Co-ocorrência de microplásticos e químicos disruptores endócrinos em aves marinhas subantárticas

Apesar de se reproduzirem em locais remotos, as aves marinhas subantárticas continuam expostas à poluição causada pelas atividades humanas. Este estudo avaliou a presença de microplásticos e vários químicos disruptores endócrinos em sete espécies de aves marinhas recolhidas na ilha subantártica da Geórgia do Sul (Figura 1).

Figura 1: Frequência de ocorrência dos tipos, cores e tamanhos das partículas antropogénicas encontradas em adultos e crias de sete espécies de aves marinhas da Geórgia do Sul.

Os resultados mostraram que as partículas antropogénicas estavam presentes em praticamente todos os indivíduos analisados. No total, foram recuperadas 1275 partículas no trato gastrointestinal de 76 aves, com uma frequência de ocorrência de 97,4%. Entre as partículas analisadas quimicamente, 59% tinham origem sintética, mostrando que os plásticos estão presentes mesmo em ecossistemas considerados remotos.

O estudo também analisou diferentes grupos de químicos disruptores endócrinos, incluindo retardadores de chama bromados, filtros UV, fragrâncias sintéticas e bisfenóis. No entanto, apenas os PBDEs e os MeO-PBDEs foram detetados em concentrações acima do limite de quantificação. Estes compostos foram encontrados tanto no fígado como no músculo, mas as maiores concentrações ocorreram no fígado, o que está relacionado com o papel deste órgão na metabolização e acumulação de contaminantes.

As concentrações mais elevadas de PBDEs foram encontradas em indivíduos adultos de mandrião-antártico, enquanto os valores mais elevados de MeO-PBDEs foram registados em crias de albatroz-errante. Apesar de os microplásticos poderem atuar como vetores de contaminantes químicos, o estudo não encontrou uma relação significativa entre a quantidade de partículas ingeridas e as concentrações de retardadores de chama nos tecidos.

De forma geral, este trabalho mostra que as aves marinhas subantárticas estão expostas simultaneamente a partículas antropogénicas e a contaminantes químicos associados aos plásticos. Estes resultados reforçam a importância destas aves como sentinelas da poluição marinha e destacam a necessidade de melhorar a monitorização e as políticas de redução da poluição por plásticos no Oceano Austral.


Fonte: Fragão, J., Manno, C., Phillips, R. A., Cunha, S. C., Fernandes, J. O., Batista de Carvalho, L. A. E., Marques, M. P. M., Xavier, J. C., & Bessa, F. (2026). Co-occurrence of microplastics and endocrine-disrupting chemicals in subantarctic seabirds. Journal of Hazardous Materials509, 142018. https://doi.org/10.1016/j.jhazmat.2026.142018

Autor: Sara Santos

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