de atividade antrópica. Estas regiões são, simultaneamente, ecologicamente sensíveis e particularmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.</p>



<p>Neste estudo, os investigadores realizaram uma revisão abrangente dos elementos-traço nos solos das áreas livres de gelo da Antártida, analisando concentrações em zonas pristinas e em áreas com influência humana, com especial atenção ao impacto do degelo do permafrost na sua mobilização. A Antártida foi organizada em seis regiões com características climáticas e ambientais semelhantes, permitindo comparar resultados, distinguir origens naturais e antropogénicas dos contaminantes e identificar áreas vulneráveis que necessitam de monitorização futura.</p>



<p>Os resultados mostraram que a camada ativa do permafrost controla a acumulação e mobilidade de elementos-traço nos solos antárticos e que o degelo do permafrost, associado às alterações climáticas, pode remobilizar contaminantes previamente retidos, aumentando a sua disponibilidade ambiental.</p>



<p>Os resultados revelaram ainda que as concentrações de elementos como Hg, Pb, Cd, Cu, Cr e Ni resultam tanto de fontes naturais como de fontes antropogénicas.<br>Nas Ilhas Shetland do Sul, sobretudo na King George Island, registam-se valores mais elevados perto de estações científicas, resíduos, derrames de combustível e outras infraestruturas humanas, já por exemplo, em Deception Island, a atividade vulcânica origina concentrações naturalmente elevadas de Hg e As, podendo o permafrost funcionar como reservatório temporário destes elementos (Fig.1). Os investigadores reportam também que a retração glaciar, o aumento da espessura da camada ativa e a degradação do permafrost estão a alterar a dinâmica hidrológica e o transporte de contaminantes.</p>



<p>A combinação entre pressão humana e as alterações climáticas representam um risco crescente para os ecossistemas terrestres e costeiros, exigindo monitorização contínua.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="738" height="591" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/02/image.png" alt="" class="wp-image-8114" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/02/image.png 738w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2026/02/image-300x240.png 300w" sizes="(max-width: 738px) 100vw, 738px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Figura 1:</strong> Locais nas Ilhas Shetland do Sul com valores reportados de concentrações de elementos-traço. Os pontos vermelhos representam áreas onde as concentrações de elementos-traço são influenciadas por impacto antropogénico, enquanto os pontos verdes refletem concentrações naturais.</em></figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Fonte: Zilhão, H., Cesário, R., Vieira, G. &amp; Canário, J. (2025). Trace elements in soils of the Antarctic ice-free areas: Insights on natural geochemical values, anthropogenic impact and possible remobilisation upon permafrost thaw. <em>Earth-Science Reviews</em>, 268.</p>



<p>Autor: Diana Vaz</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O regime térmico do solo é controlado pelo relevo e pela cobertura de neve nas áreas livres de gelo da Antártida Marítima</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/12/31/o-regime-termico-do-solo-e-controlado-pelo-relevo-e-pela-cobertura-de-neve-nas-areas-livres-de-gelo-da-antartida-maritima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2025 10:30:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Gelo marinho]]></category>
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					<description><![CDATA[Sabias que as áreas livres de gelo da Antártida escondem um mundo complexo debaixo dos nossos pés? Lá, o solo não fica inerte, congela e descongela segundo padrões controlados pela própria paisagem. Compreender o regime térmico do solo é fundamental para estudar o permafrost, prever mudanças ambientais e até mesmo entender como as alterações climáticas [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sabias que as áreas livres de gelo da Antártida escondem um mundo complexo debaixo dos nossos pés? Lá, o solo não fica inerte, congela e descongela segundo padrões controlados pela própria paisagem. Compreender o regime térmico do solo é fundamental para estudar o permafrost, prever mudanças ambientais e até mesmo entender como as alterações climáticas estão a afetar a Antártida!</p>



<p>Uma equipa liderada por uma investigadora portuguesa estudou as temperaturas do solo na Península de Barton (Península Antártica), onde estas áreas livres de gelo se encontram distribuídas ao longo de vertentes rochosas e entre mantos de neve. A equipa instalou pequenos sensores de temperatura chamados iButtons a diferentes altitudes e condições (em vertentes, perto de mantos de neve, etc.), que registam as temperaturas do solo a cada três horas durante um ano inteiro. Através da análise dos dados, a equipa percebeu quais os fatores que controlam o regime térmico do solo.</p>



<p>Então, o que descobriram? A altitude revelou-se como o principal fator: quanto mais alto se sobe, mais frio fica o solo, apresentando temperaturas médias anuais pouco acima do ponto de congelação em setores de menor elevação, e abaixo dos -2ºC em locais mais altos. A cobertura de neve também desempenha um papel importante, agindo como um cobertor natural: as áreas com neve mais duradoura tiveram estações de congelamento mais longas e um aquecimento mais lento. Até a forma do terreno e a quantidade de luz solar que sobre ele incide influenciaram a temperatura do solo.</p>



<p>A equipa identificou 7 regimes diários de temperatura do solo, encontrando-se alguns congelados durante todo o dia, outros completamente descongelados e outros com variações entre o estado de congelação e descongelação. Baseada nesta variação, a equipa classificou a área em 4 tipos de regime térmico anual, variando entre longas estações de geada próximo a mantos de neve, e curtas estações de geada com rápido aquecimento em setores de menor altitude. A equipa criou ainda um modelo que permite mapear estes padrões em toda a Península com 90% de certeza.&nbsp;</p>



<p>Mas porque é que isto é importante? Bem, estes resultados mostram o quanto as temperaturas do solo são sensíveis a pequenas mudanças de relevo e cobertura de neve, algo importante não apenas para compreender o regime térmico do permafrost na Antártida, mas também para prever como este regime pode responder às alterações climáticas. Em outras palavras, mesmo pequenos detalhes na paisagem podem impactar substancialmente o solo debaixo dos nossos pés!</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Fonte: </strong>Baptista, J., Vieira, G., &amp; Lee, H. (2024). Ground surface temperature regimes are controlled by the topography and snow cover in the ice-free areas of Maritime Antarctica. Catena, 240, 107947</p>



<p></p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Concentrações de Mercúrio, Habitat e Posição Trófica da Antimora rostrata e Macrourus holotrachys da Geórgia do Sul (Oceano Antártico)</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/11/28/concentracoes-de-mercurio-habitat-e-posicao-trofica-da-antimora-rostrata-e-macrourus-holotrachys-da-georgia-do-sul-oceano-antartico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 10:46:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[O mercúrio (Hg) é considerado uma neurotoxina capaz de prejudicar gravemente a vida selvagem, incluindo os ecossistemas marinhos. Apresenta uma elevada capacidade de dispersão através de correntes atmosféricas e oceânicas, podendo atingir regiões remotas de todo o globo, como o Oceano Austral, onde se acumula nas cadeias alimentares marinhas. Apesar da sua relevância ecológica, pouco [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O mercúrio (Hg) é considerado uma neurotoxina capaz de prejudicar gravemente a vida selvagem, incluindo os ecossistemas marinhos. Apresenta uma elevada capacidade de dispersão através de correntes atmosféricas e oceânicas, podendo atingir regiões remotas de todo o globo, como o Oceano Austral, onde se acumula nas cadeias alimentares marinhas. Apesar da sua relevância ecológica, pouco se sabia sobre as concentrações de Hg em peixes de profundidade desta região.</p>



<p>Neste estudo, os investigadores analisaram duas espécies de peixe de profundidade na Geórgia do Sul: a <em>Antimora rostrata</em> (Mora-Azul), de hábitos mais pelágicos, e <em>Macrourus holotrachys</em> (granadeiro), de hábitos demersais. Em 2020, foram recolhidos indivíduos e analisados quatro tecidos (músculo, cérebro, fígado e guelras), bem como isótopos estáveis, para determinar habitat e posição trófica, de cada uma das espécies em estudo.</p>



<p>Os resultados mostraram que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O músculo foi o tecido com maiores concentrações de mercúrio em ambas as espécies (Fig. 1).</li>



<li>A <em>A. rostrata</em> apresentou concentrações consistentemente mais baixas que <em>M. holotrachys </em>(Fig. 1).</li>



<li>Somente para o <em>M. holotrachys</em> as concentrações de Hg aumentaram com o comprimento e peso dos indivíduos, sugerindo bioacumulação ao longo da vida.</li>



<li>As diferenças refletem-se também no habitat destas espécies, uma vez que a espécie demersal (<em>M. holotrachys</em>) está mais relacionada com as cadeias alimentares bentónicas, geralmente mais ricas em Hg (Fig. 2).</li>



<li>A <em>A. rostrata</em> apresenta um nível trófico mais baixa do que o <em>M. holotrachys</em> (Fig. 2).</li>
</ul>



<p>Contrariamente do que se esperava, o cérebro mostrou concentrações elevadas de Hg, levantando questões sobre potenciais efeitos neurotóxicos nestes peixes e nos seus predadores.</p>



<p>Estes resultados revelam que estratégias alimentares e habitats diferentes moldam a acumulação de contaminantes em espécies de profundidade, com implicações para a saúde dos ecossistemas e dos predadores de topo que delas dependem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="796" height="378" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image.png" alt="" class="wp-image-7945" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image.png 796w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-300x142.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-768x365.png 768w" sizes="(max-width: 796px) 100vw, 796px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Concentrações de mercúrio (Média ± 1 DP, µg g⁻¹ peso seco) em diferentes tecidos (Músculo, Cérebro, Fígado e Guelras) da <em>Antimora rostrata</em> e <em>Macrourus holotrachys</em>. Letras minúsculas diferentes (para <em>Antimora rostrata</em>) e maiúsculas diferentes (para <em>Macrourus holotrachys</em>) acima das barras indicam diferenças significativas entre os tecidos de cada espécie (teste de Friedman com teste post hoc de Nemenyi, p &lt; 0.05). * entre as barras indica diferenças entre o mesmo tecido nas duas espécies (teste de Mann-Whitney, p &lt; 0.0001).</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="886" height="442" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png" alt="" class="wp-image-7946" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png 886w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1-300x150.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/11/image-1-768x383.png 768w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2:</strong> Valores de δ<sup>13</sup>C e δ<sup>15</sup>N no músculo da <em>Antimora rostrata</em> (n = 23) e do <em>Macrourus holotrachys</em> (n = 22) da Geórgia do Sul. Média ± desvio-padrão.</figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Fonte: </strong>Vaz, D. B., Queirós, J. P., Xavier, J. C., Bustamante, P., Abreu, J., Pereira, E., Hollyman, P. R., Coelho, J. P. &amp; Seco, J. (2025). Mercury Concentrations, Habitat and Trophic Position of <em>Antimora Rostrata</em> and <em>Macrourus Holotrachys</em> from South Georgia (Southern Ocean). <em>Marine Pollution Bulletin</em>. DOI:10.2139/ssrn.5360416</p>



<p><strong>Autor:</strong> Diana</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Diminuição das concentrações de mercúrio nos bicos da lula gigante Moroteuthopsis longimana no mar da Escócia desde a década de 1970</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/09/23/diminuicao-das-concentracoes-de-mercurio-nos-bicos-da-lula-gigante-moroteuthopsis-longimana-no-mar-da-escocia-desde-a-decada-de-1970/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:48:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Contaminantes ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
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					<description><![CDATA[A lula gigante (Moroteuthopsis longimana), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A lula gigante (<em>Moroteuthopsis longimana</em>), uma espécie de águas profundas do Mar de Scotia, no Oceano Austral, pode ser a chave para monitorizar um dos poluentes mais preocupantes do planeta: o mercúrio. O mercúrio é um elemento tóxico que se bioacumula nas cadeias alimentares marinhas, atingindo concentrações mais elevadas nos predadores e representando riscos tanto para a vida selvagem como para a saúde humana.</p>



<p>Como estas lulas são quase impossíveis de estudar vivas, os cientistas recorrem aos seus bicos, estruturas duras que resistem à digestão e se acumulam nos estômagos de predadores, para analisar as suas assinaturas químicas. Neste estudo, os investigadores analisaram bicos de lulas recolhidos desde a década de 1970 até à atualidade para medir as concentrações de mercúrio.</p>



<p>Os resultados foram notáveis: apesar dos níveis elevados de mercúrio nas duas primeiras décadas, as concentrações têm vindo a diminuir de forma constante nos últimos trinta anos. Esta tendência sugere que os esforços globais para reduzir as emissões de mercúrio, como a International Convention on the Prevention of Marine Pollution by Dumping of Wastes and Other Matter (1972)e as melhorias nas práticas industriais, estão a ter efeitos positivos mensuráveis, mesmo em ecossistemas remotos como o Oceano Austral (Figura 1)</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="604" height="370" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png" alt="" class="wp-image-7827" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image.png 604w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/09/image-300x184.png 300w" sizes="(max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Boxplot das concentrações de mercúrio (Hg) nos bicos inferiores da lula gigante M. longimana amostrada ao longo de 5 décadas.</figcaption></figure>
</div>


<p>Cefalópodes como <em>M. longimana</em> podem ser valiosos bioindicadores, uma vez que ocupam uma posição central nas redes trófias marinhas, ligando presas mais pequenas, como crustáceos e peixes, a grandes predadores, como focas e baleias. Além disso, o seu ciclo de vida curto e crescimento rápido fazem deles excelentes “registos vivos” das condições ambientais, oferecendo aos cientistas uma janela única sobre as tendências da poluição.</p>



<p>Ao transformar os bicos de lulas em arquivos ambientais, os investigadores forneceram evidências de que a poluição pode diminuir quando há ação coletiva. Estes resultados trazem esperança, mas também servem como lembrete da necessidade de manter os compromissos globais de redução da poluição para salvaguardar os ecossistemas.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Fonte:</strong> Sara Lopes-Santos, José C. Xavier, José Abreu, José Seco, João P. Coelho, Eduarda Pereira, Richard A. Phillips, José P. Queirós, Decreasing mercury concentrations in beaks of the giant warty squid <em>Moroteuthopsis longimana</em> in the Scotia Sea (Southern Ocean) since the 1970s, Marine Pollution Bulletin, Volume 221, 2025, 118578, ISSN 0025-326X</p>



<p><strong>Autor:</strong> Lucas</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Modelação da evolução da espessura da camada ativa e da temperatura do permafrost na ilha do Rei George (Antártida) desde 1950</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/07/23/modelacao-da-evolucao-da-espessura-da-camada-ativa-e-da-temperatura-do-permafrost-na-ilha-do-rei-george-antartida-desde-1950/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jul 2025 12:01:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Gelo marinho]]></category>
		<category><![CDATA[Plataformas de gelo]]></category>
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					<description><![CDATA[Sabias que a Antártida não está totalmente coberta por glaciares e mantos de gelo? Nas zonas costeiras existem áreas livres de gelo, onde muitas vezes encontramos permafrost (solo que permanece com temperaturas abaixo de 0 ºC durante dois ou mais anos consecutivos). Este solo é geralmente acompanhado por uma “camada ativa”, a camada mais superficial, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sabias que a Antártida não está totalmente coberta por glaciares e mantos de gelo? Nas zonas costeiras existem áreas livres de gelo, onde muitas vezes encontramos permafrost (solo que permanece com temperaturas abaixo de 0 ºC durante dois ou mais anos consecutivos). Este solo é geralmente acompanhado por uma “camada ativa”, a camada mais superficial, que congela e descongela sazonalmente e é muito sensível às variações da temperatura do ar. A estabilidade do permafrost e da camada ativa é essencial para preservar os ecossistemas destas regiões.</p>



<p>No entanto, desde 1950, tem-se registado um aumento contínuo da temperatura do ar na Península Antártica, gerando impactos na dinâmica do permafrost.</p>



<p>Num novo estudo, liderado por uma investigadora portuguesa, foi feita a modelação da evolução da temperatura do permafrost e da espessura da camada ativa na ilha do Rei George, na Península Antártica.</p>



<p>O objetivo foi perceber como estas variáveis têm mudado ao longo do tempo e criar uma metodologia que possa ser aplicada a outras zonas da Península Antártica. Para tal, a equipa usou o CryoGrid Community Model, alimentado com dados de perfuração da estação King Sejong Station (com registos de temperatura do solo em profundidade) e dados climáticos de reanálise (ERA5).</p>



<p>Os resultados são claros: desde 1950, a temperatura do permafrost aumentou cerca de 2 ºC e a camada ativa aumentou de 1,6 para 3,5 metros de espessura. E o mais preocupante? O aquecimento tem-se acelerado significativamente desde 2016.</p>



<p>Mas porque é que isto é importante? Porque a degradação do permafrost na Antártida condiciona a dinâmica hidrológica, controla os fluxos de sedimentos e contaminantes, causa instabilidade no solo e o desenvolvimento de vegetação, impactando os ecossistemas terrestres e a biodiversidade.</p>



<p>Este estudo é um passo importante para compreendermos melhor os impactos das alterações climáticas na Antártida e ajuda-nos a prever o que pode acontecer no futuro com o solo gelado&nbsp;do&nbsp;planeta.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Fonte: </strong>Baptista, J. P., Vieira, G. B. G. T., Lee, H., Correia, A. M. D. C. S., &amp; Westermann, S. (2025). Modelling the evolution of permafrost temperatures and active layer thickness in King George Island, Antarctica, since 1950. Frozen ground/Antarctic. https://doi.org/10.5194/egusphere-2025-150</p>



<p><strong>Autor: </strong>Diana Martins</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Projeção dos impactos futuros das alterações climáticas na distribuição de lulas pelágicas no Oceano Austral</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/06/30/projecao-dos-impactos-futuros-das-alteracoes-climaticas-na-distribuicao-de-lulas-pelagicas-no-oceano-austral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 14:34:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
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					<description><![CDATA[Este estudo avalia como as alterações climáticas podem alterar a distribuição das lulas pelágicas no Oceano Austral. Utilizando modelos de distribuição de espécies (MDS), os autores projetaram a adequabilidade futura do habitat para 15 espécies de lulas em dois cenários climáticos (SSP1-2.6 e SSP5-8.5) para os anos de 2050 e 2100. Os modelos indicam que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Este estudo avalia como as alterações climáticas podem alterar a distribuição das lulas pelágicas no Oceano Austral. Utilizando modelos de distribuição de espécies (MDS), os autores projetaram a adequabilidade futura do habitat para 15 espécies de lulas em dois cenários climáticos (SSP1-2.6 e SSP5-8.5) para os anos de 2050 e 2100.</p>



<p>Os modelos indicam que o aumento da temperatura da superfície do mar e o recuo do gelo marinho (aspetos-chave do aquecimento dos oceanos) são os principais impulsionadores das alterações das condições do habitat. Outros fatores, como a concentração de clorofila (um indicador da produtividade primária), também desempenham um papel importante.</p>



<p>As respostas específicas de cada espécie incluem potenciais vencedores e vencidos:</p>



<p>Potenciais vencedores: as espécies de lulas subtropicais e cosmopolitas (p. ex.: <em>Histioteuthis atlantica, Teuthowenia pellucida, Todarodes filippovae </em>e<em> Bathyteuthis abyssicola</em>) podem ganhar habitats adequados, especialmente em latitudes mais elevadas (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="703" height="617" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image.png" alt="" class="wp-image-7749" style="width:506px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image.png 703w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-300x263.png 300w" sizes="(max-width: 703px) 100vw, 703px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1 &#8211;</strong> Alterações na distribuição de habitat das espécies subtropicais em 2050 SSP5-8.5 e 2100 SSP5-8.5 em relação ao presente, e gradiente latitudinal de adequabilidade de habitat dos cenários presentes versus futuros. No gráfico de tendências, a linha vertical cinzenta é o limite para a presença de espécies</figcaption></figure>
</div>


<p>Potenciais vencidos: Em contraste, a espécie Antárticas e muitas subantárticas (como <em>Onykia ingens, Onykia robsoni, Martialia hyadesi, Gonatus antarcticus, Histioteuthis eltaninae, Slosarczykovia circumantarctica, Mesonychoteuthis hamiltoni, Alluroteuthis antarcticus, Galiteuthis glacialis, Psychroteuthis glacialis</em>, e especialmente a <em>Moroteutopsis longimana</em>) deverão perder uma parte significativa do seu habitat atual (Figura 2).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="749" height="781" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-1.png" alt="" class="wp-image-7750" style="width:490px;height:auto" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-1.png 749w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/06/image-1-288x300.png 288w" sizes="(max-width: 749px) 100vw, 749px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2 &#8211;</strong> Alterações na distribuição de habitat das espécies antárticas em 2050 SSP5-8.5 e 2100 SSP5-8.5 em relação ao presente, e gradiente latitudinal de adequabilidade de habitat dos cenários presente versus futuro. No gráfico de tendências, a linha vertical cinzenta é o limite para a presença de espécies.</figcaption></figure>
</div>


<p>Além disso, o estudo descobriu que os limites a norte da distribuição de lulas devem mover-se para sul ao longo do tempo, com uma redução dos pontos críticos de biodiversidade, o que pode alterar a estrutura do ecossistema pelágico. As alterações na distribuição das lulas podem ter efeitos em cascata por toda a cadeia alimentar do Oceano Austral, causando impacto nos predadores como aves marinhas, focas e cetáceos que dependem das lulas como principal fonte de alimento.</p>



<p>Os autores observam incertezas relacionadas com a resolução dos dados ambientais, a falta de interações tróficas nos modelos e a amostragem limitada em áreas remotas. Sugerem que estudos futuros incorporem dados a uma escala mais fina (incluindo a profundidade como terceira dimensão) e informação biológica mais abrangente para melhor informar a conservação e o planeamento espacial marinho.</p>



<p>No geral, o artigo fornece projeções essenciais para compreender possíveis alterações na biodiversidade marinha devido às alterações climáticas e destaca a importância de considerar estas alterações nas estratégias de conservação para o Oceano Austral.</p>



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<p><strong>Fonte:</strong> Guerreiro, M., Santos, C. P., Borges, F., Santos, C., Xavier, J. C., &amp; Rosa, R. (2025). Projecting future climate change impacts on the distribution of pelagic squid in the Southern Ocean. <em>Marine Ecology Progress Series</em>, <em>757</em></p>



<p><strong>Autor:</strong> Sara Santos</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A sequenciação completa do gene 16S rRNA combinada com uma seleção adequada da base de dados melhora a descrição das comunidades procarióticas marinhas do Ártico</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/05/30/a-sequenciacao-completa-do-gene-16s-rrna-combinada-com-uma-selecao-adequada-da-base-de-dados-melhora-a-descricao-das-comunidades-procarioticas-marinhas-do-artico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 May 2025 13:21:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Bactéria]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Espécies marinhas]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando pensamos no Ártico, vêm-nos normalmente à cabeça imagens de gelo sem fim e ursos polares. No entanto, sob a superfície do Oceano Ártico existe um mundo incrível que desempenha um papel vital na saúde do nosso planeta: os micróbios. Estes organismos minúsculos, como as bactérias e as archaea, vivem nas águas frias e escuras [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando pensamos no Ártico, vêm-nos normalmente à cabeça imagens de gelo sem fim e ursos polares. No entanto, sob a superfície do Oceano Ártico existe um mundo incrível que desempenha um papel vital na saúde do nosso planeta: os micróbios. Estes organismos minúsculos, como as bactérias e as archaea, vivem nas águas frias e escuras e desempenham um papel vital no ecossistema.</p>



<p>Apesar da sua importância, os cientistas pouco sabem sobre quais os micróbios que vivem no Ártico e o que fazem. Porquê? Principalmente devido a limitações metodológicas, os estudos realizados até agora basearam-se na sequenciação de apenas pequenos fragmentos de ADN microbiano, o que dificulta a identificação exata de muitas espécies.</p>



<p>É aqui que entra este estudo. Os cientistas queriam testar se existiam diferenças entre a sequenciação do gene 16S rRNA completo e apenas a sequenciação de pequenas regiões do gene na identificação das comunidades microbianas. Além disso, testaram a influência das bases de dados, comparando a base de dados SILVA, normalmente utilizada, com a base de dados mais recente Genome Taxonomy Database (GTDB). Os investigadores presumiram que a sequenciação de todo o gene e a utilização da GTDB para a atribuição taxonómica permitiria obter uma visão muito mais completa e precisa das comunidades microbianas do Ártico. Os resultados? De facto, utilizando as duas ferramentas combinadas, os investigadores conseguiram identificar muitas mais espécies microbianas (Figura 1). Não só confirmaram a presença de grupos conhecidos, como também descobriram novas linhagens e classificaram melhor muitas espécies que anteriormente tinham sido difíceis de identificar com tal detalhe taxonómico.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="886" height="502" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/05/image.png" alt="" class="wp-image-7741" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/05/image.png 886w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/05/image-300x170.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/05/image-768x435.png 768w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1: </strong>Percentagem de variantes de sequências de amplicons (ASVs) classificadas em cada nível taxonómico. O painel esquerdo mostra os resultados da base de dados GTDB e o painel direito mostra os resultados da base de dados Silva. Para cada base de dados, foram comparadas as sequências do gene 16S rRNA de comprimento total e V4-V5 (laranja e azul, respetivamente).</figcaption></figure>



<p>Porque é que isto é importante? Como o Ártico está a aquecer mais rapidamente do que qualquer outra região da Terra, compreender o funcionamento dos seus ecossistemas é mais urgente do que nunca. As comunidades microbianas são incrivelmente sensíveis às mudanças de temperatura e de nutrientes e, se se alterarem, os efeitos podem se repercutir em todo o ecossistema. Assim, ao saber quem são estes micróbios e como funcionam, os cientistas podem monitorizar/prever melhor a forma como o Ártico está/irá responder às alterações climáticas.</p>



<p>Este estudo oferece-nos uma forma mais clara de investigar a vida oculta do Oceano Ártico. Ao utilizar a sequenciação de genes completos e ferramentas de classificação modernas, os investigadores identificaram mais espécies, traçando um quadro mais pormenorizado da vida microbiana do Ártico.</p>



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<p><strong>Fonte:</strong> Pascoal, F., Duarte, P., Assmy, P. et al. Full-length 16S rRNA gene sequencing combined with adequate database selection improves the description of Arctic marine prokaryotic communities. Ann Microbiol 74, 29 (2024). https://doi.org/10.1186/s13213-024-01767-6</p>



<p><strong>Autor:</strong> Lucas Bastos</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Estrutura da cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul: a produção primária líquida como principal fator das alterações interanuais</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/04/29/estrutura-da-cadeia-alimentar-de-aguas-profundas-nas-ilhas-sandwich-do-sul-a-producao-primaria-liquida-como-principal-fator-das-alteracoes-interanuais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 18:41:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Cadeias tróficas]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanos]]></category>
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					<description><![CDATA[Este estudo investiga a cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul, no Oceano Austral, com foco na forma como a produção primária líquida impulsiona as mudanças interanuais no comprimento da cadeia alimentar e na estrutura geral do ecossistema. Os investigadores utilizaram análises de isótopos estáveis ​​​​(δ13C e δ15N) dos tecidos musculares de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Este estudo investiga a cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul, no Oceano Austral, com foco na forma como a produção primária líquida impulsiona as mudanças interanuais no comprimento da cadeia alimentar e na estrutura geral do ecossistema.</p>



<p>Os investigadores utilizaram análises de isótopos estáveis ​​​​(<em>δ</em><sup>13</sup>C e <em>δ</em><sup>15</sup>N) dos tecidos musculares de várias espécies recolhidas durante as épocas de pesca em 2020, 2021 e 2022. Identificaram uma teia alimentar com cinco níveis tróficos principais, com o bacalhau-da-Patagónia (<em>Dissostichus eleginoides</em>) e da Antártida (<em>D. mawsoni</em>) como os principais predadores e notaram um potencial sexto nível ao incluir predadores como focas e baleias (Figura 1).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="827" height="546" src="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image.png" alt="" class="wp-image-7733" srcset="https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image.png 827w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image-300x198.png 300w, https://apecsportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/image-768x507.png 768w" sizes="(max-width: 827px) 100vw, 827px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1 &#8211; Ilustração da cadeia alimentar das profundezas do Oceano Austral com foco no acoplamento bento-pelágico. TL indica o nível trófico aproximado para cada componente da cadeia alimentar.</figcaption></figure>
</div>


<p>O estudo descobriu que o comprimento da cadeia alimentar variou entre anos, com a cadeia mais longa registada em 2020 e um encurtamento de cerca de 0,30 níveis tróficos até 2022. Estas alterações estavam relacionadas com alterações nas assinaturas isotópicas das espécies em vários níveis tróficos, sugerindo que mesmo os organismos de nível trófico médio mostraram uma variabilidade significativa ao longo do tempo.</p>



<p>Uma descoberta importante é a forte relação linear positiva entre o comprimento da cadeia alimentar e a produção primária líquida. Os anos com maior produção primária líquida (e parâmetros relacionados, como a concentração de clorofila a) foram associados a cadeias alimentares mais longas. Isto suporta a hipótese da produtividade, que sugere que sistemas mais produtivos podem suportar uma cadeia mais longa de transferência de energia através de mais níveis tróficos. A investigação realça a importância das interações entre componentes pelágicos (águas abertas) e bentónicos/demersais (fundo marinho). Este acoplamento ocorre principalmente entre o terceiro e o quarto níveis tróficos, onde as espécies pelágicas móveis (como as lulas e os crustáceos) interagem com os peixes demersais. Este acoplamento é essencial para os fluxos de energia e nutrientes entre diferentes compartimentos do ecossistema.</p>



<p>Os autores sugerem que, à medida que as alterações climáticas aumentam a produtividade no Oceano Austral, as cadeias alimentares podem tornar-se mais longas. Isto tem implicações importantes na eficiência da transferência de energia, na exposição a contaminantes (devido à biomagnificação) e nas alterações no ciclo dos nutrientes, afetando potencialmente a estrutura e função de todo o ecossistema.</p>



<p>No geral, o artigo demonstra que a estrutura da cadeia alimentar de águas profundas nas Ilhas Sandwich do Sul é dinâmica e fortemente influenciada pelas variações na produção primária líquida. Estas descobertas fornecem informações cruciais sobre como as alterações na produtividade causadas pelo clima podem modificar as interações tróficas e o fluxo de energia num dos ecossistemas marinhos mais remotos do mundo.</p>



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<p>Fonte: Queirós, J. P., Hollyman, P. R., Bustamante, P., Vaz, D., Belchier, M., &amp; Xavier, J. C. (2025). Deep‐sea food‐web structure at South Sandwich Islands (Southern Ocean): net primary production as a main driver for interannual changes. <em>Ecography</em>.</p>



<p>Autora: Sara Santos</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Diversidade de lagos e lagoas na transição entre tundra e floresta boreal: da limnicidade à limnodiversidade</title>
		<link>https://apecsportugal.pt/2025/03/30/diversidade-de-lagos-e-lagoas-na-transicao-entre-tundra-e-floresta-boreal-da-limnicidade-a-limnodiversidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APECS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Mar 2025 23:15:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ártico]]></category>
		<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[Monitorização]]></category>
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					<description><![CDATA[Sabias que as paisagens do Ártico e Subártico estão repletas de lagos e lagoas que desempenham um papel fundamental no equilíbrio do planeta? Estes corpos de água ajudam a regular o clima, sustentam a biodiversidade, e influenciam as emissões de gases com efeito de estufa. São como sensores naturais, que demonstram como a degradação do [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sabias que as paisagens do Ártico e Subártico estão repletas de lagos e lagoas que desempenham um papel fundamental no equilíbrio do planeta? Estes corpos de água ajudam a regular o clima, sustentam a biodiversidade, e influenciam as emissões de gases com efeito de estufa. São como sensores naturais, que demonstram como a degradação do permafrost está a transformar a paisagem!</p>



<p>Como falámos em novembro, uma equipa de investigadores desenvolveu uma ferramenta revolucionária chamada <em>HLWATER V1.0</em>, que consegue identificar automaticamente estes lagos. O estudo concentrou-se na região de Nunavik, no Subártico Canadiano, conhecida pelas suas paisagens impressionantes que misturam tundra, floresta boreal e uma grande diversidade de corpos de água, desde lagos glaciais a lagoas em turfeiras!</p>



<p>Mas e agora, que novidades trazem? Ora, identificar estes lagos não chega. É necessário estudá-los e compreender quais as suas características e padrões espaciais, e foi exatamente isto a que a equipa se dedicou neste novo artigo científico! Desta vez, o foco foi em 3 parâmetros dos lagos: limnicidade (dimensão) limnodensidade (quantidade) e limnodiversidade (diversidade ótica/ cores, um importante indicador da sua composição química).</p>



<p>E quais foram os resultados? Dos mais de 335 mil lagos desta região, 90% têm menos de 0.01km2 (ou seja, são minúsculos!!). Os lagos de maior dimensão localizam-se em depressões glaciais em setores de afloramentos rochosos. A maior limnodiversidade verifica-se nas vertentes dos vales, onde predominam depósitos silto-argilosos, e onde a degradação do permafrost é mais intensa. Para além disso, aqui é onde ocorre uma maior limnodiversidade, com lagos pretos e castanhos, ricos em matéria orgânica, e lagos castanho-claros ou brancos, onde predominam sedimentos de origem mineral.</p>



<p>Apesar de cobrirem apenas 2 a 7% da região, estas paisagens contêm mais de 1/3 de todos os corpos de água da região! E qual é a importância destes dados? Lamentavelmente, estes lagos não são apenas bonitos: eles libertam gases com efeito de estufa, influenciam o clima e afetam todo o planeta!</p>



<p>Agora que conseguimos mapear e analisar estes lagos com mais precisão, será que podemos prever como irão mudar no futuro? A ciência continua a investigar!</p>



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<p><strong>Fonte:</strong> Freitas, P., Vieira, G., Martins, D., Canário, J., Pina, P., Heim, B., … Vincent, W. F. (2024). Diversity of lakes and ponds in the forest-tundra ecozone: from limnicity to limnodiversity. GIScience &amp; Remote Sensing, 61(1). </p>



<p><strong>Autora: </strong>Diana Martins</p>



<p></p>
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